Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

A palidez do dia é levemente dourada.

Gerês

 

A palidez do dia é levemente dourada.

O sol de Inverno faz luzir como orvalho as curvas

                Dos troncos de ramos secos.

                O frio leve treme.

 

Desterrado da pátria antiquíssima da minha

Crença, consolado só por pensar nos deuses,

                Aqueço-me trémulo

                A outro sol do que este.

 

O sol que havia sobre o Parténon e a Acrópole

0 que alumiava os passos lentos e graves

                De Aristóteles falando.

                Mas Epicuro melhor

 

Me fala, com a sua cariciosa voz terrestre

Tendo para os deuses uma atitude também de deus,

                Sereno e vendo a vida

                À distância a que está.

 

Ricardo Reis


Gerês

Novembro de 2010

Jorge Soares


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Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Sei bem

Cais das colunas

 

Sei Bem que Nunca Serei Ninguém

 

Sim, sei bem 
Que nunca serei alguém. 
Sei de sobra 
Que nunca terei uma obra. 
Sei, enfim, 
Que nunca saberei de mim. 
Sim, mas agora, 
Enquanto dura esta hora, 
Este luar, estes ramos, 
Esta paz em que estamos, 
Deixem-me crer 
O que nunca poderei ser. 

Ricardo Reis, in "Odes" 

 

Cais das colunas, Lisboa

Janeior de 2012

Jorge Soares


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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Dias de Outono

Dias de Outono

 

No Ciclo Eterno

No ciclo eterno das mudáveis coisas 
Novo inverno após novo outono volve 
À diferente terra 
Com a mesma maneira. 
Porém a mim nem me acha diferente 
Nem diferente deixa-me, fechado 
Na clausura maligna 
Da índole indecisa. 
Presa da pálida fatalidade 
De não mudar-me, me infiel renovo 
Aos propósitos mudos 
Morituros e infindos.

 

 

Ricardo Reis 

 

 

Fim de uma tarde de Outono na Serra da Arrábida

Setúbal, Novembro de 2011

Jorge Soares


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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Ninguém Vê o Deus que Conhece

Borboleta

 

Ninguém, na vasta selva virgem 
Do mundo inumerável, finalmente 
Vê o Deus que conhece. 
Só o que a brisa traz se ouve na brisa 
O que pensamos, seja amor ou deuses, 
Passa, porque passamos. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Não cheguei a perceber se é mesmo assim ou estava maltratada, andava junto à praia no Parque Urbano de Albarquel, havia imensa gente à volta e crianças a correr... assutou-se e só deu mesmo para esta...

 

Setúbal


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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Aguardo, Equânime, o que não Conheço

Aguardo, Equânime, o que não Conheço

 

Aguardo, equânime, o que não conheço — 
Meu futuro e o de tudo. 
No fim tudo será silêncio, salvo 
Onde o mar banhar nada. 

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

A ponte Vasco da Gama, o Tejo e o Céu de Lisboa

Parque das Nações,

Novembro de 2010

Jorge Soares

 


21 de Nov de 2010, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 200, Exposição: 1/320 seg., Abert.: 8.0, Ext.: 18mm, Flash: Não


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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

Somos donos do nosso destino

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre

 

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,

E deseja o destino que deseja; 
Nem cumpre o que deseja, 
Nem deseja o que cumpre. 
Como as pedras na orla dos canteiros 
O Fado nos dispõe, e ali ficamos; 
Que a Sorte nos fez postos 
Onde houvemos de sê-lo. 
Não tenhamos melhor conhecimento 
Do que nos coube que de que nos coube. 
Cumpramos o que somos. 
Nada mais nos é dado. 

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Somos o que vivemos...

 

Algures numa praia de Portugal

Outubro de 2010

Jorge Soares


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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

O tempo passa, não nos diz nada

Fim de tarde em Mérida, a cegonha e o relógio

 

O tempo passa, 
Não nos diz nada. 
Envelhecemos. 
Saibamos, quase 
Maliciosos, 
Sentir-nos ir. 

Não vale a pena 
Fazer um gesto. 
Não se resiste 
Ao deus atroz 
Que os próprios filhos 
Devora sempre. 

Colhamos flores. 
Molhemos leves 
As nossas mãos 
Nos rios calmos, 
Para aprendermos 
Calma também. 

Girassóis sempre 
Fitando o sol, 
Da vida iremos 
Tranqüilos, tendo 
Nem o remorso 
De ter vivido.

