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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Palavras que disseste e já não dizes,

Flores

 

Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...
Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
- que são minhas, só minhas, pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.
Pedro Tamen
Jardim da Fonte Férrea
Odemira, Alentejo
Abril de 2011
Jorge Soares

Eu tenho um pião

O pião

 

Lembro-me que demorei imenso tempo até que o consegui fazer girar pela primeira vez, era um tempo em que os piões eram feitos de madeira torneada, não eram de plástico nem vinham da China em caixas de cartão, eram lançados com uma guita de cordel, não vinham com lançadores nem com fitas de plástico.

 

Eram da cor da madeira, mas nós fazíamos concursos de decoração, com os lápis de cera íamos pintando riscas de várias cores e depois ficávamos embevecidos a olhar para os efeitos fantásticos que obtínhamos quando os fazíamos girar.

 

No intervalo da escola fazíamos um circulo na terra do recreio e cada um jogava o seu, os que ficavam dentro do circulo terminavam vitimas da perícia dos amigos para acertarem com os bicos de aço, no fim do intervalo contavam-se as feridas abertas e havia sempre alguém que terminava com um pião aberto ao meio... baixas de guerra.

 

A habilidade sublime era lançar o pião no chão e depois colhê-lo e faze-lo girar na palma da mão... 

 

Olhei para este e fiquei com saudades de mim e dos meninos que jogavam ao pião comigo.

 

Vila Nova de Milfontes, Alentejo

Abril de 2011

 

Jorge Soares

o poema duma macieira.

Poema de uma macieira

 

Este é o poema duma macieira.

Quem quiser lê-lo,

Quem quiser vê-lo,

Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.

 

Floriu assim pela primeira vez.

Deu-lhe um sol de noivado,

E toda a virgindade se desfez

Neste lirismo fecundado.

 

São dois braços abertos de brancura;

Mas em redor

Não há coisa mais pura,

Nem promessa maior.

 

Miguel Torga

 

 

Obrigado Lídia

Setúbal, Maio de 2010

Jorge Soares

Que música escutas tão atentamente ...

Os pardais no Alentejo

 

Que música escutas tão atentamente

que não dás por mim?

Que bosque, ou rio, ou mar?

Ou é dentro de ti

que tudo canta ainda?

Queria falar contigo,

dizer-te apenas que estou aqui,

mas tenho medo,

medo que toda a música cesse

e tu não possas mais olhar as rosas.

Medo de quebrar o fio

com que teces os dias sem memória.

Com que palavras

ou beijos ou lágrimas

se acordam os mortos sem os ferir,

sem os trazer a esta espuma negra

onde corpos e corpos se repetem,

parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,

ó cheia de doçura,

sentada, olhando as rosas,

e tão alheia

que nem dás por mim.

 

Eugénio de Andrade

 

Era um cercado com dois burros, gansos, patos... as ovelhas andavam à solta perto de ali... a D. queria ver os burros, num intervalo entre aguaceiros conseguimos chegar até lá, curiosamente não tenho nenhuma fotografia dos outros animais,.. mas estes pardais na cerca chamaram a minha atenção.

 

Parque de Campismo Zmar, Odemira, Alentejo

Abril de 2011

Jorge Soares

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