Terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Há opiniões que nascem e morrem como as folhas das árvores

Outono

 

 

Há opiniões que nascem e morrem como as folhas das árvores, outras, porém, que têm a duração dos mármores e do mundo.

Marquês de Maricá


Setúbal, Novembro de 2013

Jorge Soares


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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Perder

Folha

 

Quantas coisas perdemos por medo de perder.

Paulo Coelho


Setúbal, Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013

Canção de Outono

Folhas caídas

 

Canção de Outono

 

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...


Cecília Meireles


Setúbal, Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Domingo, 9 de Dezembro de 2012

O vento da vida pôs-te ali

Folha

 

Tu eras também uma pequena folha 
que tremia no meu peito. 
O vento da vida pôs-te ali. 
A princípio não te vi: não soube 
que ias comigo, 
até que as tuas raízes 
atravessaram o meu peito, 
se uniram aos fios do meu sangue, 
falaram pela minha boca, 
floresceram comigo.


Pablo Neruda


Uma folha de plátano num banco de jardim

Setúbal, Outubro de 2012

Jorge Soares




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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

ausência

Ausência

 

Ausência

 

Um deserto sem água

Numa noite sem lua

Num país sem nome

Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero

Nenhuma ausência é mais funda que a tua

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 
Num fim de tarde no Jardim do Bonfim
Setúbal
Outubro de 2012
Jorge Soares

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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Tarde pintada por não sei que pintor.

Folhas do Outono

 

 

Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga, Diário X (1966)


Uma folha de plátano pintada com as cores do Outono

jardim do Bonfim, Setúbal

Outubro de 2012

Jorge Soares


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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

Cada folha uma flor

A ternura do Outono

 

Outono é outra primavera, cada folha uma flor.

Albert Camus


Jardim do Bonfim,

Setúbal, Outubro de 2012

Jorge Soares


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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Durante o outono elas choraram as dores

Novembro

 

Preparando a Primavera


Durante o outono elas choraram
as dores, em folhas caídas
e um lindo berço prepararam
para as tristes sombras da vida

E já no outono, o sol que nasce
escuta esse arrependimento
e é como se o calor deitasse
a paz na vida, a um só momento.

Virá o inverno - isso é certeza!
- e o frio implacável da neve - 
mas diz a lei da natureza
que o inverno terá que ser breve.


Gilberto Almeida


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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Adeus ao Outono

Adeus ao Outono

 

Adeus

 

É um adeus ... 
Não vale a pena sofismar a hora! 
É tarde nos meus olhos e nos teus ... 
Agora, 
O remédio é partir discretamente, 
Sem palavras, 
Sem lágrimas, 
Sem gestos. 
De que servem lamentos e protestos 
Contra o destino? 
Cego assassino 
A que nenhum poder 
Limita a crueldade, 
Só o pode vencer a humanidade 
Da nossa lucidez desencantada. 
Antes da iniquidade Consumada, 
Um poema de líquido pudor, 
Um sorriso de amor, 
E mais nada

 

Miguel Torga

 

Uma solitária folha de cerejeira que resistiu mesmo até aos últimos dias do Outono.

Portalegre

Dezembro de 2011

Jorge Soares


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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

Uma folha no Outono

Uma Folha no Outono

 

Uma folha no Outono

 

Sumidas as tuas verdes cores nascidas
no bafo dos primeiros raios primaveris;
seca a tua frágil nervura por onde fluiu
o alento do teu cristal, da tua seiva macia;
apagada a voz, o rumorejo viril do teu corpo
sempre ondulando ao sabor do vento,
esse mesmo corpo que a alguns seres
serviu de abrigo e de tenro alimento
__ caíste.

Mas caíste ondulando ainda mais
do que quando do teu primeiro movimento.
A vida, mesmo sumida e perdida,
faz-se sentir até a um último momento.

Caída sobre o chão, agora, folha,
o que será que ainda nos ensinas?


Título: 'Uma folha no Outono'
Autor: Armando Sales Macatrão 

 

 

Restava esta folha na cerejeira, um fim de Outono solitário e colorido

Portalegre, Dezembro de 2010

Jorge Soares


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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

A flor ...e a folha

Nenúfar nos jardins do Palácio de Monserrate, Sintra

 

A ideia era apanhar o interior da flor, fui fechando o diafragma até f9..  na altura nem reparei no que estava por baixo, tão concentrado que estava no nenúfar, devia ter reparado, porque o fecho do diafragma fez com que o fundo fosse ficando mais nítido e que a folha fosse tomando forma.... gostava de ter tirado uma com a flor e a folha completa....

 

Por certo, a flor estava naquela fonte com os peixes e a estátua que se vê na primeira fotografia do post anterior.

