Terça-feira, 13 de Maio de 2014

Detalhes da Primavera - Maria Papoila

Papoila

 

 

Maria Papoila

 

Sem saudades na lembrança
eu disse adeus à terrinha e mais ao lar
ai! ai! ai!

 

Levo na alma a luz da esperança
e fé em Deus parto a rir e a cantar
ai! ai! ai!

 

Despedi-me das ovelhas
do meu cão, das casas velhas do lugar onde nasci
ai! ai! ai!

 

Não me importo de ir à toa
que o meu sonho é ver Lisboa
mais o mar que eu nunca vi

 

Adeus, ó terra
adeus linda serra
de neve a brilhar
Adeus, aldeia
que eu levo na ideia
não mais cá voltar

 

Diz que a sorte das pessoas, sempre ouvi
vem do nome que elas têm
ai! ai! ai!


Coisas más ou coisas boas, vem daí
e comigo calha bem
ai! ai! ai!


Eu no monte era Papoila
mesmo a graça da moçoila
que no campo anda a lidar
ai! ai! ai!

 

Mas o nome bem dizia
como sou também Maria
tinha que ir p´ró pé do mar

 

Setúbal, Maio de 2010

Jorge Soares


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Sábado, 12 de Abril de 2014

Recordando outras Pascoas 1

Recordando outras pascoas

 

 

Algarve, Março de 2013

Jorge Soares


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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

A realidade não precisa de mim

Os dias da Primavera

 

 

 

Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 

 

Recordações de uma Primavera menos Chuvosa, 

Algures em Arraiolos, Março de 2013

Jorge Soares

 


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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

Um cheirinho a Primavera em Setúbal 2

Papoila

 

 

Ainda não tem as cores vivas das que vão invadir o sopé da serra lá mais para daqui a um mês ou dois, mas é a primeira e é linda

 

Setúbal, Janeiro de 2014

Jorge Soares


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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Recordações de Abril

Papoila

Papoila

Papoila

 

Foi há três anos, ela floriu a 25 de Abril no meio da calçada... pequenina, mas muito bonita.

 

25 de Abril sempre

Jorge Soares


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Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

No intervalo da Chuva

Papoila

Papoila

Papoila

 

Papoilas no Algarve, apanhadas no intervalo entre duas chuvadas.

 

Castro Marim, Algarve

Março de 2013

Jorge Soares


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Sábado, 19 de Janeiro de 2013

Abril Murchou

Abril murchou

 

Abril Murchou

 

 

Quando os sonhos já não te acordam a sorrir
Que luas te anoitecem, que nuvens te escurecem,
Que ventos e que chuvas ainda estão para vir?...
Muitos dias passaram depois do adeus,
Em que vila morena é que o povo ordena,
Quem ficou a sonhar os sonhos que eram teus?

 

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada
A planta onde surgia um lugar melhor?
Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,
Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

 

E quando te dás conta já tudo caiu,
Que luta continua, que morte sai á rua,
E em que primeiro dia o Maio amadurece Abril?
E se uns impérios caem que outros vão surgir,
“Que trovas vão avante?”, pergunto ao vento errante,
Se mudam os tempos a vontade é de fugir...

 

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada
A planta onde surgia um lugar melhor?
Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,
Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

 

 

Miguel Calhaz

 

 

 

 

 

 

 

Uma papoila colhida algures na berma de uma estrada

Setúbal, Março de 2012

Jorge Soares


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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Sentimento

Papoila

 

Tenho tanto sentimento

 

Tenho tanto sentimento 
Que é frequente persuadir-me 
De que sou sentimental, 
Mas reconheço, ao medir-me, 
Que tudo isso é pensamento, 
Que não senti afinal. 

Temos, todos que vivemos, 
Uma vida que é vivida 
E outra vida que é pensada, 
E a única vida que temos 
É essa que é dividida 
Entre a verdadeira e a errada. 

Qual porém é a verdadeira 
E qual errada, ninguém 
Nos saberá explicar; 
E vivemos de maneira 
Que a vida que a gente tem 
É a que tem que pensar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

Uma papoila no Jardim Zoológico de Lisboa

Maio de 2012

Jorge Soares


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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Era uma vez um país

Papoila

 

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas

lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
(…)

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração

(…)

 

Ary dos Santos

 

25 de Abril sempre


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Sexta-feira, 16 de Março de 2012

A primeira Papoila

Papoila

 

A falta de chuva é notória por estes lados, nos outros anos por esta altura já os campos do sopé da serra estavam tingido do vermelho das papoilas, do amarelo dos pampilhos e de todas as outras cores do inicio da Primavera..este ano os campos estão mais ou menos como estavam em fins de Setembro, amarelos, secos..sem vida.

 

No fim de semana num dos meus passeios pelo sopé da serra, encontrei esta... a única até agora.. cheira-me que esta primavera vai trazer menos colorido a este blog.