 

Ricardo Reis, in "Odes"

 

Fim de tarde em Mérida, Espanha

Agosto de 2010

Jorge Soares


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Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Sei Bem que Nunca Serei Ninguém

 

 

Sei Bem que Nunca Serei Ninguém

 

Sim, sei bem 
Que nunca serei alguém. 
Sei de sobra 
Que nunca terei uma obra. 
Sei, enfim, 
Que nunca saberei de mim. 
Sim, mas agora, 
Enquanto dura esta hora, 
Este luar, estes ramos, 
Esta paz em que estamos, 
Deixem-me crer 
O que nunca poderei ser. 

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

A rola observa o pôr do Sol em Montargil

Alentejo

Junho de 2010

Jorge Soares


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Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Uma após uma as ondas apressadas

Uma após uma as ondas

 

 

Uma Após Uma


Uma após uma as ondas apressadas

Enrolam o seu verde movimento

E chiam a alva 'spuma

No moreno das praias.

Uma após uma as nuvens vagarosas

Rasgam o seu redondo movimento

E o sol aquece o 'spaço

Do ar entre as nuvens 'scassas.

Indiferente a mim e eu a ela,

A natureza deste dia calmo

Furta pouco ao meu senso

De se esvair o tempo.

Só uma vaga pena inconseqüente

Pára um momento à porta da minha alma

E após fitar-me um pouco

Passa, a sorrir de nada.

 

Ricardo Reis

 

Praia do Malhão, Vila Nova de Mil Fontes

Junho de 2009

Jorge Soares


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Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Desejo

Dente de leão...desejo

 

 

Não desejemos, Lídia, nesta hora

 

 Ténue, como se de Éolo a esquecessem, 

A brisa da manhã titila o campo, 
E há começo do sol. 
Não desejemos, Lídia, nesta hora 
Mais sol do que ela, nem mais alta brisa 
Que a que é pequena e existe. 

 

Ricardo Reis, In Odes

 

 

Carrigaline, Irlanda

Abril de 2009

Jorge Soares


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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

O nosso Outono

Folhas do Outono

 

Quando, Lídia, vier o nosso outono

Com o inverno que há nele, reservemos

Um pensamento, não para a futura

Primavera, que é de outrem,

Nem para o estio, de quem somos mortos,

Senão para o que fica do que passa

O amarelo atual que as folhas vivem

E as torna diferentes.

 

Ricardo Reis - Odes De Ricardo Reis

 

Num dia de chuva em Setúbal

Jorge Soares

 

Nov 29, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 200, Exposição: 1/640 seg., Abertura: 6.3, Extensão focal: 80mm


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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Uma pétala perdida

 Pétalas perdidas

 

 

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,

E deseja o destino que deseja;

Nem cumpre o que deseja,

Nem deseja o que cumpre.

 

Como as pedras na orla dos canteiros

O Fado nos dispõe, e ali ficamos;

Que a Sorte nos fez postos

Onde houvemos de sê-lo.

 

Não tenhamos melhor conhecimento

Do que nos coube que de que nos coube.

Cumpramos o que somos.

Nada mais nos é dado.

 

Ricardo Reis

 

A vida é assim, beleza que se perde por entre os espinhos...dos que mais tarde ou mais cedo voltará a sair vida....coisas do destino.

 

Ainda as rosas do quintal da minha mãe

Alviães,Palmaz,Oliveira de Azeméis, Aveiro

 

Jorge Soares

 

 

Oct 11, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/640 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 200mm

 

 


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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

A Flor que És

Flor de catus

 

 

A flor que és, não a que dás, eu quero.

Porque me negas o que te não peço.
Tempo há para negares
Depois de teres dado. 
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perene
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste. 


Ricardo Reis

 

Num dos meus passeios do fim de tarde pela arrábida, a luz já era pouca mas a flor era muito bonita

 

Arrábida, Setúbal, Junho de 2009

 

Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 100,Exposição: 1/250 seg.,Abertura: 5.6,Extensão focal: 70mm

 


publicado por Jorge Soares às 07:59
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.

Vem sentar-te comigo Lidia.. à beira Rio - Fernando Pessoa

 


Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e nao estamos de maos enlaçadas.
                  (Enlacemos as maos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e nao fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                  Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as maos, porque nao vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                  E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixoes que levantam a voz,
Nem invejas que dao movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
                   Pagaos inocentes da decadencia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as maos, nem nos beijamos
                    Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
                    Pagã triste e com flores no regaço.

                                           Ricardo Reis

Fotografia tirada em Crosheaven, Irlanda, no passeio frente ao rio estava este banco original, não resisti... assim como não resisti ao poema do Fernando Pessoa.... 

Jorge Soares

 


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