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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Ao desconcerto do Mundo

Torre de vigia, Castelo do queijo, Porto 

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões

Castelo do queijo
Porto, Agosto de 2009

Jorge Soares
Aug 3, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/125 seg., Abertura: 13.0, Extensão focal: 30mm

 

A esperança que pouco alcança!

Esperança 

O Andaime

 

O tempo que eu hei sonhado 
Quantos anos foi de vida! 
Ah, quanto do meu passado 
Foi só a vida mentida 
De um futuro imaginado! 

Aqui à beira do rio 
Sossego sem ter razão. 
Este seu correr vazio 
Figura, anônimo e frio, 
A vida vivida em vão. 

A ‘sp’rança que pouco alcança! 
Que desejo vale o ensejo? 
E uma bola de criança 
Sobre mais que minha ‘s’prança, 
Rola mais que o meu desejo. 

Ondas do rio, tão leves 
Que não sois ondas sequer, 
Horas, dias, anos, breves 
Passam — verduras ou neves 
Que o mesmo sol faz morrer. 

Gastei tudo que não tinha. 
Sou mais velho do que sou. 
A ilusão, que me mantinha, 
Só no palco era rainha: 
Despiu-se, e o reino acabou. 

Leve som das águas lentas, 
Gulosas da margem ida, 
Que lembranças sonolentas 
De esperanças nevoentas! 
Que sonhos o sonho e a vida! 

Que fiz de mim? Encontrei-me 
Quando estava já perdido. 
Impaciente deixei-me 
Como a um louco que teime 
No que lhe foi desmentido. 

Som morto das águas mansas 
Que correm por ter que ser, 
Leva não só lembranças — 
Mortas, porque hão de morrer. 

Sou já o morto futuro. 
Só um sonho me liga a mim — 
O sonho atrasado e obscuro 
Do que eu devera ser — muro 
Do meu deserto jardim. 

Ondas passadas, levai-me 
Para o alvido do mar! 
Ao que não serei legai-me, 
Que cerquei com um andaime 
A casa por fabricar. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

Troia, Setúbal

Junho de 2009

Jorge Soares

 

Jun 14, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/800 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 200mm

Quando estou só reconheço que existo entre outros que são como eu sós

Solidão 

 

 

Quando estou só reconheço

Se por momentos me esqueço

Que existo entre outros que são

Como eu sós, salvo que estão

Alheados desde o começo.

 

E se sinto quanto estou

Verdadeiramente só,

Sinto-me livre mas triste.

Vou livre para onde vou,

Mas onde vou nada existe.

 

Creio contudo que a vida

Devidamente entendida

É toda assim, toda assim.

Por isso passo por mim

Como por coisa esquecida.

 

9-8-1931

 

Fernando Pessoa

 
Praia do Bico das Lulas, Troia, Setúbal
Novembro de 2008
Jorge Soares
 
Nov 23, 2008, Câmara: SONY , Modelo: DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/400 seg., Abertura: 8.0, Extensão focal: 200mm

 

Azul Profundo

De azul profundo! 

Em frente ao prédio há uma rotunda, bom, uma pequena rotunda, tem no máximo 2 metros de raio, no centro está o arbusto que dá estas flores, não sei porquê, mas tem flores o ano inteiro, e cada vez que lá passo e levo a máquina na mão, não resisto, devo ter umas dezenas largas destas florezinhas... que basicamente são todas iguais, varia um pouco o tom do azul, estão sozinhas como esta, aos pares ou em cachos, mas são sempre assim... mas eu não resisto mesmo..

 

Gosto especialmente do ponto amarelo no centro e daquela parte castanha bem no centro do amarelo,  .... o contraste entre o azul profundo e o amarelo é fantástico.

 

A vantagem de lá passar muitas vezes é que vou aperfeiçoando a técnica, passei do automático para o modo macro e finalmente para o manual, a minha máquina com a lente de 200 no máximo, dá uma abertura de 5.3, utilizando o modo o manual com a abertura 6.3, consigo ter focado ao mesmo tempo o centro e a parte exterior da pequena flor, é claro que fica menos esbatido por trás, coisa que podia resolver com um qualquer software... coisa que não faço.

 

Nenhuma das minhas fotografias passou pelo Fotoshop ou por qualquer um dos seus concorrentes, o que vêem aqui e tirando pequenos acertos que faço com o picasa, é o que a máquina viu...

 

Jorge Soares

Setúbal, Outubro de 2009

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