Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Música

Trogir

 

Quem não ouve a melodia acha maluco quem dança...

Oswaldo Montenegro

 

Trogir, Croácia

Agosto de 2015

Jorge Soares

 

Câmara: SONY ILCA-77M2, ISO: 3200, Exposição: 1/60 seg., Abertura: 4.0, Extensão focal: 28mm, Flash: Não


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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

Sempre para sempre

Amor

 

Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor de pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada mas nada
Te faz contente me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

 

Donna Maria


Ouvir aqui 


Setembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 11:19
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

Quero o meu primeiro beijo

Quero o meu primeiro beijo

 

O primeiro beijo


Recebi o teu bilhete
Para ir ter ao jardim
A tua caixa de segredos
Queres abri-la para mim

E tu não vais fraquejar
Ninguém vai saber de nada
Juro não me vou gabar
A minha boca é sagrada

De estar mesmo atrás de ti
Ver-te da minha carteira
Sei de cor o teu cabelo
Sei o shampoo a que cheira

Já não como já não durmo
E eu caia se te minto
Haverá gente informada
Se é amor isto que eu sinto

Quero o meu primeiro beijo
Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa

Promete lá outro encontro
Foi tão fugaz que nem deu
Para ver como era o fogo
Que a tua boca prometeu

Pensava que a tua lingua
Sabia a flor do jasmim
Sabe a chiclete de mentol
E eu gosto dela assim

Quero o meu primeiro beijo
Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa


Rui Veloso

 

Ouvir aqui

 

Parque Urbano de Albarquel

Setúbal, Outubro de 2012

Jorge Soares


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Sábado, 24 de Novembro de 2012

Madrugada, o porto adormeceu

Amanhecer

 

memória da noite

 

Madrugada, o porto adormeceu, amor,

A lua ondula sobre as ondas

Piso espelhos antes de que saia o sol

Na noite guardei a tua memória.

 

Perderei outra vez a vida

Quando a luz romper nos costões,

Perderei o dia em que aprendi a beijar

Palabras dos teus olhos sobre o mar,

Perderei o dia em que aprendi a beijar

Palavras dos teus olhos sobre o mar.

 

Veio a manhã antes de vir o rumor,

Levou uma maré à sua sombra.

Barcos negros cruzam a manhã sem voz,

As redes vazias, sem gaivotas.

 

E dirão, contarão mentiras

Para oferecer-las ao patrão:

Vão querer fechar com algumas moedas, talvez,

Os teus olhos abertos sobre o mar,

Vão querer fechar com algumas moedas, talvez,

Os teus olhos abertos sobre o mar.

 

Madrugada, o porto despertou, amor,

O relógio do bar ficou parado

Na costeira muda da desolação

Não vamos esquecer nem perdoa-lo.

 

Voltarei, voltarei à vida

Quando a luz bater nos costões

Por que nós arrancamos todo o orgulho do mar,

Nós não afundaremos nunca mais

Que em sua memória nao haja mais volta:

Nao nos humilharemos NUNCA MAIS.

 

Xabier Cordal


Ouvir a versão cantada por:

 

Sara Vidal e Luar na Lubre

 


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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012

Se você quer ser minha namorada

 

Se você quer ser minha namorada
Ai, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exactamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarzinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porquê
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.

 

Vinícius de Moraes


Ouvir


Lagoa de Óbidos

Julho de 2012

Jorge Soares


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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Ouvi o texto muito ao longe

Ouvi o texto muito ao longe

 

Ouvi o texto muito ao longe
era o teu corpo na demanda
não me parecia escrito hoje
mas hoje quis tarefa branda
a de curar a ferida ao sol
no claro-escuro da varanda.

E só depois
para já depois, ao certo
mas fiz ao corpo teu por perto
ouvindo o texto muito ao longe
escrevinhando o sol bate hoje
cartas de amor como o sol manda
vermelho caixa aço pintado
destinatário demasiado
na virtual ida ao deserto.
Escrevi ao corpo teu por perto
na quente pelo como o sol manda
real regresso do deserto
a tua pele muito ao de longe
era o meu texto na demanda
não me parecia escrito hoje.

