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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Mérida, a ponte Romana

 

Ponte Romana, Mérida

Mérida, Ponte Romana

Mérida, Ponte Romana

Mérida, a Ponte Romana

Mérida, Ponte Romana

src="http://lh6.ggpht.com/_5l7NU0LdPt4/TMdnGQJBUBI/AAAAAAAAWF8/Xl5WubrA9tA/s800/DSC06706.JPG" alt="Mérida, estátua da Loba" />

 

Durante muito tempo esta era a ponte por onde passava tudo o que vinha ou ia de Madrid para a fronteira portuguesa, agora está encerrada ao transito e só se passa a pé ..e é longa que se farta.

 

Ponte Romana de Mérida

Agosto de 2010

Jorge Soares

Me gusta cuando callas, porque estas como ausente

Me gusta cuando callas porque estas como ausente.. rosa

 

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

 

Pablo Neruda

O Outono

Outono

 

Uma lâmina de ar

Atravessando as portas. Um arco,

Uma flecha cravada no Outono. E a canção

Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.

E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como

Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.

É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza

Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.

Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se

Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.

Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede

Cumprimenta o sol. Procura-se viver.

Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.

Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se

Como se, de repente, não houvesse mais nada senão

A imperiosa ordem de (se) amarem.

Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.

Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos. Não há um nome para a tua ausência. Há um muro

Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho

Que a minha boca recusa.

É outono A pouco e pouco despem-se as palavras.

 

Joaquim Pessoa

 

Jardim de Vanicelos, Setúbal

Outubro de 2010

Jorge Soares

A girafa e os palermas ...

A linguaruda do Zoo de Lisboa

 

 

Sonho de vida

 

Que a chuva seja um refresco
E o rio nunca transborde
Que os animais sejam mansos 
E os mortos do sono acorde.
Que o sol ilumine e não queime,
E o fogo seja só um clarão.
Que o mar não afogue ninguém.
E que as pessoas não se dividam em classes.
Que o amor seja sempre infinito
Que não exista religião 
E que o mundo se chame união.

 

Shana Junger

 

 

Mesmo ao lado havia um letreiro que dizia, "Por favor não dê comida aos animais".. mesmo ao lado das dezenas de pessoas, mães, pais, avós, tios, irmãos... que pegavam nas folhas que o Outono espalhava por ali e as davam às girafas que se esforçavam ao máximo por as agarrar por cima da cerca e do espaço que as separava da multidão. .. e assim se plantam os exemplos de futuro.

 

Girafas e palermas no Jardim Zoológico de Lisboa

Outubro de 2010

Jorge Soares

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