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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

O paraiso é por ali

O paraiso é por ali, Parque Terranostra, Furnas, São Miguel, Açores

 

 O paraíso é por ali. eu vou por aqui. aprendi que afinal há paraísos.

não há paraísos.
aprendi a dizer que não há.
há. 

é profunda a verdade. tão verdade que não há mentira.
ninguém mente.
tanto como o paraíso.

o paraíso é a palavra mais mentirosa do universo.

como a verdade. dimensional. metafórica. onda de abuso na violência da palavra - verdade. que não existe como forma. fórmula que os idiotas usam para esconder a cara.
afogam-se nela. triunfantes.
a maçã não existe.
articulo a palavra. abro as vogais. fecho o medo.
a verdade não existe. impetuosa. chata. segura. com efeito, não creio.
vamos lá ver o paraíso. eva. adão. não.
dê-me um gin-tónico.

Bandida. (Incluído no seu livro Apoplexia, pág.78)

 

O Paraiso é algures por ali, Parque Terra Nostra, Furnas, Povoação, São Miguel, Açores

Agosto de 2008

 

Câmara: SONY  DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/80 seg., Abertura: 10.0 Extensão focal: 18mm
 

Pus o meu sonho num navio

 Barcos no Rio Judeu

 

Pus o meu sonho num navio 

e o navio em cima do mar; 
- depois, abri o mar com as mãos, 
para o meu sonho naufragar 

Minhas mãos ainda estão molhadas 
do azul das ondas entreabertas, 
e a cor que escorre de meus dedos 
colore as areias desertas. 

O vento vem vindo de longe, 
a noite se curva de frio; 
debaixo da água vai morrendo 
meu sonho, dentro de um navio... 

Chorarei quanto for preciso, 
para fazer com que o mar cresça, 
e o meu navio chegue ao fundo 
e o meu sonho desapareça. 

Depois, tudo estará perfeito; 
praia lisa, águas ordenadas, 
meus olhos secos como pedras 
e as minhas duas mãos quebradas.

 

Cecília Meireles

 

Fim de tarde no Rio Judeu, Seixal

Outubro de 2008

Jorge

PS:Obrigado Flor

O Silêncio

O silêncio da nossa companhia

 

 O Silêncio

 

 

Quando a ternura 
parece já do seu ofício fatigada, 

e o sono, a mais incerta barca, 
inda demora, 

quando azuis irrompem 
os teus olhos 

e procuram 
nos meus navegação segura, 

é que eu te falo das palavras 
desamparadas e desertas, 

pelo silêncio fascinadas. 

 

Eugénio de Andrade

 

Fotografia tirada  no Parque das nações, Lisboa

Agosto de 2008

Último Soneto

Rosas

Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...

E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...

                      Mário de Sá-Carneiro

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