Ouvi o texto muito ao longe
não me parecia escrito hoje.

Sérgio Godinho

 


 

Lisboa

Janeiro de 2012

Jorge Soares


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Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Esse sorriso que baila assim

No dia em que te vi

 

Esse sorriso que baila assim no meu pensamento
Entrou sem pedir licença no lado esquerdo do meu peito
Entrou invadindo, entrou dominando os meus sentimentos, meu comportamento
Vive em mim, como modo de vida
Montou acampamento como p'ra eternidade
Pr'a meu contentamento trouxe a esperança
Na minha alma a felicidade

No dia em que te vi
Com os meus olhos te beijei
Feliz eu me senti
Quando te encontrei
No dia em que te vi
Os beijos que te dei
Perdida eu vivi
Coisas que só eu sei

Esse sorriso que desfez o meu sofrimento
E satisfez o meu coração
Me ofuscou, me agarrou, me apanhou na emboscada
E meus olhos deitados em ti ficaram
O que sinto por ti está a tornar-se coisa séria
Quero estar preso a ti como as raízes à terra
E como um papagaio de papel colorido no céu azul
Quero contigo voar

No dia em que te vi
Com os meus olhos te beijei
Feliz eu me senti
Quando te encontrei
No dia em que te vi
Os beijos que te dei
Perdida eu vivi
Coisas que só eu sei

 

Mercado Negro e Liliana

 

Ouvir aqui

 


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Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

... a minha vida de todas as cores

Carnaval de Estarreja 2011, Cores

 

Tela

 

Quero pintar a minha vida de todas as cores
Quero pintar...por ti
E quando chegar o momento
Deixa-te pintar
Deixa-te levar
Deixa-te pintar
Na minha sala sob a luz do luar
Perde-te no tempo... deixa-te levar


Pintei o teu corpo numa tela
Esculpi o teu rosto à luz da vela
Pintei o teu corpo... pintei

 

Quero pintar a minha vida de todas as cores
E vou-me lembrar... de ti
E quando chegar o momento
Deixa-te levar
Deixo-me encantar
Deixa-te pintar

 

Na minha sala sob a luz do luar
Perde-te no tempo... deixa-te levar

 

Pintei o teu corpo numa tela
Esculpi o teu rosto à luz da vela

 

Pintei o teu corpo numa tela
Esculpi o teu rosto à luz da vela
Pintei o teu corpo... pintei

 

 

Santos e Pecadores

 

 

 

Carnaval de Estarreja 2011

Março de 2011


publicado por Jorge Soares às 17:52
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

A Luz de Lisboa

A Luz de Lisboa

 

Quando Lisboa escurece 
E devagar adormece 
Acorda a luz que me guia 
Olho a cidade e parece 
Que é de tarde que amanhece 
Que em Lisboa é sempre dia 

Cidade sobrevivente 
de um futuro sempre ausente 
de um passado agreste e mudo 
Quanto mais te enches de gente 
Mais te tornas transparente 
Mais te redimes de tudo 

Acordas-me adormecendo 
E dos Sonhos que vais tendo 
Faço a minha realidade 
E é de noite que eu acendo 
A luz do dia que aprendo 
Com a tua claridade

Manuela de Freitas

 

Ouvir cantado pelo Camané

 

 
Cais das Colunas, Lisboa
Janeiro de 2012
Jorge Soares

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Ao Sol

Margarida ao sol

Ao Sol

 

Eu só queria despir-nos

Como se tira habilmente

A seda aos pêssegos

E nus adormecermos

Sem saber quem somos

Sem jogos aos ombros

Que vêm de pequenos

Pelo faro pelos poros

Pelo sono dos cabelos

Pelo estalinho dos dedos

Eu só queria deixar-nos

Como o sol a bater

Na cal dos muros

E nus adormecermos

Sem contar os beijos

Sem dizer piropos

Como o cio dos frutos

Como a pele dos bichos

Como o íman dos olhos

Dos velhos sentados”

Joaquim Castro Caldas


Ouvir Por Tiago Bettencourt e Inês castelo Branco


 


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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012

Só nós dois é que sabemos

Só nós dois é que sabemos

 

Só nós dois é que sabemos
O quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor, forte, profundo...
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo.

Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua
Vem ser minha, eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta.

Só nós dois é que sabemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
As torturas dos desejos
Vamos viver o presente
Tal-qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só Deus sabe o que será

 

Ouvir

 



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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Um deste dias vou poder apaixonar-me outra vez

A guitarra

 

Um deste dias vou poder
apaixonar-me outra vez
sem me importar de saber
se vai durar um ano ou um mês

Correr e saltar num dia 
depois não dormir tranquilo
pensar que o amor é isto 
e descobrir que afinal é aquilo

Já não há canções de amor
como havia antigamente
já não há canções de amor

Um destes dias vou ser capaz
de encontrar a felicidade
avançar em marcha atrás
ir de verdade em verdade 

Dizer que o amor é aquilo
que ontem estava descoberto
e ver que no fim duma paixão
espreita sempre um deserto

Já não há canções de amor 
por não haver quem acredite 
já não há canções de amor 
por não haver quem acredite 

E vós almas tão ingénuas
cujo amor não tem saída
que buscais nas tolas canções 
o açúcar que adoça a vida

Não percebeis que é o engano
que prova que há uma chance 
acertar à primeira não é humano
é a essência do romance

Já não há canções de amor
como havia antigamente 
já não há conções de amor 
vou investigar o caso 
com o máximo rigor
tirar a limpo a verdade
que há nas canções de amor 
vou saber se ainda é possível
escrever canções de amor 

 

Rui Veloso

 

Ouvir:

 


Setúbal, Janeiro de 2011

Jorge Soares


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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Não há rosa como ela

Não há rosa como ela

 

Tenho um vasinho de rosas à janela
Que ela trouxe consigo
Quando as vejo tão formosas,
Lembro-me dela
lembro-me dela ao postigo

Lembro-me dela ao postigo,
tão mimosa
E agora põe-se à janela
Os cabelos cor de trigo, não há rosa...
Não há rosa como ela

Não há rosa como ela na cidade
Nem nos campos donde vim
Agora põe-se à janela com vaidade
À noite à espera de mim

Lembro-me dela ao postigo
E agora põe-se à janela
É só isto que vos digo:
Não há rosa como ela

 


Baile  Popular

 

Ouvir

 
Não, esta rosa não é da minha janela, foi  colhida algures num quintal de Setúbal ... mas olhei paraa fotografia e lembrei-me desta musica dos Baile Popular...
Setúbal, Dezembro de 2011
Jorge Soares

publicado por Jorge Soares às 00:22
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

..e uma guitarra na mão

Os putos

 

Tenho uma página em branco

e uma guitarra na mão

ando nisto há quatro dias

e não me sai  a canção

 

 

Jorge Palma

Ouvir:

 

 
Jardim da Algodeia, Setúbal
Dezembro de 2011
Jorge Soares

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Sábado, 24 de Dezembro de 2011

O presépio de lata

Presépio de lata

 

Três estrelas de alumínio
A luzir num céu de querosene
Um bêbedo julgando-se césar
Faz um discurso solene

Sombras chinesas nas ruas
Esmeram-se aranhas nas teias
Impacientam-se gazuas
Corre o cavalo nas veias

Há uma luz branca na barraca
Lá dentro uma sagrada família
À porta um velho pneu com terra
Onde cresce uma buganvília

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Oiçam um choro de criança
Será branca negra ou mulata
Toquem as trompas da esperança
E assentem bem qual a data

A lua leva a boa nova
Aos arrabaldes mais distantes
Avisa os pastores sem tecto
Tristes reis magos errantes
E vem um sol de chapa fina
Subindo a anunciar o dia
Dois anjinhos de cartolina
Vão cantando aleluia

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells,

Nasceu enfim o menino
Foi posto aqui à falsa fé
A mãe deixou-o sozinho
E o pai não se sabe quem é

É o presépio de lata
Jingle bells, jingle bells

 

