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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Outono

Outono

 

Outono

 

Uma lâmina de ar

Atravessando as portas. Um arco,

Uma flecha cravada no outono. E a canção

Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.

E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como

Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.

É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza

Quando saio para a rua, molhado, como um pássaro.

Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se

Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.

Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede

Cumprimenta o sol. Procura-se viver.

Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.

Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se

Como se, de repente, não houvesse mais nada senão

A imperiosa ordem de (se) amarem.

Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.

Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.

Não há um nome para a tua ausência. Há um muro

Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho

Que a minha boca recusa. È outono.

A pouco a pouco despem-se as palavras.

Joaquim Pessoa

 

Jorge Soares

Novembro de 2010

há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida

Cudillero, Astúrias

 

há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto

 

Cudillero, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

A Busca

Praia do Arenal de Moris

 

Busca

 

Durante anos os procurei,
um amor, um lugar,
um sonho de casas eternas,
um cais de outrora quando se acendiam as
lâmpadas,
durante anos te procurei,
caminhante das estrelas solitárias, das
estrelas sem nome,
brilhando sobre as ilhas, sabe-se lá onde,
em que oceanos que levaste contigo,
no grande eclipse desta vida.

José Agostinho Baptista

 

Praia do Arenal de Moris, Caravia, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

Praia das catedrais 2

Praia das catedrais

 

Praia das Catedrais é o nome turístico da Praia de Águas Santas que fica situada no município de Ribadeo, na costa de Lugo, mesmo na fronteira entre a Galiza e as Astúrias. Banhada pelo mar Cantábrico, fica a uns 10Kms a oeste de Ribadeo. O nome de Praia das Catedrais tem a sua origem devido à presença imponente de alcantilados que com as suas formações naturais tem a aparência de verdadeiras catedrais.

 

Foi declarada um monumento natural pela Conselharia do meio ambiente da Galiza.

 

O mais característico desta praia que tem mais de um Km de areias finas, é que a mesma só existe na baixa mar, com a maré alta a água chega até ao sopé altos alcantilados e a praia só é apreciável desde topo dos enormes rochedos. Com a maré baixa, para além do extenso areal, ficam visíveis uma série de grutas e arcos escavados na rocha pela erosão causada pelo mar e pelo vento. Há arcos com mais de 30 metros de altura que recordam as colunas de uma catedral.

 

É um lugar fabuloso para os fotógrafos, ainda que eu tive a pouca sorte de que a maré baixa foi da parte da manhã quando a luz estava atrás das enormes paredes.

 

Praia das catedrais, Ribadeo, Galiza, Agosto de 2011

Jorge Soares

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