 

Jardins do Palácio de Monserrate, Sintra

Novembro de 2011

Jorge Soares


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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Outono 5

Outono

 

inverno não é ainda
mas outono
na sonata que bate 
no meu peito
poeta distraido
cão sem dono
até na propria cama em que me deito

inverno nao e ainda
mas outono
na sonata que bate no meu peito
acordar e a forma de ter sonho
o presente o preterito imprefeito
mesmo eu de mim proprio me abandono
se o rigor que me devo nao respeito
acordar e a forma de ter sono
o presente 
morro de pé 
morro de devagar
a vida é afinal o meu lugar
e só acaba quando eu quiser
ou me deixo ficar 
não pode ser

 

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Fernando Tordo

Quem gosta de fado pode ouvir cantado por Carlos do Carmo:

 

Uma folha de plátano presa no azevinho, Jardins do Palácio de Monserrate, Sintra
Novembro de 2011
Jorge Soares

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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Outono 4

Outono, Folhas de plátano

 

Aprovechemos el otoño
antes de que el invierno nos escombre
entremos a codazos en la franja del sol
y admiremos a los pájaros que emigran

 

ahora que calienta el corazón
aunque sea de a ratos y de a poco
pensemos y sintamos todavía
con el viejo cariño que nos queda

 

aprovechemos el otoño
antes de que el futuro se congele
y no haya sitio para la belleza
porque el futuro se nos vuelve escarcha

 

Mário Benedetti

 

O Outono nas folhas de Plátano

Outubro de 2011

Jorge Soares


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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Outono 3

Outono

 

Outono no Jardim do Bonfim

Outubro de 2011

Jorge Soares


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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Outono

Folha caída

 

Outono é outra primavera, cada folha uma flor.

Albert Camus

 

 

Jardim do Bonfim, Setúbal

Outubro de 2011

Jorge Soares


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Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Um dia atrás de outro, a vida é um dia atrás de outro!

Tristeza, Folha de trevo em Preto e branco

 

 

Um dia atrás de outro, a vida é um dia atrás de outro.

 

Jorge Soares


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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

Outono

Outono

 

Outono

 

Uma lâmina de ar

Atravessando as portas. Um arco,

Uma flecha cravada no outono. E a canção

Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.

E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como

Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.

É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza

Quando saio para a rua, molhado, como um pássaro.

Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se

Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.

Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede

Cumprimenta o sol. Procura-se viver.

Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.

Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se

Como se, de repente, não houvesse mais nada senão

A imperiosa ordem de (se) amarem.

Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.

Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.

Não há um nome para a tua ausência. Há um muro

Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho

Que a minha boca recusa. È outono.

A pouco a pouco despem-se as palavras.

Joaquim Pessoa

 

Jorge Soares

Novembro de 2010


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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

A Primavera que se anuncia e o Outono que tarda em sair

Folha

 

Não foi no mesmo dia da fotografia das flores de pessegueiro do post anterior, mas podia ter sido, porque bem perto daquele pessegueiro havia um plátano onde ainda podíamos ver as últimas folhas do Outono anterior.. junto com os primeiros rebentos das novas que em breve voltarão a cobrir a árvore de verde. A natureza tarda em abandonar as suas vestes outonais e já se prepara para renascer...

 

Setúbal, Janeiro de 2011

Jorge Soares


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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Não tenho deuses. Vivo

A folha em Roma

 

Princípio

 

Não tenho deuses. Vivo 
Desamparado. 
Sonhei deuses outrora, 
Mas acordei. 
Agora 
Os acúleos são versos, 
E tacteiam apenas 
A ilusão de um suporte. 
Mas a inércia da morte, 
O descanso da vide na ramada 
A contar primaveras uma a uma, 
Também me não diz nada. 
A paz possível é não ter nenhuma. 

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório

 

Ao longo do rio Tibre há plátanos, árvores enormes que no verão devem encher as margens de sombra refrescante. Nesta altura estavam a preparar as roupagens de inverno e por todos os lados havia folhas caídas, esta aterrou bem à minha frente em cima de um dos muros da ponte Fabricio.

 

Roma, Dezembro de 2010

Jorge Soares


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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Acaso

Trevo de 3 folhas

 

No acaso da rua o acaso da rapariga loira. 
Mas não, não é aquela. 

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro. 
Perco-me subitamente da visão imediata, 
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua, 
E a outra rapariga passa. 

Que grande vantagem o recordar intransigentemente! 
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga, 
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta. 

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso! 
Ao menos escrevem-se versos. 
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar, 
Maravilha das celebridades! 

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos... 
Mas isto era a respeito de uma rapariga, 
De uma rapariga loira, 
Mas qual delas? 
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade, 
Numa outra espécie de rua; 
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade 
Numa outra espécie de rua; 
Por que todas as recordações são a mesma recordação, 
Tudo que foi é a mesma morte, 
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã? 

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional. 
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas? 
Pode ser... A rapariga loira? 
É a mesma afinal... 
Tudo é o mesmo afinal ... 

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal. 

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

Trevo de 3 folhas.... ou será uma folha com 3 partes?
Novembro de 2010
Jorge Soares

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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

A vida pintada em tons dourados

Outono

 

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


Miguel Torga

 

Outono no Jardim de Vanicelos

Setúbal, Outubro de 2010

Jorge Soares


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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Tu és a folha de Outono

Outono, folha

 

Canção de Outono

 

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

 

Cecília Meireles

 

Campo do Gerês, Gerês, Braga

Novembro de 2010

Jorge Soares


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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

O Outono

Outono

 

Uma lâmina de ar

Atravessando as portas. Um arco,

Uma flecha cravada no Outono. E a canção

Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.