Rui Veloso

 

 

 
Os meus melhores desejos de um Feliz natal a todos
Dezembro de 2011
Jorge Soares

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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Outono 6

Outono, Jardim de monserrate

 

Balada do Outono

 

Águas passadas do rio
Meu sonho vazio
Não vão acordar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
P'ras bandas do mar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto A cantar 

 

Zeca Afonso

 

Ouvir 

 

 
O Outono na Mata de Albergaria, Parque nacional da Peneda Gerês
Novembro de 2010
Jorge Soares

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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Outono 5

Outono

 

inverno não é ainda
mas outono
na sonata que bate 
no meu peito
poeta distraido
cão sem dono
até na propria cama em que me deito

inverno nao e ainda
mas outono
na sonata que bate no meu peito
acordar e a forma de ter sonho
o presente o preterito imprefeito
mesmo eu de mim proprio me abandono
se o rigor que me devo nao respeito
acordar e a forma de ter sono
o presente 
morro de pé 
morro de devagar
a vida é afinal o meu lugar
e só acaba quando eu quiser
ou me deixo ficar 
não pode ser

 

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Fernando Tordo

Quem gosta de fado pode ouvir cantado por Carlos do Carmo:

 

Uma folha de plátano presa no azevinho, Jardins do Palácio de Monserrate, Sintra
Novembro de 2011
Jorge Soares

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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

... e acorda Portugal

 acorda Portugal...

 

Eu esperei

mas o dia não se fez melhor

e o sujo não se quis limpar,

inventou mais flores em meu redor

como se eu não fosse olhar!

Enfeitou as ruas para cobrir

terra seca de não semear

deram-me água turva a beber

dizem cura e força e solução

como se eu não fosse olhar!

 

Eu esperei

mas o fumo não saiu da estrada

Arde o sonho em troca de nada

Dizem festa, mas é solidão

como se eu não fosse olhar!

A mentira não se fez verdade

e a justiça não se fez mulher

A revolta não se fez vontade

Braços novos sem educação

sangue velho chora de saudade!

 

Eu esperei

dizem luta mas não há destino

dão-me luzes mas não é caminho

dizem corre mas não é batalha

como quem não quer mudar!

Esta corda não nos sai das mãos

esta lama não nos  sai do chão

esta venda não deixa alcançar.

cantam “armas” mas não é amor

mão no peito mas não é amar

fato justo mas sem lealdade

cavaleiro mas já sem moral

braços sujos que se vão esconder

braços fracos não são de lutar

braços baixos não se querem ver

como se eu não fosse olhar!

 

Eu esperei

pelo tempo transparente em nós

pelo fruto puro de escolher

pela força feita de alegria

mas o povo dorme na ilusão!

e a tristeza é forma de sinal

Liberdade pode ser prisão...

Meu Deus, livra-nos do mal

e acorda Portugal...

 

Tiago Bettencourt

Ouvir

 


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Domingo, 30 de Outubro de 2011

Eu gosto da praia à hora das gaivotas

A Hora das Gaivotas

 

Eu gosto da praia
à hora das gaivotas
Quando a maré desce
E tudo fica mais calmo

 

Quando o sol dourado 
despenteia o teu cabelo
e um só sorriso teu
desfaz o meu pesadelo

 

Tens os pés na areia
e um olhar sobre as ondas
por muito que os estendas
não quero que te escondas

 

Sabes o mar é bruto
mas pode ajudar
a ter outra vez
vontade de gostar


ao longe desfaz-se
a linha do horizonte
e tu já voltaste
desse sitio onde foste


protege os teus ombros
com o meu braço esquecido

 

e um só sorriso teu

e eu já não estou perdido

 

eu gosto da praia

à hora das gaivotas

à hora das gaivotas

eu gosto da praia

 

eu gosto de ti

 

Tim

 

 Ouvir

Praia do Carvalhal, Grândola, Setúbal
Outubro de 2011
Jorge Soares

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

O Resto do Mundo

O resto do Mundo

 

 

Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de excluido como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu dotô
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
Eu num tenho nada 
Mas gostaria de ter
Aproveita seu dotô e dá um trocado pra eu comer...
Eu gostaria de ter um pingo de orgulho
Mas isso é impossivel pra quem come o entulho
Misturado com os ratos e com as baratas
E com o papel higiênico usado
Nas latas de lixo
Eu vivo como um bicho ou pior que isso

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou... Eu num sou ninguém

Eu tô com fome
Tenho que me alimentar
Eu posso num ter nome mas o estômago tá lá
Por isso eu tenho que ser cara-de-pau
Ou eu peço dinheiro ou fico aqui passando mal
Tenho que me rebaixar a esse ponto porque a necessidade é maior do que a moral
Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social
Eu num posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro 
Mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar
E o meu banheiro é a rua
E sem papel pra me limpar
Honra? 
Não tenho
Eu já nasci sem ela
E o meu sonho é morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar
E eu não tenho perspectivas de sair do lugar
A minha sina é suportar viver abaixo do chão
E ser um resto solitário esquecido na multidão

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém

Frustração
É o resumo do meu ser
Eu sou filho da miséria e o meu castigo é viver
Eu vejo gente nascendo com a vida ganha e eu não tenho uma chance
Deus! Me diga por quê?
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu num chego a ser pobre eu sou podre!
Um fracassado
Mas não fui eu que fracassei
Porque eu num pude tentar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar, queimar, matar
Não tenho nada a perder
Meu dia vai chegar
Será que vai chegar?
Mas por enquanto

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém

Eu num sou registrado
Eu num sou batizado
Eu num sou civilizado
Eu num sou filho do Senhor
Eu num sou computado
Eu num sou consultado
Eu num sou vacinado
Contribuinte eu num sou
Eu num sou comemorado
Eu num sou considerado
Eu num sou empregado
Eu num sou consumidor
Eu num sou amado 
Eu num sou respeitado
Eu num sou perdoado
E também sou pecador
Eu num sou representado por ninguém
Eu num sou apresentado pra ninguém
Eu num sou convidado de ninguém
E eu num posso ser visitado por ninguém
Além da minha triste sobrevivência eu tento entender a razão da minha existência
Por quê que eu nasci?
Por quê tô aqui?
Um penetra no inferno sem lugar pra fugir
Vivo na solidão mas não tenho privacidade
E não conheço a sensação de ter um lar de verdade
Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir o barraco comigo
Mas eu queria morar numa favela amigo

 

Gabriel o Pensador

Setúbal

Dezembro de 2009

Jorge Soares


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Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Verde Gaio

O gaio

 

As penas do verde Gaio
São verde e amarelas 
Não me empurres que eu não caio
Que eu sou rijo das canelas
  
Verde Gaio é novo é novo
Veio à pouco a Portugal
Só me trouxe uma lourinha 
No laço do avental
  
Verde Gaio é meu é meu
Que me custa o meu dinheiro
Sete patacos e meio
Lá no Rio de Janeiro
  
Verde Gaio é tolo é tolo
É tolo que já namora 
Deixa pai deixa mãe
Deixa tudo e vai-se embora
 
Canção Popular

 

Tenho uma bela colecção de imagens deste bichinho..  que apanhei no Alentejo no Verão passado.. estão aqui

 

Parque de campismo de São Miguel

Odemira, Alentejo

Junho de 2010

Jorge Soares

 

 


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Quinta-feira, 3 de Março de 2011

O post da música

Margarida

 

A música andava arredada aqui do Momentos há bastante tempo... por algum motivo que nunca descobri o widget deixou de funcionar como devia e passou a dar sempre a mesma música em lugar de as ir variando de forma aleatória... um dia fartei-me e calei-lhe o bico.

 

Um destes dias a Flor, que para além de uma excelente pessoa e uma fotógrafa de se lhe tirar o chapéu (vão ao Florbytes e vejam que é verdade)  é uma amiga que vale ouro, ofereceu-se para nos voltar a dar música.... e pronto, voltamos a ter música... música Portuguesa, da melhor.. que ela sabe escolher.

