Setúbal, Março de 2010
Jorge Soares
É bela a natureza, sempre.
Setúbal
Abril de 2010
Jorge Soares
Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.
Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!
Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'
Relógio de Sol em Setúbal
Abril de 2010
Jorge Soares
Detalhes de uma primavera cheia de cor, flores laranja
Mundo Selvagem, Ciborro, Montemor o Novo
Alentejo
Março de 2010
Jorge Soares
Vila Nova de Milfontes, Odemira
Maio de 2010
Jorge Soares
As falésias, a praia e o mar, Zambujeira do mar
Odemira, Alentejo
Maio de 2010
Jorge Soares
Não faço ideia se é o mesmo escaravelho de este outro post ou não... mas era igual de fotogénico, não acham?
Setúbal, Maio de 2010
Jorge Soares
Vão breves passando
Vão breves passando
Os dias que tenho.
Depois de passarem
Já não os apanho.
De aqui a tão pouco
Ainda acabou.
Vou ser um cadáver
Por quem se rezou.
E entre hoje e esse dia
Farei o que fiz:
Ser qual quero eu ser,
Feliz ou infeliz.
Fernando Pessoa
E a pequena borboleta abriu as asas.
Setúbal
Junho de 2010
Jorge Soares
A Amiga Deixada
Antiga
cantiga
da amiga
deixada.
Musgo da piscina,
de uma água tão fina,
sobre a qual se inclina
a lua exilada.
Antiga
cantiga
da amiga
chamada.
Chegara tão perto!
Mas tinha, decerto,
seu rosto encoberto...
Cantava — mais nada.
Antiga
cantiga
da amiga
chegada.
Pérola caída
na praia da vida:
primeiro, perdida
e depois — quebrada.
Antiga
cantiga
da amiga
calada.
Partiu como vinha,
leve, alta, sozinha,
— giro de andorinha
na mão da alvorada.
Antiga
cantiga
da amiga
deixada.
Cecília Meireles, in 'Vaga Música'
Borboleta na flor
Setúbal, Junho de 2010
Jorge Soares
Já passaram dois anos... tenho saudades... muitas... o Porto é uma nação... de amigos.
Porto
Junho de 2008
Jorge Soares
Profundamente
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci.
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Manuel Bandeira
Porto, Junho de 2008
Jorge soares
Libelinhas no Jardim da Algodeia
Setúbal
Maio de 2010
Jorge Soares
"No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ... "
Fernando Pessoa
Jorge Soares
Hoje às 12:28 começou o verão. Estas são do verão do ano passado, Verão em Portalegre, Verão no Alentejo, que é verdade, também é assim.
Portalegre
Julho de 2009
Jorge Soares
De que será que ele se rie?
Monte selvagem
Lavre, Montemor
Alentejo, Março de 2010
Jorge Soares
Não tenho lá muito jeito para fotografar carros... certo? .. mas deu um post diferente..
Praia da Ilha do pessegueiro, Maio de 2010
Jorge Soares
Jardim da Algodeia
Abril de 2010
Jorge Soares
A margarida-do-cabo é uma herbácea muito florífera e bela. Sua folhagem é entouceirada, podendo ser ereta ou prostrada. As folhas são verde escuras, denteadas, um pouco suculentas e com a nervura central saliente. Os capítulos florais são grandes, solitários ou em grupos de dois ou três. As flores do centro são numerosas e pequenas e de coloração roxa a azulada. A colora expandida das flores externas pode ser de cor branca, rosada, arroxeada, com o verso de tonalidade mais escura, dependendo da variedade. Em resumo, podemos descrever que as cores desta margarida, formam um degradeé interessante do centro para as bordas.
Fonte: Jardineiro.net
Jorge Soares
Jardim da Algodeia, Setúbal
Abril de 2010
Jorge Soares
Lá mais para o norte, na Primavera elas nascem em tudo o que é muro ou combro abandonado, são pequeninas, suaves e delicadas, brancas, ou de um rosa suave ... quase lilás no caso desta, sempre belas. Fazem parte do meu imaginário e acredito que farão parte do imaginário de qualquer um que tenha nascido e/ ou vivido no campo. Não me lembro de as ter visto pelos muros das cidades aqui a sul, será de certeza distracção minha.. muros abandonados é o que há mais por aí.
Esta nasceu no muro que separa a ribeira do jardim, apesar dos grafitis e da cal branca que os funcionários da câmara municipal utilizam para tentar reparar os estragos dos mesmos, elas conseguem despontar por entre as falhas do muro.... imagino que procuram o sol.
Jardim da Algodeia
Setúbal
Jorge Soares
Setúbal
Maio de 2010
Jorge Soares
Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
‘Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.
Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.
Fernando Pessoa
Praia da Ilha do Pessegueiro
Porto Covo
Maio de 2010
Jorge Soares
Algures num quintal em Setúbal, os tons suaves das rosas em flor.
Maio de 2010
Jorge Soares
O Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Álvaro de Campos
Olhando para o que resultou da faina de um dia... o mar nem sempre é pródigo, há dias assim.
Algures na ilha de Santiago, Cabo Verde
Fevereiro de 2010
Jorge Soares
Mais detalhes da primavera, um escaravelho num malmequer... uma explosão de cor e de contraste como só a natureza consegue.
Setúbal,
Maio de 2010
Jorge Soares
Jardim da Algodeia, Setúbal
Abril de 2010
Jorge Soares
Gosto destas flores, gosto das várias tonalidades que vão do branco ao lilás, gosto das pétalas longas e macias, gosto da coroa central e gosto sobretudo, das fantásticas fotografias que se conseguem... desde qualquer ângulo
Já agora, alguém sabe como se chama esta flor?.. diz a Manu que são malmequeres .... mas eu tenho as minhas dúvidas.
Abril de 2010
Jorge Soares

Tomou-me vossa vista soberana
Tomou-me vossa vista soberana
Aonde tinha as armas mais à mão,
Por mostrar que quem busca defensão
Contra esses belos olhos, que se engana.
Por ficar da vitória mais ufana,
Deixou-me armar primeiro da razão;
Cuidei de me salvar, mas foi em vão,
Que contra o Céu não vale defensa humana.
Mas porém, se vos tinha prometido
O vosso alto destino esta vitória,
Ser-vos tudo bem pouco está sabido.
Que posto que estivesse apercebido,
Não levais de vencer-me grande glória;
Maior a levo eu de ser vencido.
Luís de Camões
Jorge Soares
Largo de Jesus, Setúbal
Maio de 2010
Jorge Soares
Sou por natureza tímido, as pessoas tímidas são por norma introspectivas, a mim a timidez fez-me desenvolver a imaginação, é difícil viver, mas é fácil imaginar, pensar em como seriam as coisas se eu tivesse valor para as enfrentar, viver e reviver na minha imaginação os momentos.. que afinal nunca se viverão.... ou que terão sempre uma saída na que nunca tinha pensado.... Com o tempo aprendemos a olhar os detalhes, porque é nos detalhes que está a diferença, observar o mundo com atenção, fará com que seja mais difícil sermos apanhados pelas curvas da vida. Gosto dos detalhes, porque é neles que está a beleza.. especialmente a beleza da natureza.
Bom feriado
Jorge Soares
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