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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Porque ontem foi o dia do mar .....

Praia do CarvalhalAh, as praias 

Ah, as praias longínquas, os cais vistos de longe, 
E depois as praias próximas, os cais vistos de perto.
O mistério de cada ida e de cada chegada,
A dolorosa instabilidade e incompreensibilidade
Deste impossível universo
A cada hora marítima mais na própria pele sentido!
O soluço absurdo que as nossas almas derramaram
Sobre as extensões de mares diferentes com ilhas ao longe,
Sobre as ilhas longínquas das costas deixadas passar,
Sobre o crescer nítido dos portos, com as suas casas e a sua gente,
Para o navio que se aproxima.


Álvaro de Campos, Ode Marítima

 

.... e eu só descobri agora.

 

Praia do Carvalhal, Grândola, Setúbal

Outubro de 2011

Jorge Soares

 

Eu pus um sonho a voar Nas asas duma gaivota...

Gaivotas

 

A Gaivota

 

Eu pus um sonho a voar
Nas asas duma gaivota...
Um sonho de liberdade
De paz, amor e carinho;
Num impulso sobre o mar
Ela tomou sua rota
Cheia de força e vontade
De vencer todo o caminho.

 


Esperei dias, esperei noites
Pelos ventos de mudança...
Mas chegou-me um vento frio
Gélido todos os dias;
Ondas do mar em açoites
Rodopiam numa dança
Batendo no cais vazio
Em alvoradas sombrias.

 


Talvez a minha gaivota
Tivesse perdido o rumo...
Quem sabe se o sonho voa
Pelas terras de ninguém...
Ou ao lembrar-me em risota
Tenha perdido o aprumo,
Não achando ideia boa
Levar um sonho de alguém.

 


Talvez tenha sucumbido
Caindo nalguma vaga,
Sem cumprir essa missão
Que eu com afecto pedira;
Talvez não vendo o sentido
Ou achando não ser maga
Largasse o sonho-ilusão
Como mais uma mentira.

 


Vou ao cais de vez em quando
Como quem inda acredita,
Mas perdendo quase a esperança
De alguma coisa mudar...
De gaivotas vejo um bando,
Vou escolher a mais bonita!
A ver se leva e não cansa,
Este meu sonho a voar.

 


Joaquim Sustelo

Retirado de aqui

.

 

Praia do Carvalhal, Troia

Outubro de 2011

Jorge Soares

acordam-me as manhãs dos dias sem poemas

Pombas em Setúbal

 

Na percepção de um mito

 

acordam-me as manhãs dos dias sem poemas

em que

não me permito sair

da epiderme

 

camuflagem em que me  envolvo

de que  me alimento

migalhas de pássaro incerto

 

na face efígie e fugidia do tempo

eis que, por magia,

(ou metáfora, quem sabe?)

dedilho vagarosa um  terço

rolando, entre os nós dos dedos,

um colar de pérolas e sargaço

 

evoco os deuses

as divindades da  primavera

 

em metamorfose vegetal

refloresço no verbo

 

no direito pleno da palavra

 

- poderia dizer-tas, uma a uma, de um dicionário inteiro

(e todas seriam verdadeiras)

melificas audazes

ternas

 

podia falar-te

de amor, de desejo, de paixão...

de dor desamor cansaço -,

 

opto pelo silêncio

 

apenas

 

na percepção de um mito

tomo meu o teu rosto

num manso afago

 

os olhos descontidos nos olhos

à enormidade do momento

a luz a fulgir das íris

das pupilas

 

e

deixo

 

que te atrevas e

me ensines a novidade tenra dos teus lábios

esculpidos

de um Deus antigo, pelo  recorte das águas.

 

Mel de Carvalho 

 

Setúbal, Maio de 2011

Jorge Soares

 

 

Que música escutas tão atentamente ...

Os pardais no Alentejo

 

Que música escutas tão atentamente

que não dás por mim?

Que bosque, ou rio, ou mar?

Ou é dentro de ti

que tudo canta ainda?

Queria falar contigo,

dizer-te apenas que estou aqui,

mas tenho medo,

medo que toda a música cesse

e tu não possas mais olhar as rosas.

Medo de quebrar o fio

com que teces os dias sem memória.

Com que palavras

ou beijos ou lágrimas

se acordam os mortos sem os ferir,

sem os trazer a esta espuma negra

onde corpos e corpos se repetem,

parcimoniosamente, no meio de sombras?

Deixa-te estar assim,

ó cheia de doçura,

sentada, olhando as rosas,

e tão alheia

que nem dás por mim.

 

Eugénio de Andrade

 

Era um cercado com dois burros, gansos, patos... as ovelhas andavam à solta perto de ali... a D. queria ver os burros, num intervalo entre aguaceiros conseguimos chegar até lá, curiosamente não tenho nenhuma fotografia dos outros animais,.. mas estes pardais na cerca chamaram a minha atenção.

 

Parque de Campismo Zmar, Odemira, Alentejo

Abril de 2011

Jorge Soares

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