 

Obrigado Flor... de todo coração.

 

Jorge Soares


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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Menino do bairro negro

Meninos de cabo Verde

 

Olha o sol que vai nascendo 
Anda ver o mar 
Os meninos vão correndo 
Ver o sol chegar 

Menino sem condição 
Irmão de todos os nus 
Tira os olhos do chão 
Vem ver a luz 

Menino do mal trajar 
Um novo dia lá vem 
Só quem souber cantar 
Vira também 

Negro bairro negro 
Bairro negro 
Onde não há pão 
Não há sossego 

Menino pobre o teu lar 
Queira ou não queira o papão 
Há-de um dia cantar 
Esta canção 

Olha o sol que vai nascendo 
Anda ver o mar 
Os meninos vão correndo 
Ver o sol chegar 

Se até da gosto cantar 
Se toda a terra sorri 
Quem te não há-de amar 
Menino a ti 

Se não é fúria a razão 
Se toda a gente quiser 
Um dia hás-de aprender 
Haja o que houver 

Negro bairro negro 
Bairro negro 
Onde não há pão 
Não há sossego 

Menino pobre o teu lar 
Queira ou não queira o papão 
Há-de um dia cantar 
Esta canção

 

Zeca Afonso

Ouvir aqui

 

Algures numa praia na Ilha de Santiago

Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares


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Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Quem és tu miúda

Quem és tu miúda?

 

Quando passas à minha rua
Como um anjo que flutua
Os teus pés, nunca pisam o chão

E a cada passo teu
Sem saber, eu troco o meu
Como se pisasses o meu coração

E até as flores do jardim
Mudam de cor, ao ver-te assim

Eu já não posso mais conter
Esta ansiedade de te ver

Quem és tu...
Quem és tu...miúuuuda
Nesse sobressalto, desse salto alto
Quem és tu...miúuuuda
Que me atormentas, em câmara lenta
Quem és tu...miúuuuda
Miúda quem és...

Há certos momentos em que eu acho
Que não passas de um golpe baixo
Fantasia, de um pobre coração

Cá vou eu de sentinela
Pôr-me a espreita, na janela
Nem sequer, sei se existes ou não

E até os velhos do jardim
Mudam de tom ao ver-te assim

Eu já não posso mais conter
Esta ansiedade de te ver

 

Os Azeitonas

Ouvir aqui

 

Setúbal, Janeiro de 2011

Jorge Soares


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Sexta-feira, 26 de Novembro de 2010

Gritos Mudos

Gritos mudos

 

Gritos mudos

 

 

Neons vazios num excesso de consumo

Derramam cores pelas pedras do passeio

A cidade passa por nós adormecida

Esgotam-se as drogas p'ra sarar a grande ferida

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E o coração aperta-se e o estômago sobe à boca

Aquecem-nos os ouvidos com uma canção rouca

E o perigo é grande e a tensão enorme

Afinam-se os nervos até que tudo acorde

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E a noite avança, e esgotam-se as forças

Secam como o vinho que enchia as taças

E pára-se o carro num baldio qualquer

E juntam-se as bocas até morrer

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga com toda a razão

 

Xutos e pontapés

 

Ouvir aqui

 

No dia internacional contra a violência familiar, não deixemos que ninguém sofra em silêncio e solidão, denuncie!

 

Uma rosa do Outono

Setúbal, Outubro de 2010

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 00:15
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Regras de sensatez

Praia, Cabo Verde

 

 

"Nunca voltes ao lugar
onde já foste feliz
por muito que o coração diga
não faças o que ele diz
Nunca mais voltes à casa
onde ardes-te de paixão
só encontrarás erva rasa
por entre as lajes do chão
Nada do que por lá vires
será como no passado
não queiras reancender
um lume já apagado
São as regras da sensatez
vais sair a dizer que desta é de vez
Por grande a tentação
que te crie a saudade
não mates a recordação
que lembra a felicidade
Nunca voltes ao lugar
onde o arco - irís se pôs
só encontrarás a cinza
que dá na garganta nós.
São as regras da sensatez
vais sair a dizer que desta é de vez"