E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como

Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.

É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza

Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.

Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se

Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.

Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede

Cumprimenta o sol. Procura-se viver.

Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.

Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se

Como se, de repente, não houvesse mais nada senão

A imperiosa ordem de (se) amarem.

Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.

Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos. Não há um nome para a tua ausência. Há um muro

Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho

Que a minha boca recusa.

É outono A pouco e pouco despem-se as palavras.

 

Joaquim Pessoa

 

Jardim de Vanicelos, Setúbal

Outubro de 2010

Jorge Soares


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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Morre lentamente

Morre lentamente

 

QUEM MORRE?


Morre lentamente 
Quem não viaja, 
Quem não lê, 
Quem não ouve música, 
Quem não encontra graça em si mesmo 

Morre lentamente 
Quem destrói seu amor próprio, 
Quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente 
Quem se transforma em escravo do hábito 
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto, 
Quem não muda de marca, 
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou 
Não conversa com quem não conhece. 

Morre lentamente 
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos 
Olhos e os corações aos tropeços. 

Morre lentamente 
Quem não vira a mesa quando está infeliz 
Com o seu trabalho, ou amor, 
Quem não arrisca o certo pelo incerto 
Para ir atrás de um sonho, 
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos... 

Viva hoje! 
Arrisque hoje! 
Faça hoje! 
Não se deixe morrer lentamente! 

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ.

 

Martha Medeiros

 

Este poema é muitas vezes erradamente atribuído a Pablo Neruda, um erro amplificado pelas milhares de copias distribuídas pela internet, segundo este Site (e alguns outros) ele é na verdade de Martha  Medeiros.. um belo poema.

 

Jorge Soares

Setúbal, Novembro de 2009


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Segunda-feira, 8 de Março de 2010

Folha sobre os seixos no Portinho da Arrábida

 

 

Não fui, na infância, como os outros

e nunca vi como outros viam.

Minhas paixões eu não podia

tirar de fonte igual à deles;

e era outra a origem da tristeza,

e era outro o canto, que acordava

o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.

Assim, na minha infância, na alba

da tormentosa vida, ergueu-se,

no bem, no mal, de cada abismo,

a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,

da rubra escarpa da montanha,

do sol, que todo me envolvia

em outonais clarões dourados;

e dos relâmpagos vermelhos

que o céu inteiro incendiavam;

e do trovão, da tempestade,

daquela nuvem que se alteava,

só, no amplo azul do céu puríssimo,

como um demôno, ante meus olhos.

 

Edgar Allan Poe

 

Tradução de Oscar Mendes 

 

Portinho da Arrábida, Setúbal

Janeiro de 2010

Jorge Soares


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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Sou folha .....

Sou folha

 

 

Sou folha. Sou livro. Agitação na desordem da flor. Sou enigma debulhado na ignorância do rodapé. Nem reparaste que o capítulo se exprimia na cabeça da folha. Abundantemente. Numa narrativa fechada.

 

Sou folha dourada. Sou gente. Desmaiada na verticalidade da árvore. Inebriaste-te no carmesim das pétalas. Bebeste a seiva liquefeita. Na totalidade da flor.

 

Sou folha. Sou rasto. Nos cardos campesinos. No orvalho que os descansa. Ali. Na fragilidade dos acúleos.

 

Sou folha. Sou eu. Na verde vertigem amarelada dos nossos corpos. Sou vento. Sou cabelo despenteado na impiedade da memória. No derramamento da luz.

 

Paola

Retirado do blog Ponto de admiração


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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Deixei-me ficar na praia

 

 

Deixei-me ficar na praia ....,

Deixei-me ficar na praia

Onde as ondas morrem devagar.

Enrolam com vagar na areia,

A espuma mistura-se com os meus pensamentos.

A alma é-me lavada pelos pequenos salpicos

Que o vento trás para mim.

O som ecoa nos meus ouvidos,

Como cantos de sereias que me atraem.

O cheiro.

O cheiro a sal transborda-me de energia.

A energia vital que não encontra

Porta por onde se consumir.

E vai acumulando,

Crescendo em vontade.

Com o vento a sacudir-me o cabelo,

O sol a beijar-me as faces,

Sento-me à beira-rio.

Fico a observar a suave ondulação.

Penso nos porquês,

Nos como e nos quando.

Sinto a energia do Sol recarregar-me.

Sinto a brisa que me beija e me abraça.

Leva-me a tempos que já não (re)conheço.

A sensações que tinha como esquecidas.

Gosto que me beije...

Smootha

 

Praia do Bico das Lulas, quando Troia ainda era do povo

Setúbal, Novembro de 2008

Jorge Soares

 

Nov 23, 2008,Câmara: SONY ,Modelo: DSLR-A350,ISO: 100,Exposição: 1/400 seg.,Abertura: 8.0,Extensão focal: 200mm

 


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