Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

A porta da verdade ...

A Porta da verdade

 

 

VERDADE

                                                  

A porta da verdade estava aberta,

mas só deixava passar

meia pessoa de cada vez.

 

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava

só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade

voltava igualmente com meio perfil.

E os meios perfis não coincidiam.

 

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.

Chegaram ao lugar luminoso

onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em metades

diferentes uma da outra.

 

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

Nenhuma das duas era totalmente bela.

E carecia optar. Cada um optou conforme

seu capricho, sua ilusão, sua miopia

 

Carlos Drummond de Andrade 

 

Setúbal, Dezembro de 2009

Jorge Soares

 

 

 

13 de Dez de 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/320 seg., Abertura: 10.0 Extensão focal: 20mm

Timidez

Ganso no jardim do Bonfim

 

 

Timidez 

 

Basta-me um pequeno gesto,

feito de longe e de leve,

para que venhas comigo

e eu para sempre te leve...

 

- mas só esse eu não farei.

 

Uma palavra caída

das montanhas dos instantes

desmancha todos os mares

e une as terras mais distantes...

 

- palavra que não direi.

 

Para que tu me adivinhes,

entre os ventos taciturnos,

apago meus pensamentos,

ponho vestidos noturnos,

 

- que amargamente inventei.

 

E, enquanto não me descobres,

os mundos vão navegando

nos ares certos do tempo,

até não se sabe quando...

 

e um dia me acabarei.

 

Cecília Meireles

 

 O Outono, as suas cores e os reflexos no lago.

Jardim do Bonfim, Setúbal

Novembro de 2009

Jorge Soares

 

 

Fora de tempo... há tesouros no Inverno

Papoilas em Dezembro

 

Fora de tempo pôs-se o sol 

e a lua fora de tempo também 

fora de tempo nasceram dois 

filhos da mesma mãe

 

Fora de tempo brotaram da terra 

flores e espinhos também 

fora de tempo ficaram longe 

mais longe do que convém

 

Fora de tempo o que era quente 

gelou até matar tudo 

se um cantava no silêncio 

fora de tempo ouviu-se um grito mudo

 

O tempo também se engana 

nas casas onde mora 

o mau tempo que faz dentro 

nem sempre é tão bom de fora

 

Fora de tempo o que era água 

teimou em ser areal 

fora de tempo já se notava 

que um vê bem e o outro mal

 

Fora de tempo tudo voltou 

ao tempo que era atrás 

e dentro do tempo um partiu mais cedo 

e o outro ficou para amar 

 

Luis Represas

 

Sabemos que estamos a ter um inverno atípico quando a meio de Dezembro vamos ao Jardim e por entre as ervas daninhas encontramos uma papoila vermelha e bem viçosa.

 

Jardim da Algodeia, Setúbal

Dezembro de 2009

Jorge Soares

Meninos do (meu) mundo

Menina do meu mundo 

 

Sou um menino,

Cheguei a um Mundo, perdido,

Perdido de espaços ao meu sonho.

 

Descobri rostos, que me queriam, sem saber o meu rosto

Quando eu estava perdido, despido do calor da infância.

Encontrei braços de ternura,

Que me enlaçaram de Amor.

Que me conduziram às estrelas.

 

Eles, que me encontraram,

Que me sonharam, sonhando o meu sonho,

Que me procuraram, para nos realizar.

 

Eles, que me amaram sem eu saber

Quando eu era um menino, num Mundo perdido.

Eles, que me resgataram à vida,

Correndo um Mundo por mim.

 

Eles, meu Pai- Sol

Minha Mãe- Lua

Que do céu me guardaram,

Antes mesmo dos seus braços me envolverem.

 

Correram o Mundo por um filho

E eu ganhei o Mundo pelas suas mãos…

 

Quando eu era apenas…

Um MENINO DO MUNDO!

 

Francisca Chixaro

 

Uma criança é uma criança em qualquer parte do Mundo!

 

Poeta Castrado, Não!

Parque Urbano do Rio Ul

 

 

 Poeta Castrado, Não!

 

Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo   dromedário

fogueira de exibição

teorema   corolário

poema de mão em mão

lãzudo   publicitário

malabarista   cabrão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado   não!

 

Os que entendem como eu

as linhas com que me escrevo

reconhecem o que é meu

em tudo quanto lhes devo:

ternura  como já disse

sempre que faço um poema;

saudade que   se partisse

me alagaria de pena;

e também uma alegria

uma coragem serena

em renegar a poesia

quando ela nos envenena.

 

Os que entendem como eu

a força que tem um verso

reconhecem o que é seu

quando lhes mostro o reverso:

 

Da fome já não se fala

--- é tão vulgar que nos cansa ---

mas que dizer de uma bala

num esqueleto de criança?

 

Do frio não reza a história

--- a morte é branda e letal ---

mas que dizer da memória

de uma bomba de napalm?

 

E o resto que pode ser

o poema dia a dia?

--- Um bisturi a crescer

nas coxas de uma judia;

um filho que vai nascer

parido por asfixia?!

--- Ah não me venham dizer

que é fonética a poesia!

 

Serei tudo o que disserem

por temor ou negação:

Demagogo   mau profeta

falso médico   ladrão

prostituta   proxeneta

espoleta   televisão.

Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado   não!

 

   José Carlos Ary dos Santos

 

Parque Urbano do Ro Ul

 

São João Da Madeira, Aveiro

Dezembro de 2008

Jorge Soares

O Ultimo Sortilégio

 Borboletas

 

Converta-me a minha última magia 
Numa estátua de mim em corpo vivo ! 
Mor4ra quem sou, mas quem me fiz e havia, 
Anônima presença que se beija, 
Carne do meu abstrato amor cativo, 
Seja a morte de mim em que revivo : 
E tal qual fui, não sendo nada, eu seja !"

 

Fernando Pessoa in O Ultimo Sortilégio

 

Num dos meus passeios por aqui à volta, num dia cinzento de Outono reparei neste par de bichinhos.

 

 

Setúbal, Novembro de 2009

Jorge Soares

Direitos de Autor
Nenhuma parte deste site pode ser reproduzida sem a prévia permissão do autor. Todas as fotografias estão protegidas pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março.
Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo e serão retiradas de imediato.

 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D