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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Eu e os (meus) detalhes

Detalhes da Primavera

Detalhes, malmequeres a duas cores

Detalhes, o caracol no malmequer

Espiga, detalhes da primavera

Detalhes

 

Sou por natureza tímido, as pessoas tímidas são por norma introspectivas, a mim a timidez fez-me desenvolver a imaginação, é difícil viver, mas é fácil imaginar, pensar em como seriam as coisas se eu tivesse valor para as enfrentar, viver e reviver na minha imaginação os momentos.. que afinal nunca se viverão.... ou que terão sempre uma saída na que nunca tinha pensado.... Com o tempo aprendemos a olhar os detalhes, porque é nos detalhes que está a diferença, observar o mundo com atenção, fará com que seja mais difícil sermos apanhados pelas curvas da vida. Gosto dos detalhes, porque é neles que está a beleza.. especialmente a beleza da natureza.

 

Bom feriado

Jorge Soares

O que é perfeito não precisa de nada

simplicidade azul

 

 

Sim, talvez tenham razão. 
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, 
Mas essa coisa oculta é a mesma 
Que a coisa sem ser oculta. 

Na planta, na árvore, na flor 
(Em tudo que vive sem fala 
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), 
No bosque que não é árvores mas bosque, 
Total das árvores sem soma, 
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro 
Que lhes dá a vida; 
Que floresce com o florescer deles 
E é verde no seu verdor. 

No animal e no homem entra. 
Vive por fora por dentro 
É um já dentro por fora, 
Dizem os filósofos que isto é a alma 
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem 
Da maneira como existe. 

E penso que talvez haja entes 
Em que as duas coisas coincidam 
E tenham o mesmo tamanho. 

E que estes entes serão os deuses, 
Que existem porque assim é que completamente se existe, 
Que não morrem porque são iguais a si mesmos, 
Que podem mentir porque não têm divisão [?] 
Entre quem são e quem são, 
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam 
Porque o que é perfeito não precisa de nada.

 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

 

Flor silvestre do sopé da Arrábida

Setúbal

Maio de 2010

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