Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Não há ninguém somente o inverno

Inverno

 

Não falta ninguém no jardim.

Não há ninguém:
somente o inverno verde e negro, o dia
desvelado como uma aparição,
fantasma branco, de fria vestimenta,
pelas escadas dum castelo. É hora
de não chegar ninguém, apenas caem
as gotas que vão espalhando o rocio
nestes ramos desnudos pelo inverno
e eu e tu nesta zona solitária,
invencíveis, sozinhos, esperando
que ninguém chegue, não, que ninguém venha
com sorriso ou medalha ou predisposto
a propor-nos nada.


Pablo Neruda

 

Setúbal, Fevereiro de 2013

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 13:41
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

O cisne

O cisne

 

 

"A sombra é sempre negra nem que seja de um cisne branco"

Pablo Neruda

 

 

Jardim do Bonfim

Setúbal, Setembro de 2012


publicado por Jorge Soares às 20:52
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Domingo, 9 de Dezembro de 2012

O vento da vida pôs-te ali

Folha

 

Tu eras também uma pequena folha 
que tremia no meu peito. 
O vento da vida pôs-te ali. 
A princípio não te vi: não soube 
que ias comigo, 
até que as tuas raízes 
atravessaram o meu peito, 
se uniram aos fios do meu sangue, 
falaram pela minha boca, 
floresceram comigo.


Pablo Neruda


Uma folha de plátano num banco de jardim

Setúbal, Outubro de 2012

Jorge Soares




publicado por Jorge Soares às 18:27
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012

La mariposa volotea

Borboleta

 

LA mariposa volotea
y arde —con el sol— a veces.

Mancha volante y llamarada,
ahora se queda parada
sobre una hoja que la mece.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Yo tampoco decía nada.
Y pasó el tiempo de las mieses.

Hoy una mano de congoja
llena de otoño el horizonte.
Y hasta de mi alma caen hojas.

Me decían: —No tienes nada.
No estás enfermo. Te parece.

Era la hora de las espigas.
El sol, ahora,
convalece.

Todo se va en la vida, amigos.
Se va o perece.

Se va la mano que te induce.
Se va o perece.

Se va la rosa que desates.
También la boca que te bese.

El agua, la sombra y el vaso.
Se va o perece.

Pasó la hora de las espigas.
El sol, ahora, convalece.

Su lengua tibia me rodea.
También me dice: —Te parece.

La mariposa volotea,
revolotea,
y desaparece.

 

Algures perto do mar nas Astúrias

Agosto de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 09:13
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

...floresceram comigo.

Apequena flor

 

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

 

Pablo Neruda

 

 

Nas margens da barragem da queimadela, Aldeia do Pontido, Fafe

Abril de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 08:03
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Sábado, 9 de Julho de 2011

Suave

Rosa suave

 

Suave é a bela como se música e madeira,
ágata, telas, trigo, pêssegos transparentes,
tivessem erigido a fugitiva estátua.
Para a onda dirige seu contrário frescor.

 

O mar molha polidos pés copiados
à forma recém-trabalhada na areia
e é agora seu fogo feminino de rosa
uma borbulha só que o sol e o mar combatem.

 

Ai, que nada te toque senão o sal do frio!
Que nem o amor destrua a primavera intacta.
Formosa, revérbero da indelével espuma,

 

deixa que teus quadris imponham na água
uma medida nova de cisne ou de nenúfar
e navegue tua estátua pelo cristal eterno.

 

Pablo Neruda


publicado por Jorge Soares às 00:03
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

Brinquedos

Brinquedos

 

Reuni em minha casa brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver. O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta.

 

 Pablo Neruda

 

Fim de tarde no Jardim do Bonfim

Setúbal, Maio de 2011

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 00:23
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Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

A ver o mar

A ver o mar

 

Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender 

 

Pablo Neruda (Últimos Poemas)

 

 

 

Manhã de Domingo na Costa da Caparica

Janeiro de 2011


publicado por Jorge Soares às 17:35
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Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Ver o outono

O outono

 

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para
que continues me olhando.


Pablo Neruda

 

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 08:56
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010

Morre lentamente

Morre lentamente

 

QUEM MORRE?


Morre lentamente 
Quem não viaja, 
Quem não lê, 
Quem não ouve música, 
Quem não encontra graça em si mesmo 

Morre lentamente 
Quem destrói seu amor próprio, 
Quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente 
Quem se transforma em escravo do hábito 
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto, 
Quem não muda de marca, 
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou 
Não conversa com quem não conhece. 

