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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Aqueles que só sabem amar

Mulher passeia na praia de Albarquel

 

amo aqueles que só sabem amar
enfrentando a vida
porque passam pela loucura.
amo aqueles que buscam o sol
por entre o escuro
porque amam sós.
amo aqueles que abandonam o passado
enfrentando a vida
porque procuram soluções.
amo aqueles que percorrem o mundo
sempre em busca do amor
porque conhecem a dor.
amo aqueles que sonham no acordar
por entre frases soltas
porque seus olhos reflectem amar.
amo aqueles que só sabem viver no acordar.

 

(Poema de Ricardo Biquinha in Luz.de.Tecto)

 

 

Mulher passeia na praia de Albarquel

Setúbal

Junho de 2010

Jorge Soares

A Mulher

 

Mulher - Florbela espanca

 

A mulher

 

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!
Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem 
Enquanto a boca rir alegremente!
Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!
Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

 

Florbela Espanca

 

Setúbal

Março de 2010

 

Jorge Soares

Mulher da vida

Mulher da vida

 

 

 Mulher da Vida, minha Irmã.

 

De todos os tempos. 

De todos os povos. 

De todas as latitudes. 

Ela vem do fundo imemorial das idades e 

carrega a carga pesada dos mais 

torpes sinônimos, 

apelidos e apodos: 

Mulher da zona, 

Mulher da rua, 

Mulher perdida, 

Mulher à-toa.

 

Mulher da Vida, minha irmã.

 

Pisadas, espezinhadas, ameaçadas. 

Desprotegidas e exploradas. 

Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito. 

Necessárias fisiologicamente. 

Indestrutíveis. 

Sobreviventes. 

Possuídas e infamadas sempre por 

aqueles que um dia as lançaram na vida. 

Marcadas. Contaminadas, 

Escorchadas. Discriminadas.

 

Nenhum direito lhes assiste. 

Nenhum estatuto ou norma as protege. 

Sobrevivem como erva cativa dos caminhos, 

pisadas, maltratadas e renascidas.

 

Flor sombria, sementeira espinhal  

gerada nos viveiros da miséria, da 

pobreza e do abandono, 

enraizada em todos os quadrantes da Terra.

 

Um dia, numa cidade longínqua, essa  

mulher corria perseguida pelos homens que 

a tinham maculado. Aflita, ouvindo o  

tropel dos perseguidores e o sibilo das pedras, 

ela encontrou-se com a Justiça.

 

A Justiça estendeu sua destra poderosa e

lançou o repto milenar: 

“Aquele que estiver sem pecado 

atire a primeira pedra”.

 

As pedras caíram 

e os cobradores deram s costas.

 

O Justo falou então a palavra de eqüidade:

“Ninguém te condenou, mulher...  

nem eu te condeno”.

 

A Justiça pesou a falta pelo peso 

do sacrifício e este excedeu àquela. 

Vilipendiada, esmagada. 

Possuída e enxovalhada, 

ela é a muralha que há milênios detém 

as urgências brutais do homem para que  

na sociedade possam coexistir a inocência, 

a castidade e a virtude.

 

Na fragilidade de sua carne maculada 

esbarra a exigência impiedosa do macho.

 

Sem cobertura de leis 

e sem proteção legal,  

ela atravessa a vida ultrajada 

e imprescindível, pisoteada, explorada,  

nem a sociedade a dispensa 

nem lhe reconhece direitos 

nem lhe dá proteção. 

E quem já alcançou o ideal dessa mulher,

que um homem a tome pela mão,  

a levante, e diga: minha companheira.

 

Mulher da Vida, minha irmã.

 

No fim dos tempos. 

No dia da Grande Justiça 

do Grande Juiz. 

Serás remida e lavada 

de toda condenação.

 

E o juiz da Grande Justiça 

a vestirá de branco em 

novo batismo de purificação. 

Limpará as máculas de sua vida 

humilhada e sacrificada 

para que a Família Humana 

possa subsistir sempre, 

estrutura sólida e indestrurível 

da sociedade, 

de todos os povos, 

de todos os tempos.

 

Mulher da Vida, minha irmã.

 

Cora Coralina

 

Jorge Soares

A crioula que meus olhos beijaram a medo

Mulher em Cabo verde

 

 

Vida

 

A crioula que meus olhos beijaram a medo

perdeu-se na confusão de um porto francês

 

Ela sorria continuamente, erguendo no seu riso uma cançaão extraordinária.

 

Não foi um romance de amor

nem mesmo um pequeno segredo entre ambos.

 

Somente, quando Ela falava ao pé de mim, eu sentia:

um aprazível devaneio

pela maravilha escultural duma Mulher Perfeita.

 

Depois,

a Vida separando Nós-Dois

a confusão, os ruidos, os braços agitando-se

e o vapor levando para outros mares, 

outros portos, 

a graça, o mistério, o perfume e os cantares 

da crioula que meus olhos beijaram a medo 

no tombadilho daquele vapor francês. 