 

Setúbal

Março de 2012

Jorge Soares


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Sábado, 9 de Abril de 2011

Detalhes de Abril

Flor

Flores

Figo

Flor

Detalhes da Primavera, papoila

 

A primavera vai-se mostrando, detalhes de Abril.. do ano passado.

Setúbal, Abril de 2010

Jorge Soares


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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Caminhos

Caminho

 

À porta da minha rua, passam-se passos passajados. É o tráfego das linhas na encruzilhada do peão. De vez em quando, oiço um desvio. É um criança que cresce no desvario do pião.

 

Ai, menino, quem me dera que fosses a certeza deste íngreme caminho!

 

Lídia Silva

 

Setúbal, Abril de 2010

Jorge Soares


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Terça-feira, 20 de Julho de 2010

A felicidade das pequenas coisas

 

 

A felicidade das pequenas coisas

 

Que felicidade 
Acordar e ver a cor do céu! 
Tomar um banho com sabão 
Beber um café fumegando 
Abrir o trinco da porta 
E sair em passeio 
Levando um caderno e um livro. 
Sentar na esplanada da praça 
E ver as crianças brincando. 
Dar migalhas aos pombos na palma da mão 
E ficar em sustida alegria sorrindo 
Quando um pardal se afoita em sentar-se à mesa. 
Que felicidade 
Olhar o céu e desenhar com os olhos 
Paisagens de nuvens coloridas! 
Ver os barcos que levam saudades vagarosas 
No azul do rio que se lança no abraço do oceano 
Que bom o aroma 
Dos ramos das floristas mergulhados nos baldes de zinco 
Florindo as esquinas de arco-íris! 
Convidando quem passa em solidário aroma, 
Que bom o pão fresco na padaria 
Onde se derrete a manteiga! 
Que delicia inigualável a do leite das manhãs! 
Entrar em casa, pisar o tapete 
E ao rodar da chave a saudação 
Dos pipilos dos pássaros contentes! 
Escutar uma canção enquanto se inventa o almoço 
Escutar as notícias e saber de toda a gente 
Por vezes com lágrimas, por vezes com sorrisos.... 
E abrir uma janela de magia 
Aonde o mundo se reúne em diálogo 
Num ponto de encontro chamado Amizade!

 

MARIA PETRONILHO

Retirado de aqui

 

Pequena papoila vermelha que nasceu por entre as pedras da calçada

Setúbal

Abril de 2010

Jorge Soares


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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

As cores das papoilas

Papoila Laranja

Papoila Vermelha

A Cor das papoilas

Papoila cor de rosa suave

As cores das Papoilas, Laranja suave

As cores das papoilas, vermelho

 

E ainda não foi este ano que consegui passar  pelas Dunas de Tróia com a máquina quando florescem as papoilas brancas que só encontrei lá.

 

Todas estas foram colhidas nos campos aqui à volta de minha casa, um ramalhete de cores e tons, .. a natureza em todo o seu explendor.

 

Setúbal

Abril de 2010

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 18:48
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Terça-feira, 11 de Maio de 2010

Detalhes de uma papoila vermelha

Papoila vermelha

Detalhes de uma papoila

 

Setúbal, Abril de 2010

Jorge Soares


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Domingo, 2 de Maio de 2010

Papoila vermelha entre as pedras da calçada

Papoila nas pedras da calçada

Papoila nas pedras da calçada

Papoila nas pedras da calçada

Papoila vermelha entre as pedras da calçada

 

As ultimas chuvas do mês de Abril deixaram-nos esta bela surpresa, uma papoila muito pequenina e muito vermelha que nasceu entre as pedras da calçada.

 

Setúbal, Abril de 2010

Jorge Soares


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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Sim, talvez tenham razão

 

 

Sim, talvez tenham razão.
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more,
Mas essa coisa oculta é a mesma
Que a coisa sem ser oculta.

Na planta, na árvore, na flor
(Em tudo que vive sem fala
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência),
No bosque que não é árvores mas bosque,
Total das árvores sem soma,
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro
Que lhes dá a vida;
Que floresce com o florescer deles
E é verde no seu verdor.

No animal e no homem entra.
Vive por fora por dentro
É um já dentro por fora,
Dizem os filósofos que isto é a alma
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem
Da maneira como existe.

E penso que talvez haja entes
Em que as duas coisas coincidam
E tenham o mesmo tamanho.

E que estes entes serão os deuses,
Que existem porque assim é que completamente se existe,
Que não morrem porque são iguais a si mesmos,
Que podem mentir porque não têm divisão [?]
Entre quem são e quem são,
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam
Porque o que é perfeito não precisa de nada.

