Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Eu não tenho gato

Eu não tenho gato

 

Quem há-de abrir a porta ao gato 
quando eu morrer? 

Sempre que pode 
foge prá rua, 
cheira o passeio 
e volta pra trás, 
mas ao defrontar-se com a porta fechada 
(pobre do gato!) 
mia com raiva 
desesperada. 
Deixo-o sofrer 
que o sofrimento tem sua paga, 
e ele bem sabe.

Quando abro a porta corre pra mim 
como acorre a mulher aos braços do amante. 
Pego-lhe ao colo e acaricio-o 
num gesto lento, 
vagarosamente, 
do alto da cabeça até ao fim da cauda. 
Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos, 
olhos semi-cerrados, em êxtase, 
ronronando. 

Repito a festa, 
vagarosamente. 
do alto da cabeça até ao fim da cauda. 
Ele aperta as maxilas, 
cerra os olhos, 
abre as narinas. 
e rosna. 
Rosna, deliquescente, 
abraça-me 
e adormece. 

Eu não tenho gato, mas se o tivesse 
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?


António Gedeão

 

Sortelha, Dezembro de 2013

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 08:46
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

 

Sortelha

Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 20:47
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013

O bom caminho

Caminho

 

O bom do caminho 
é haver volta.
Para ida sem vinda, 
basta o tempo.


Mia Couto


A pedra das muralhas

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares



publicado por Jorge Soares às 21:20
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Eu gosto de gatos ....

O gato

 

Já aqui disse que gosto de gatos?.. pois é, eu gosto de gatos... e por norma eles gostam de mim.

 

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares

 


publicado por Jorge Soares às 00:03
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

A porta do tempo

Olhar para trás

 

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

 

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

Conhecer Portugal - Sortelha 4

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

 

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 21:28
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013

Conhecer Portugal - Sortelha 3

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Conhecer Portugal, Sortelha

 

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Domingo, 20 de Janeiro de 2013

Conhecer Portugal: Castelo de Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Castelo de Sortelha

Castelo de Sortelha

 

O Castelo de Sortelha

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013

Sortelha

Sortelha

 

 

Sortelha é uma freguesia portuguesa do concelho do Sabugal, com 43,27 km² de área e 579 habitantes (2001). Densidade: 13,4 hab/km². Está incluída no Programa das Aldeias Históricas.

História

Foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855. Era constituída pelas freguesias de Águas Belas, Urgueira, Bendada, Casteleiro, Malcata, Moita, Pena Lobo, Santo Estêvão, Sortelha e Valverdinho. Tinha, em 1801, 4.096 habitantes em 237 km². Após as reformas administrativas do início do liberalismo foram-lhe anexadas as freguesias de Lomba e Pousafoles do Bispo. Tinha, em 1849, 6.022 habitantes em 261 km².

 

É hoje uma das aldeias históricas de Portugal. Uma visita a Sortelha só nos pode fazer pensar que regressámos no tempo e parámos na história. Encontramos aqui uma das mais bonitas aldeias de Portugal, escondida e protegida nas imponentes muralhas do seu Castelo. As casas tradicionais, foram meticulosamente recuperadas e permitem ao visitante percorrer as suas ruas sinuosas e aventurar-se, qual conquistador, pelas muralhas do Castelo.

Castelo de Sortelha

A 760 metros de altitude, ergue-se o Castelo de Sortelha, mandado construir por D. Sancho I. Após ter sofrido vários tremores de terra, esta fortaleza foi restaurada nos reinados de D. Dinis, D. Fernando e D. Manuel. Sortelha ainda se conserva rodeada de fortes muralhas circulares, que se estendem pelos declives naturais. Destaca-se o recinto da cidadela no cimo de um penhasco mais elevado, com a torre de menagem quadrada ao centro. Daqui abarca-se um amplo horizonte em que se distingue a Serra da Malcata e a linha final da Serra da Estrela.

Outros pontos de interesse

Além do Castelo, são notáveis: a igreja matriz do século XIV, dedicada à Virgem das Neves, com tecto mudéjar e talha barroca; um conjunto de sepulturas medievais escavadas na rocha, a torre de menagem, o pelourinho manuelino; e os afloramentos ciclópicos, conhecidos como "Pedra do Beijo" e "Cabeça da Velha", dois penedos graníticos com formas curiosas. Mas sobressaem, acima de tudo, as imponentes muralhas que circundam a antiga vila. Vale a pena visitar as lojas de artesanato e velharias.

 

Fonte : Memória Portuguesa 

 

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 10:59
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013

Conhecer Portugal - Sortelha 2

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

 

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 20:32
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despida

Despido

 

Uma árvore despida
Perdida num recanto
De um paraíso perdido
Num mundo por inventar
Num mundo por colorir!

Seus braços parados
Sem força para balancear
Seus frutos há muito que
Partiram e a deixaram na
Solidão do ser, do querer.

O seu troco hirto
Mantém de pé um sonho
Perdido, há muito esquecido
Nos ramos sofridos,
Pela solidão da dor…
Uma árvore morre ..
Sempre de pé! !!!


Tulipa

Retirado de Jardins proibidos 

 

Uma velha árvore nas suas ropuagens de inverno

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 14:45
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2013

Conhecer Portugal - Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

Sortelha

 

Aldeia da Sortelha

Sabugal, Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 21:25
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Recantos

 

 

 

Quando eu fugir, na ponta duma lança,
Deste albergue noturno, em que me vês.
Não sei que sonho vão, nem que esperança
Vaga de abrir os olhos outra vez..
 
Porque a esperança doce, de criança,
D’inda os poder abrir na placidez
Duma nuança mansa que não cansa,
Lá, para além dos astros, lá, talvez?
 
Há de ser ao cair do sol. Ereto,
Tal como sou, rudíssimo de aspecto,
Mas tão humilde, e teu, e se te apraz,
 
Eu te verei entrar, suave sono,
Nesse veludos pálidos de Outono,
Ó Beatitude! Angelitude! Paz!

 

David Emiliano Perneta



Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Sábado, 12 de Janeiro de 2013

Sortelha - A porta

Sortelha

 

Verdade 

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

Sortelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

A ver o mundo

A olhar para o mundo

 

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…
Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos”

 

Sotelha, Sabugal

Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 10:48
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

A arte de ser feliz

Árvore

 

A arte de ser feliz


Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

 

Cecília Meireles


Sortelha, Sabugal 

Dezembro de 2012

Jorge Soares


publicado por Jorge Soares às 14:52
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