 

  (Clima, 1963)

 

Onésimo Silveira

 

O lugar é a Praça Alexandre Albuquerque, no Plateau, podia ser uma praça qualquer numa qualquer cidade de Portugal, no centro há uma fonte com agua a correr, há canteiros com flores, bancos de ferro com assentos e espaldares de  madeira daqueles que vemos em tantas das nossas praças, árvores a toda a volta, há até um posto de Turismo num dos cantos. Nos bancos de madeira  ou sentados na fonte há gente com computadores portáteis, deve haver Wireless gratuito. Mas há algo que a distingue das nossas praças, debaixo das árvores há quem faça pela vida, dois ou três engraxadores, jovens que vendem agua e refrigerantes conservados frescos em gelo, crianças que vendem doces, senhoras que vendem bolachas em pacotes coloridos,....  ela estava entre eles, sentada frente a uma pequena mesa com bijuteria...  a fazer pela vida.

 

Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares

Nada que sou me interessa

Nada do que sou me interessa

 

 Nada que sou me interessa

 

 

NADA QUE SOU me interessa. 

Se existe em meu coração 

Qualquer que tem pressa 

Terá pressa em vão.

Nada que sou me pertence. 

Se existo em que me conheço 

Qualquer cousa que me vence 

Depressa a esqueço.

 

Nada que sou eu serei. 

Sonho, e só existe em meu ser, 

Um sonho do que terei. 

Só que o não hei de ter.

 

Fernando Pessoa

 

Lisboa, Novembro de 2009

Jorge Soares

 

22 de Nov de 2008, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 400, Exposição: 1/80 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 50mm, Flash: Sim

 

Gritos mudos...

Rosa

 

Hoje é o dia internacional para a erradicação da violência doméstica, o ano passado morreram no nosso país 42 mulheres vitimas de violência doméstica, quase uma  por semana, este ano e até agora, morreram mais de 30 mulheres vitimas de violência doméstica, de quantas ouvimos falar?, basta que alguém morra vitima de um assalto para  ouvirmos falar do assunto durante semanas, porque não ouvimos falar destas mulheres que morrem às mãos das pessoas com quem decidiram partilhar a sua vida? porque é que a nossa sociedade que discute atá à exaustão temas como o do casamento homossexual, simplesmente decide olhar para o lado nestes casos?

 

O Crime de violência doméstica é considerado um crime público, qualquer pessoa pode fazer a denuncia quando suspeita  da existência de violência familiar, não olhe para o lado, não espere que seja tarde, denuncie!!!!!!! 

 

Gritos mudos

 

 

Neons vazios num excesso de consumo

Derramam cores pelas pedras do passeio

A cidade passa por nós adormecida

Esgotam-se as drogas p'ra sarar a grande ferida

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E o coração aperta-se e o estômago sobe à boca

Aquecem-nos os ouvidos com uma canção rouca

E o perigo é grande e a tensão enorme

Afinam-se os nervos até que tudo acorde

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E a noite avança, e esgotam-se as forças

Secam como o vinho que enchia as taças

E pára-se o carro num baldio qualquer

E juntam-se as bocas até morrer

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga com toda a razão

 

Xutos e pontapés

 

 

 

 

Jorge Soares

 

 

 

A turista e a bicicleta

A turista

A bicicleta da Turista

A turista e a bicicleta

 

No antigo leito do rio Turia, há agora um jardim com muitos kms, por onde antes passava a agua há agora muitas arvores, muita relva e muitos espaço para andar de bicicleta. É evidentemente um lugar procurado pelos turistas. Estávamos nós a picnicar sentados na relva quando chegou um par de turistas, cada um em sua bicicleta, pararam junto ao enorme lago, e ela prodigiou-se em posses para ele, feito fotografo de serviço. Eu tinha a máquina na mão e aproveitei a ocasião.

 

Turistas no Jardim del Turia, Valência, Espanha

Agosto de 2009

A bicicleta vermelha

 A bicicleta vermelha

 

O meu marido
saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior.

 

Alexandre O'neill
in:As
horas já de números vestidas(1981)

 

 

Jardim del Turia

Valência, Espanha

Agosto de 2009

Aug 19, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/400 seg., Abertura: 5.0, Extensão focal: 85mm

A grande Alegria

 A grande alegria


Poema da grande alegria

Olhavas-me tanto
E estavas tão perto de mim
Que, no meu êxtase,
Nem sabia qual fosse
Cada um de nós...
Era num lugar tão longe
Que nem parecia neste mundo...
Num lugar sem horizontes,
Onde, sobre águas imóveis,
Havia lótus encantados...
Vinham de mais longe...
De ainda mais longe,
Músicas sereníssimas,
Imateriais como silêncios...
Músicas para se ouvirem com a alma, apenas...
E tudo, em torno,
Eram purificações...
Não sei para onde me levavas:
Mas aqueles caminhos pareciam
Os caminhos eternos
Que vão até o último sol...
E eu me sentia tão leve
Como o pensamento de quem dorme...
Eu me sentia com aquela outra Vida
Que vem depois da vida...
Eleito, ó Eleito,
Eu queria ficar sonhando
Para sempre,
Tão perto de Ti
Que, no meu êxtase,
Nem se pudesse saber
Qual fosse cada um de nós...

 

Cecília Meireles
(1901-1964)

 

Óbidos, Vila do Natal

Janeiro de 2009

 

Jan 3, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 125,Exposição: 1/50 seg.,Abertura: 5.0,Extensão focal: 28mm,Flash: Não

 

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