 

Alberto Caeiro

 

Pequena papoila que cresceu entre as pedras da calçada portuguesa

Setúbal Abril de 2010

Jorge Soares


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Domingo, 25 de Abril de 2010

25 de Abril sempre

A formiga no carreiro

 

 

A formiga no carreiro
Vinha em sentido cantrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas àguas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas

Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
Zeca Afonso
Acreditem ou não, eu não tenho uma única fotografia de cravos.
Setúbal, Abril de 2010
25 de Abril sempre
Jorge Soares

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Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

A Primavera cheia de cor.. papoilas vermelhas

Papoila vermelha

Papoila Vermelha

Papoila vermelha

Papoila, Vermelha,

Papoila vermelha

 

Ontem esteve um belo dia de sol em Setúbal, ao fim da tarde choveu, mas durante a manhã deu para o meu passeio matinal aqui à volta.... o campo estava cheio delas, de um vermelho forte... a Primavera em todo o seu esplendor.

 

Papoilas Vermelhas

Setúbal, Abril de 2010

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 10:40
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Domingo, 11 de Abril de 2010

A minha papoila

A papoila do Fernando Nobre, é minha

 

Parece que nos próximos tempos vamos ver esta fotografia muitas vezes.... pena que as pessoas utilizem a politica do facto consumado e não se deem ao trabalho de falar antes com o autor.

 

É claro que me sinto orgulhoso, é claro que cederia a fotografia de qualquer modo, eu sei que o disclaimer no blog autoriza a utilização das fotografias, mas ficaria bem a um candidato eleitoral falar com o autor da fotografia antes de a utilizar.

 

Jorge Soares


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Domingo, 14 de Março de 2010

Um cheirinho a Primavera

Flor lilás

Papoila vermelha

Flores lilás

Flor de trevo e borboleta da couve

Flores amarelas 

 

O sol continua envergonhado e o frio ainda assenta arraiais, mas pouco a pouco a Primavera vai dando um ar da sua graça

 

Setúbal, Março de 2010

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 19:56
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Ainda a papoila de Natal

A papoila de Dezembro

A Papoila

A papoila de natal

Ainda a papoila 

Setúbal, Jardim da Algodeia

Dezembro de 2009


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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Fora de tempo... há tesouros no Inverno

Papoilas em Dezembro

 

Fora de tempo pôs-se o sol 

e a lua fora de tempo também 

fora de tempo nasceram dois 

filhos da mesma mãe

 

Fora de tempo brotaram da terra 

flores e espinhos também 

fora de tempo ficaram longe 

mais longe do que convém

 

Fora de tempo o que era quente 

gelou até matar tudo 

se um cantava no silêncio 

fora de tempo ouviu-se um grito mudo

 

O tempo também se engana 

nas casas onde mora 

o mau tempo que faz dentro 

nem sempre é tão bom de fora

 

Fora de tempo o que era água 

teimou em ser areal 

fora de tempo já se notava 

que um vê bem e o outro mal

 

Fora de tempo tudo voltou 

ao tempo que era atrás 

e dentro do tempo um partiu mais cedo 

e o outro ficou para amar 

 

Luis Represas

 

Sabemos que estamos a ter um inverno atípico quando a meio de Dezembro vamos ao Jardim e por entre as ervas daninhas encontramos uma papoila vermelha e bem viçosa.

 

Jardim da Algodeia, Setúbal

Dezembro de 2009

Jorge Soares


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Sábado, 23 de Maio de 2009

De tarde

 Papoila

 

De tarde

 

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico,
um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

 

Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde, Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses, 1995

 

Obrigado Otilia

 

Num dia de chuva em Setúbal, uma papoila molhada.

Setúbal, Maio de 2009


publicado por Jorge Soares às 22:16
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Domingo, 10 de Maio de 2009

Em tempos havia lá

Em tempos havia lá .... papoilas

 

 

Em tempos, havia lá...

 

Ai, quem me dera correr para lá. E chegar! Depois, rebolava e ria à gargalhada. Calava-me. Para ouvir os piscos a voar. E invejar-lhes a beleza da cor. A magia da voz. A afinação dos trinados na frescura da tarde. Tão tarde! O domínio apenas existe no nevoeiro da minha visão. Sobram vulcões de urbanidade de alicerces construídos. Os piscos aborrecem-se com os rumores das betoneiras.

 

Ai, quem me dera estar lá. E ficar! Saltitava de flor em flor. Escolhia-as pela cor. Sentava-me. Por estranhar efemeridade. E  abençoar-lhes a fragrância. O apego do caule. A verdade do viço na quietude da manhã. Tão cedo! Agora, as pétalas de cetim perduram pobremente no tacto dos meus dedos. Permanecem chãos de papoilas que eu matizo, se me importuno. Eu aborreço-me com os alvoroços dos jardins.

 

E agora que não estou. Eu sei! Sempre que chovia, eram as papoilas que me abrigavam. Na fragilidade das varetas. No agasalho do pano que olhava para a chuva. Para lhe descobrir o destino. A água esquecia-me e dirigia-se abundantemente para a raiz. Sustento. Eu apenas a honrava. Hoje enalteço-a.  Nua no desassossego quente do Sol. Está escuro e eu olho para lá. E percebo porque tanto gosto da chuva… e de guarda-chuvas vermelhos.

 

Texto By Paola, publicado no blog  Ponto de admiração


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