Sábado, 23 de Março de 2013

Voltar sempre inteira

Primavera

 

Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.

Cecília Meireles


Os dias da primavera

Março de 2012

Jorge Soares


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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

Canção de Outono

Folhas caídas

 

Canção de Outono

 

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...


Cecília Meireles


Setúbal, Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Sábado, 29 de Dezembro de 2012

Renascer

Renascer

 

Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.

Cecília Meireles

 

 

Portalegre, Dezembro de 2011

Jorge Soares


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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

sem leme, sem vela, sem brisa...

Fantasmas

 

Fantasma


Para onde vais, assim calado,
de olhos hirtos, quieto e deitado,
as mãos imóveis de cada lado?

Tua longa barca desliza
por não sei que onda, límpida e lisa,
sem leme, sem vela, sem brisa...

Passas por mim na órbita imensa
de uma secreta indiferença,
que qualquer pergunta dispensa.

Desapareces do lado oposto
e, então, com súbito desgosto,
vejo que teu rosto é o meu rosto,

e que vais levando contigo,
pelo silêncioso perigo
dessa tua navegação,

minha voz na tua garganta,
e tanta cinza, tanta, tanta,
de mim, sobre o teu coração!

Cecília Meirelles


Sombras num dia de inverno

Portalegre, Dezembro de 2011

Jorge Soares



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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Permita que eu feche os meus olhos ....

A lua sobre Setúbal

 

Serenata


"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo"

 

Cecília Meireles


 

A lua

Setúbal, Junho de 2012

Jorge Soares


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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Pescaria

Fim de tarde em Setúbal 

 

Pescaria
Cecilia Meireles

Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.

As mãos do mar vê e vão,
as mão do mar pela areia
onde os peixes estão.

As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia
a espuma da maré cheia. 

 

 

Fim de tarde junto ao Rio Sado

Setúbal, Julho de 2012

Jorge Soares


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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

.. e de quem me consolará

ambiente

 

"E minha alma, sem luz nem tenda,
passa errante, na noite má,
à procura de quem me entenda
e de quem me consolará..."

Cecília Meireles

 

Évora, Março de 2012

Jorge Soares


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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Nem tudo é fácil

Nem tudo é fácil

 

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. 
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. 
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. 
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. 
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. 
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo. 
Se você errou, peça desculpas... 
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado? 
Se alguém errou com você, perdoa-o... 
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? 
Se você sente algo, diga... 
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar 
alguém que queira escutar? 
Se alguém reclama de você, ouça... 
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz? 
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível 
Precisamos acreditar, ter fé e lutar 
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos, 
realidade!!!

 

Cecília Meireles

 

Jorge Soares


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Terça-feira, 5 de Julho de 2011

Lua adversa

A Lua em Castanheira de pera

 

Lua Adversa

 

Tenho fases, como a lua, 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e que vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 

Não me encontro com ninguém 
(tenho fases, como a lua...). 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu... 

Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

 

 

A Lua sobre Castanheira de Pêra

Junho de 2011

Jorge Soares


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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Recados Gráficos: O amor é um lugar estranho

O amor é um lugar estranho, amo-te ana

 

"O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

 

Cecília Meireles

 

 

O Azulejo faz parte da fachada de um velho casarão na Baixa de Setúbal, quem sabe desde quando lá estará? ... a mensagem de amor é mais recente, esperemos que dure menos que o amor de alguém pela Ana.

 

Setúbal, Abril de 2011

Jorge Soares 


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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

A primavera chegará .....

Pequena flor.. gosto do amarelo

 

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.

 

Cecília Meireles

 

Alviães, Oliveira de Azemeis

Março de 2011

Jorge Soares


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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Como pequena flor ....

