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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Ao Sol

Margarida ao sol

Ao Sol

 

Eu só queria despir-nos

Como se tira habilmente

A seda aos pêssegos

E nus adormecermos

Sem saber quem somos

Sem jogos aos ombros

Que vêm de pequenos

Pelo faro pelos poros

Pelo sono dos cabelos

Pelo estalinho dos dedos

Eu só queria deixar-nos

Como o sol a bater

Na cal dos muros

E nus adormecermos

Sem contar os beijos

Sem dizer piropos

Como o cio dos frutos

Como a pele dos bichos

Como o íman dos olhos

Dos velhos sentados”

Joaquim Castro Caldas


Ouvir Por Tiago Bettencourt e Inês castelo Branco


 

Esquecido na praia

Perdido na praia

 

Ética

 

Vou falhando as pequenas coisas

que me são solicitadas.

Sentindo que as ciladas

se acumulam cada vez que falo.

Preferi hoje o silêncio.

A ausência de equívocos

não é partilhável.

No inegociável deste dia,

destituo-me de palavras.

O silêncio não se recomenda.

Deixa-nos demasiado sós,

visitados pelo pensamento.

 

 

Luís Quintais

in «Lamento», 1999 

 

Praia do Parque Urbano de Albarquel

Setúbal

Janeiro de 2012

Jorge Soares

Só nós dois é que sabemos

Só nós dois é que sabemos

 

Só nós dois é que sabemos
O quanto nos queremos bem
Só nós dois é que sabemos
Só nós dois e mais ninguém
Só nós dois avaliamos
Este amor, forte, profundo...
Quando o amor acontece
Não pede licença ao mundo.

Anda, abraça-me... beija-me
Encosta o teu peito ao meu
Esquece o que vai na rua
Vem ser minha, eu serei teu
Que falem não nos interessa
O mundo não nos importa
O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta.

Só nós dois é que sabemos
O calor dos nossos beijos
Só nós dois é que sofremos
As torturas dos desejos
Vamos viver o presente
Tal-qual a vida nos dá
O que reserva o futuro
Só Deus sabe o que será

 

Ouvir

 


Sei que estou só

Sei que estou só

 


Sei que estou só e gelo entre as folhagens
Nenhuma gruta me pode proteger
Como um laço deslaça-se o meu ser
E nos meus olhos morrem as paisagens.

Desligo da minha alma a melodia
Que inventei no ar. Tombo das imagens
Como um pássaro morto das folhagens
Tombando se desfaz na terra fria.

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Ouvir pelo Tiago Bettenncourt

 

Cais das Colunas,
Lisboa, Janeiro de 2012
Jorge Soares

Direitos de Autor
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Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo e serão retiradas de imediato.

 

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