Morre lentamente 
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, Justamente as que resgatam o brilho dos 
Olhos e os corações aos tropeços. 

Morre lentamente 
Quem não vira a mesa quando está infeliz 
Com o seu trabalho, ou amor, 
Quem não arrisca o certo pelo incerto 
Para ir atrás de um sonho, 
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos... 

Viva hoje! 
Arrisque hoje! 
Faça hoje! 
Não se deixe morrer lentamente! 

NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ.

 

Martha Medeiros

 

Este poema é muitas vezes erradamente atribuído a Pablo Neruda, um erro amplificado pelas milhares de copias distribuídas pela internet, segundo este Site (e alguns outros) ele é na verdade de Martha  Medeiros.. um belo poema.

 

Jorge Soares

Setúbal, Novembro de 2009


publicado por Jorge Soares às 14:10
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Segunda-feira, 15 de Março de 2010

O pensamento tem poder infinito ....

O pensamento tem poder infinito ....

 

 ...Ele mexe com o destino, acompanha a tua vontade.

Ao esperar o melhor, crias uma expectativa positiva que detona o processo de vitória.

Ser optimista é ser perseverante, é ter uma fé inabalável e uma certeza sem limites de que tudo vai resultar.

Ao nascer o sentimento de entusiasmo, o universo aplaude tal iniciativa e conspira a teu favor, colocando-o ao serviço da humanidade.

Tu é que escreves a história da tua vida - ao optar pelas atitudes construtivas - cresces como ser humano Positivo atrai positivo. Alegria chama alegria.

Ao exalar esse estado optimista, a nossa consciência desperta energias vitais que vão trabalhar na direcção das tuas metas.

Sê incansavelmente optimista. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma.

É humano e natural viver aflições, só não é inteligente conviver com elas por muito tempo.

Sê mais paciente contigo mesmo. Entende as tuas limitações. Sem esforço não existe vitória.

Ao escolher com sabedoria viver a tua vida com optimismo, o teu coração sorri, os teus olhos brilham e a humanidade agradece por existires."

 

(Pablo Neruda)

 

Setúbal, Março de 2009

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 08:00
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Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

El Mar

 El mar.. o mar, Portimão

 

NECESITO del mar porque me enseña:
no sé si aprendo música o conciencia:
no sé si es ola sola o ser profundo
o sólo ronca voz o deslumbrante
suposición de peces y navios.
El hecho es que hasta cuando estoy dormido
de algún modo magnético circulo
en la universidad del oleaje.
No son sólo las conchas trituradas
como si algún planeta tembloroso
participara paulatina muerte,
no, del fragmento reconstruyo el día,
de una racha de sal la estalactita
y de una cucharada el dios inmenso.

Lo que antes me enseñó lo guardo! Es aire,
incesante viento, agua y arena.

Parece poco para el hombre joven
que aquí llegó a vivir con sus incendios,
y sin embargo el pulso que subía
y bajaba a su abismo,
el frío del azul que crepitaba,
el desmoronamiento de la estrella,
el tierno desplegarse de la ola
despilfarrando nieve con la espuma,
el poder quieto, allí, determinado
como un trono de piedra en lo profundo,
substituyó el recinto en que crecían
tristeza terca, amontonando olvido,
y cambió bruscamente mi existencia:
di mi adhesión al puro movimiento.

 

Pablo Neruda

Poemas del Alma


publicado por Jorge Soares às 07:00
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

A todos os pais no seu dia

Para os pais no seu dia

 

O Pai

 
Terra de semente inculta e bravia, 
terra onde não há esteiros ou caminhos, 
sob o sol minha vida se alonga e estremece. 
 
Pai, nada podem teus olhos doces, 
como nada puderam as estrelas 
que me abrasam os olhos e as faces. 
 
Escureceu-me a vista o mal de amor 
e na doce fonte do meu sonho 
outra fonte tremida se reflecte. 
 
Depois... Pergunta a Deus porque me deram 
o que me deram e porque depois 
conheci a solidão do céu e da terra. 
 
Olha, minha juventude foi um puro 
botão que ficou por rebentar e perde 
a sua doçura de seiva e de sangue. 
 
O sol que cai e cai eternamente 
cansou-se de a beijar... E o outono. 
Pai, nada podem teus olhos doces. 
 
Escutarei de noite as tuas palavras: 
... menino, meu menino... 
 
E na noite imensa 
com as feridas de ambos seguirei. 
 
Pablo Neruda, in "Crepusculário" 
 
Um poema de Pablo Neruda para todos os pais.

 


publicado por Jorge Soares às 19:53
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