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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Nós ossos que aqui estamos ....

Capela dos ossos

 

..... pelos vossos esperamos.

 

Poema sobre a existência

 

Aonde vais, caminhante, acelerado?

Pára…não prossigas mais avante;

Negócio, não tens mais importante,

Do que este, à tua vista apresentado.

Recorda quantos desta vida tem passado,

Reflecte em que terás fim semelhante,

Que para meditar causa é bastante

Terem todos mais nisto parado.

Pondera, que influído d'essa sorte,

Entre negociações do mundo tantas,

Tão pouco consideras na morte;

Porém, se os olhos aqui levantas,

Pára…porque em negócio deste porte,

Quanto mais tu parares, mais adiantas.

 

Poema atribuído ao padre António da Ascensão Teles,

pároco da freguesia de São Pedro (na igreja de São Francisco) entre 1845 e 1848

 

Paga-se um euro pelo direito a tirar fotografias na capela dos ossos, esta foi sem tripé e sem flash, com o ISO a 3600 não havia forma de evitar o grão... mas eu tinha que justificar o euro que paguei e tinha que tirar nem que fosse uma de jeito.... bom, quase conseguia.

 

Capela dos Ossos

Évora, Março de 2012

 

Jorge Soares

O tempo onde a luz buscamos

Braga

O tempo Revisitado

 

 

O tempo a que sempre regressamos 
e nos visita um instante 

O tempo que depois destruímos 
construímos e ali- 
mentamos se nos 
alimenta 

O tempo onde a luz buscamos e 
a morte sempre 
encontramos 

Casimiro de Brito, in "Mesa do Amor"

 

 

Quiosque de venda de flores em Braga

Abril de 2012

Jorge Soares

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar

 

Não estou pensando em nada 
E essa coisa central, que é coisa nenhuma, 
É-me agradável como o ar da noite, 
Fresco em contraste com o verão quente do dia, 

Não estou pensando em nada, e que bom! 

Pensar em nada 
É ter a alma própria e inteira. 
Pensar em nada 
É viver intimamente 
O fluxo e o refluxo da vida... 
Não estou pensando em nada. 
E como se me tivesse encostado mal. 
Uma dor nas costas, ou num lado das costas, 
Há um amargo de boca na minha alma: 
É que, no fim de contas, 
Não estou pensando em nada, 
Mas realmente em nada, 
Em nada... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Évora, Março de 2012

Jorge Soares

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