Uma flor amarela

 

Como pequena flor que recebeu uma chuva enorme
E se esforça por sustentar o oscilante cristal das gotas
Na seda frágil, e preservar o perfume que aí dorme

 

E vê passarem as leves borboletas livremente
E ouve cantarem os pássaros acordados sem angústia
E o sol claro do dia às claras estátuas beijando sente

 

E espera que se desprenda o excessivo, úmido orvalho
Pousado, trêmulo, e sabe que talvez o vento
A libertasse, porém a desprenderia do galho

 

E nesse temor e esperança aguarda o mistério transida
- Assim repleto de acasos e todo coberto de lágrimas
Há um coração nas lânguidas tardes que envolvem a vida

 

Cecilia Meireles

 

Setúbal, Fevereiro de 2011

Jorge So


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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Tu és a folha de Outono

Outono, folha

 

Canção de Outono

 

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

 

Cecília Meireles

 

Campo do Gerês, Gerês, Braga

Novembro de 2010

Jorge Soares


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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

A pequena borboleta

Borboleta no malmequer

 

A Amiga Deixada

 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
deixada. 

Musgo da piscina, 
de uma água tão fina, 
sobre a qual se inclina 
a lua exilada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
chamada. 

Chegara tão perto! 
Mas tinha, decerto, 
seu rosto encoberto... 
Cantava — mais nada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
chegada. 

Pérola caída 
na praia da vida: 
primeiro, perdida 
e depois — quebrada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
calada. 

Partiu como vinha, 
leve, alta, sozinha, 
— giro de andorinha 
na mão da alvorada. 

Antiga 
cantiga 
da amiga 
deixada. 

Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

 

Borboleta na flor

Setúbal, Junho de 2010

Jorge Soares



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Quinta-feira, 18 de Março de 2010

....Não fales palavras vãs.

 

Não digas ....

 

Não digas onde acaba o dia.

Onde começa a noite.

Não fales palavras vãs.

As palavras do mundo.

Não digas onde começa a Terra,

Onde termina o céu.

Não digas até onde és tu.

Não digas desde onde é Deus.

Não fales palavras vãs.

Desfaz-te da vaidade triste de falar.

Pensa, completamente silencioso.

Até a glória de ficar silencioso,

Sem pensar.

 

Cecilia Meireles in Cânticos

 

Pôr do sol em Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares

 


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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

A arte de ser feliz

Janela

 

 

Houve um tempo em que minha janela 

se abria sobre uma cidade que parecia 

ser feita de giz. Perto da janela havia um 

pequeno jardim quase seco. 

Era uma época de estiagem, de terra 

esfarelada, e o jardim parecia morto. 

Mas todas as manhãs vinha um pobre 

com um balde e, em silêncio, ia atirando 

com a mão umas gotas de água sobre 

as plantas. Não era uma rega: era uma 

espécie de aspersão ritual, para que o 

jardim não morresse. E eu olhava para 

as plantas, para o homem, para as gotas 

de água que caíam de seus dedos 

magros e meu coração ficava 

completamente feliz. 

Às vezes abro a janela e encontro o 

jasmineiro em flor. Outras vezes 

encontro nuvens espessas. Avisto 

crinças que vão para a escola. Pardais 

que pulam pelo muro. Gatos que abrem 

e fecham os olhos, sonhando com 

pardais. Borboletas brancas, duas a 

duas, como refelectidas no espelho do ar. 

Marimbondos que sempre me parecem 

personagens de Lope de Vega. Às 

vezes um galo canta. Às vezes um 

avião passa. Tudo está certo, no seu 

lugar, cumprindo o seu destino. E eu me 

sinto completamente feliz. 

Mas, quando falo dessas pequenas 

felicidades certas, que estão diante de 

cada janela, uns dizem que essas coisas 

não existem, outros que só existem 

diante das minhas janelas, e outros, 

finalmente, que é preciso aprender a 

olhar, para poder vê-las assim. 

 

Cecília Meireles

 

Janela em Vila Nova de Milfontes

Junho de 2009

Jorge Soares


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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Rosa do Outono

 Botão de rosa

 

Renova-te.

Renasce em ti mesmo.

Multiplica os teus olhos, para verem mais.

Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.

Destrói os olhos que tiverem visto.

Cria outros, para as visões novas.

