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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem .....

Borboleta

 

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem

 

Se às vezes digo que as flores sorriem 
E se eu disser que os rios cantam, 
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores 
E cantos no correr dos rios... 
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos 
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios. 
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes 
À sua estupidez de sentidos... 
Não concordo comigo mas absolvo-me, 
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza, 
Porque há homens que não percebem a sua linguagem, 
Por ela não ser linguagem nenhuma. 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

Por vezes temos que focar um sitio..e esperar que o milagre aconteça... eu foquei a flor..e o milagre aconteceu.

 

Parque de Campismo de Montargil

Junho de 2010

Jorge Soares

Só a natureza é divina

Cogumelos no Gerês

 

Só a natureza é divina, e ela não é divina... 
Se falo dela como de um ente 
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens 
Que dá personalidade às cousas, 
E impõe nome às cousas.

Mas as cousas não têm nome nem personalidade: 
Existem, e o céu é grande a terra larga, 
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto sei. 
Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.

 

Alberto Caeiro

 

Cogumelos na Mata da Albergaria,

Parque nacional da Peneda Gerês

Gerês, Amares

Novembro de 2010

Jorge Soares

 

1 de Nov de 2010, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO:400Exp.: 1/100 seg., Abertura: 5.6, Ext. focal: 60mm Flash: Sim

No entardecer dos dias de Verão, às vezes, .....

No entardecer de um dia de Verão.. sobre a areia, Playa Montalvo

 

No entardecer dos dias de Verão, às vezes, 
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece 
Que passa, um momento, uma leve brisa... 
Mas as árvores permanecem imóveis 
Em todas as folhas das suas folhas 
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão, 
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria... 
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem! 
Fôssemos nós como devíamos ser 
E não haveria em nós necessidade de ilusão ... 
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida 
E nem repararmos para que há sentidos ... 
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo 
Porque a imperfeição é uma cousa, 
E haver gente que erra é original, 
E haver gente doente torna o Mundo engraçado. 
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos, 
E deve haver muita cousa 
Para termos muito que ver e ouvir ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Fim de tarde de um daqueles dias de verão .....

 

Playa Montalvo, Portonovo, Galiza

Agosto de 2010

Jorge Soares

As Bolas de Sabão

As bolas de Sabão

 

As Bolas de Sabão

 

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

 

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

Alberto Caeiro

 

Jardim do Bonfim

Setúbal

Junho de 2010

Jorge Soares

Bendito seja o mesmo sol de outras terras

Pôr do Sol na praiinha

 

Bendito seja o mesmo sol de outras terras 
Que faz meus irmãos todos os homens 
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham 
como eu, 
E, nesse puro momento 
Todo limpo e sensível 
Regressam lacrimosamente 
E com um suspiro que mal sentem 
Ao homem verdadeiro e primitivo 
Que via o Sol nascer e ainda o não adorava. 
Porque isso é natural — mais natural 
Que adorar o ouro e Deus 
E a arte e a moral ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXVIII"

 

Pôr do sol na prainha, Praia, Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares

O que é perfeito não precisa de nada

simplicidade azul

 

 

Sim, talvez tenham razão. 
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, 
Mas essa coisa oculta é a mesma 
Que a coisa sem ser oculta. 

Na planta, na árvore, na flor 
(Em tudo que vive sem fala 
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), 
No bosque que não é árvores mas bosque, 
Total das árvores sem soma, 
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro 
Que lhes dá a vida; 
Que floresce com o florescer deles 
E é verde no seu verdor. 

No animal e no homem entra. 
Vive por fora por dentro 
É um já dentro por fora, 
Dizem os filósofos que isto é a alma 
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem 
Da maneira como existe. 

E penso que talvez haja entes 
Em que as duas coisas coincidam 
E tenham o mesmo tamanho. 

E que estes entes serão os deuses, 
Que existem porque assim é que completamente se existe, 
Que não morrem porque são iguais a si mesmos, 
Que podem mentir porque não têm divisão [?] 
Entre quem são e quem são, 
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam 
Porque o que é perfeito não precisa de nada.

 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

 

Flor silvestre do sopé da Arrábida

Setúbal

Maio de 2010

O meu olhar

 

O meu olhar

 

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo.  Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

 

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)                  
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

 

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

 

Alberto Caeiro in Guardador de rebanhos

 

Moinhos do rio Ul,

Parque molinológico

Ul, Oliveira de azemeis

Março de 2009

Jorge Soares

Sim, talvez tenham razão

 

 

Sim, talvez tenham razão.
Talvez em cada coisa uma coisa oculta more,
Mas essa coisa oculta é a mesma
Que a coisa sem ser oculta.

Na planta, na árvore, na flor
(Em tudo que vive sem fala
E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência),
No bosque que não é árvores mas bosque,
Total das árvores sem soma,
Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro
Que lhes dá a vida;
Que floresce com o florescer deles
E é verde no seu verdor.

No animal e no homem entra.
Vive por fora por dentro
É um já dentro por fora,
Dizem os filósofos que isto é a alma
Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem
Da maneira como existe.

E penso que talvez haja entes
Em que as duas coisas coincidam
E tenham o mesmo tamanho.

E que estes entes serão os deuses,
Que existem porque assim é que completamente se existe,
Que não morrem porque são iguais a si mesmos,
Que podem mentir porque não têm divisão [?]
Entre quem são e quem são,
E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam
Porque o que é perfeito não precisa de nada.

 

Alberto Caeiro

 

Pequena papoila que cresceu entre as pedras da calçada portuguesa

Setúbal Abril de 2010

Jorge Soares

Para além da curva da estrada

Estrada para as sete cidades 

 

 

"Para além da curva da estrada 

Talvez haja um poço, e talvez um castelo, 

E talvez apenas a continuação da estrada. 

Não sei nem pergunto. 

Enquanto vou na estrada antes da curva 

Só olho para a estrada antes da curva, 

Porque não posso ver senão a estrada antes da curva. 

De nada me serviria estar olhando para outro lado 

E para aquilo que não vejo. 

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos. 

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer. 

Se há alguém para além da curva da estrada, 

Esses que se preocupem com o que ha para além da curva da estrada. 

Essa é que é a estrada para eles. 

Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos. 

Por ora só sabemos que lá não estamos. 

Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva 

Há a estrada sem curva nenhuma." 

 

Alberto Caeiro

 

Estrada para as Sete Cidades

São Miguel, Açores

Agosto de 2008

 

Jorge Soares

 

O unico sentido das coisas....

Gaivota

 

O único sentido íntimo das cousas

É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

 

Alberto Caeiro

O guardador de rebanhos

 

Setúbal, Novembro de 2009

Jorge Soares

 

Nov 8, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/500 seg., Abertura: 7.1 Extensão focal: 200mm

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