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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Ausência

Concha de Artedo, Astúrias

 

Ausência
 

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida 
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. 
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados 
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. 
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. 
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. 
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. 
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. 
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. 
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. 
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. 
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. 
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. 
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada. 
  

MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.

 

 

La Concha de Artedo, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

Londres: Afinal o Big Ben não é o Big Ben, é a torre do Relógio

O Big Ben não é o Big Ben, é a Torre do relógio

 

Big Ben, ao contrário do que muitos pensam, não é o famoso relógio do Parlamento Britânico, nem tão pouco a sua torre. É o nome do sino, que pesa 13 toneladas e que foi instalado no Palácio de Westminster durante a gestão de sir Benjamin Hall, ministro de Obras Públicas da Inglaterra, em 1859. Por ser um sujeito alto e corpulento, Benjamim tinha o apelido de Big Ben. Todos os dias, a rádio BBC transmite as badaladas do sino. O sino foi fundido por George Mearsem 1858, media quase 3 metros de diâmetro e pesava 13, 5 toneladas.

 

O nome do relógio é Tower Clock, ou Clock Tower (Torre do Relógio), e é muito conhecido pela sua precisão e tamanho. 

 

A Actual Torre do Relógio foi construída como parte do projecto de Charles Barry para um novo palácio, depois de o antigo Palácio de Westminster ter sido em grande parte destruído por um incêndio na noite de 16 de Outubro de 1834.

 

O novo Parlamento foi construído ao estilo neo-gótico. Apesar de Barry ter sido o principal arquitecto do Palácio, foi  Augustus Pugin quem fez o prometo da Torre do Relógio, que se assemelha a trabalhos anteriores de  Pugin, incluindo um para Scarisbrick Hall. O projecto para a Torre do Relógio foi último de Pugin. A torre foi construida ao estilo de Pugin do Revival comemorado Gótico, tem 96,3 metros de altura (aproximadamente 16 andares)


A parte inferior da estrutura da Torre do Relógio é em alvenaria com areia colorida do revestimento de pedra calcária Anston. O restante da altura da torre é de ferro fundido moldado.


Apesar de ser uma das principais atracões turísticas do mundo, o interior da torre não está aberta a visitantes estrangeiros, ainda que para os residentes do Reino Unido seja possivel organizar visitas. A torre não tem elevador, pelo que é necessário subir os 334 degraus de calcário até ao topo.


Devido a mudanças nas condições do solo principalmente desde que se construiu a linha Jubilee do Metro, a torre inclinou-se levemente para noroeste, por cerca de 220 milímetros. Devido a efeitos térmicos oscila anualmente alguns milímetros a leste e oeste.

 

Fonte Wikipédia

 

Jorge Soares

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,

Natureza, La Isla, Astúrias

 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... 


Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ... 


Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência não pensar...

 

Alberto Caeiro in Guardador de rebanhos

 

Praia La Isla, Colunga, Astúrias, Espanha

Agosto de 2011

Jorge Soares

À Beira de Água

À Beira da água, Rio Sualón, Astúrias, espanha

 

Estive sempre sentado nesta pedra

escutando, por assim dizer, o silêncio.

Ou no lago cair um fiozinho de água.

O lago é o tanque daquela idade

em que não tinha o coração

magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,

dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,

tão feito de privação.) Estou onde

sempre estive: à beira de ser água.

Envelhecendo no rumor da bica

por onde corre apenas o silêncio.

 

Eugénio de Andrade

 

Rio Sualón, Vegadeo, Astúrias

Agosto de 2011

Jorge Soares

Todos os caminhos me servem

Passeando à beira mar, praia de Esparsa

 

Todos os Caminhos me Servem

 

 

 

Todos os caminhos me servem. 
Em todos serei o ébrio 
cabeceando nas esquinas. 
Uma rua deserta e o hálito 
das pessoas que se escondem, 
uma rua deserta e um rafeiro 
por companheiro. 

Ó mar que me sacode os cabelos 
que mulher alguma beijou, 
lágrimas que os meus olhos vertem 
no suor dos lagares, 
que uma onda vos misture 
e vos leve a morrer 
numa praia ignorada. 

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"

 

No caminho de Santiago entre as praias do Arenal de Moris e Esparsa

Astúrias, Agosto de 2011

Jorge Soares

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