 

Rui Veloso

 

Ouvir aqui

Pôr do sol na cidade da Praia, Cabo Verde
Fevereiro de 2010
Jorge Soares

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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Acorda, menina linda

Acorda menina linda

 

 

Acorda, menina linda

Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer 
Anda ver que lindo presente 
A aurora trouxe para te prendar 
Uma coroa de brilhantes para iluminar 
O teu cabelo revolto como o mar 

Acorda, menina linda 
Anda brincar 
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar 
Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer 

Porque terras de sonho andaste 
Que Mundo te recebeu 
Que monstro te meteu medo 
Que anjo te protegeu 
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ? 

Acorda, menina linda 
Anda brincar 
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar 
Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer 

Anda a ver o gato vadio 
À caça do pássaro cantor 
Vem respirar o perfume 
Das amendoeiras em flor 
Salta da cama 
Anda viver, meu amor 

Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer

 

Jorge Palma

 

Ouvir aqui

 

 

Num daqueles dias na praia... Praia Montalvo, Galiza, Espanha


publicado por Jorge Soares às 08:00
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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Como os anos passam por nós

Somos o que já vivemos

 

 

Antes e depois

 

Quem te apurou?
Como os anos passam por nós
É ver o tempo deixar-nos sós
E esperamos

Que justifiquem ou que nasça pelo menos alguma razão
Ao motivo pelo qual vai cedendo o corpo então
Aos anos

Sinto mais do que preciso
Perco a voz ganho juízo
E quem fui eu não sou mais
Mudam gostos ganho peso
Perco medos e cabelo
E quem fui eu não sou mais

Algo melhorou!
Ficámos sábios… pelo menos aos olhos dos outros
Ser responsável compete a poucos
A bem poucos....
Não dependemos, daqui para a frente, de ninguém
Quer dizer… O sexo agora implica quase sempre alguém
E Ainda bem!!!!

Sinto mais do que preciso
Perco voz ganho juízo
E quem fui eu não sou mais
Mudam gostos ganho peso
Perco medos e cabelo
E quem fui eu não sou mais

Não choro as partes que estão para trás (2x)

Não concluo
O meu tempo não é uma canção
Que tem quase sempre rima certa, métrica e refrão
E esta... acabou.

 

 

Klepth

http://www.youtube.com/watch?v=L31rAC88DqI

 

Obrigado Dulce ..... já agora, leiam e comentem aqui

 

Praia do Carvalhal, Grândola, Setúbal

Esta também faz parte da série  Alentejo também é mar

Junho de 2010

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 13:43
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Balada de um banco de Jardim

 Balada de um banco de Jardim, Parque urbano do Rio Ul, São João da Madeira

 

BALADA DE UM BANCO DE JARDIM

Num repente de emoção
Disparou meu coração
Vi que o teu recado era para mim
É de ti que eu gosto
Não falto ao teu rendez-vous
Seis da tarde, banco de jardim
Pus-me logo a sonhar
Corei só de imaginar
Nós os dois no banco de jardim
Decorei o que dizer
Vesti roupa a condizer
Roubei flores do jardim
A solidão num instante foi a breve ilusão de um amor
Como se esse amor de repente fosse também um bem ao meu dispor
Quantos destinos de cruzam assim
Quantos romances se acendem assim
Ao cair da tarde num banco de jardim
A lua subiu de tom e anoiteceu
Ela nem apareceu
Mais um sonho se desfaz assim
Desfiz a minha ilusão
E gravei um coração
A canivete no banco de jardim
A solidão de repente era a minha canção de langor
Como se o amor, novamente, fosse um estranho, um desertor
Quantos destinos se cruzam assim
Quantos romances chegam ao fim
Ao cair de um sonho num banco de jardim

Retirada do Blog Os Azeitonas, Se puderem vão lá e ouçam, eu adorei

Fotografia tirada no Parque Urbano do Rio Ul, São João da Madeira

Dec 25, 2008,  Câmara: SONY  DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/80 seg. Abertura: 9.0 Extensão focal: 18mm


publicado por Jorge Soares às 08:12
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