Destrói os braços que tiverem semeado, 

Para se esquecerem de colher.

Sê sempre o mesmo.

Sempre outro. Mas sempre alto.

Sempre longe.

E dentro de tudo.

 
Cecília Meireles
 
Ainda as rosas da minha mãe
Alviães, Palmaz, Oliveira de Azemeis, Aveiro
Outubro de 2009
 
Oct 11, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/640 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 200mm


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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Timidez

Timidez

 

 Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

 

Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras distantes...

- palavras que não direi.

 

Para que tu me adivinhes,

entre os ventos taciturnos,

apago meus pensamentos,

ponhos vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

 

E, enquanto não me descobres,

os mundos vão nevegando

nos ares certos do tempo

até não se sabe quando...

- e um dia me acabarei.

 

Cecília Meireles

 

Algures no Nordeste, São Miguel, Açores,

Agosto de 2008

 

Jorge Soares

 

Aug 21, 2008,Câmara: SONY ,Modelo: DSLR-A350,ISO: 200,Exposição: 1/320 seg.,Abertura: 5.6 Extensão focal: 200mm


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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

A grande Alegria

 A grande alegria


Poema da grande alegria

Olhavas-me tanto
E estavas tão perto de mim
Que, no meu êxtase,
Nem sabia qual fosse
Cada um de nós...
Era num lugar tão longe
Que nem parecia neste mundo...
Num lugar sem horizontes,
Onde, sobre águas imóveis,
Havia lótus encantados...
Vinham de mais longe...
De ainda mais longe,
Músicas sereníssimas,
Imateriais como silêncios...
Músicas para se ouvirem com a alma, apenas...
E tudo, em torno,
Eram purificações...
Não sei para onde me levavas:
Mas aqueles caminhos pareciam
Os caminhos eternos
Que vão até o último sol...
E eu me sentia tão leve
Como o pensamento de quem dorme...
Eu me sentia com aquela outra Vida
Que vem depois da vida...
Eleito, ó Eleito,
Eu queria ficar sonhando
Para sempre,
Tão perto de Ti
Que, no meu êxtase,
Nem se pudesse saber
Qual fosse cada um de nós...

 

Cecília Meireles
(1901-1964)

 

Óbidos, Vila do Natal

Janeiro de 2009

 

Jan 3, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 125,Exposição: 1/50 seg.,Abertura: 5.0,Extensão focal: 28mm,Flash: Não

 


publicado por Jorge Soares às 07:57
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Pássaro

O pássaro

 

Aquilo que ontem cantava

já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.

 

Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.

 

Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.

 

Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.

 

Cecilia Meireles

Fotografia tirada em Setúbal, de longe achei que era um melro, só quando vi a imagem no computador reparei nos detalhes...  não sei se será primo dos melros..mas é sem duvida uma bela ave.

 

Apr 26, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 125,Exposição: 1/320 seg.,Abertura: 5.6,Extensão focal: 200mm,Flash: Não

 


publicado por Jorge Soares às 07:44
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Pus o meu sonho num navio

 Barcos no Rio Judeu

 

Pus o meu sonho num navio 

e o navio em cima do mar; 
- depois, abri o mar com as mãos, 
para o meu sonho naufragar 

Minhas mãos ainda estão molhadas 
do azul das ondas entreabertas, 
e a cor que escorre de meus dedos 
colore as areias desertas. 

O vento vem vindo de longe, 
a noite se curva de frio; 
debaixo da água vai morrendo 
meu sonho, dentro de um navio... 

Chorarei quanto for preciso, 
para fazer com que o mar cresça, 
e o meu navio chegue ao fundo 
e o meu sonho desapareça. 

Depois, tudo estará perfeito; 
praia lisa, águas ordenadas, 
meus olhos secos como pedras 
e as minhas duas mãos quebradas.

 

Cecília Meireles

 

Fim de tarde no Rio Judeu, Seixal

Outubro de 2008

Jorge

PS:Obrigado Flor


publicado por Jorge Soares às 08:04
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