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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

A veia do poeta

A veia do poeta.. o voo das borboletas

 

 

Cansado do movimento
Que percorre a linha recta
Fui ficando mais atento 
Ao voo da borboleta 
Fui subindo em espiral 
Declarando-me estafeta
Entre o corpo do real 
E a veia do poeta

Mas ela não se detecta 
À vista desarmada
E o sangue que lá corre
Em torrente delicada 
É a lágrima perpétua
Sai da ponta da caneta
Vai ao fim da via láctea 
E cai no fundo da gaveta

Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
Numa folha secreta
Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
No fundo duma gaveta
Ai de quem nunca injectou
Um pouco da sua mágoa 
Na veia do poeta

 

Rui Veloso

 

 

Borboletas no jardim...

Setúbal, Outubro de 2008

Jorge Soares

Somos donos do nosso destino

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre

 

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,

E deseja o destino que deseja; 
Nem cumpre o que deseja, 
Nem deseja o que cumpre. 
Como as pedras na orla dos canteiros 
O Fado nos dispõe, e ali ficamos; 
Que a Sorte nos fez postos 
Onde houvemos de sê-lo. 
Não tenhamos melhor conhecimento 
Do que nos coube que de que nos coube. 
Cumpramos o que somos. 
Nada mais nos é dado. 

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Somos o que vivemos...

 

Algures numa praia de Portugal

Outubro de 2010

Jorge Soares

Viver .. era isso, mais nada?

Viver.. por trás da porta

 

Viver

 

Mas era apenas isso, 
era isso, mais nada? 
Era só a batida 
numa porta fechada? 

E ninguém respondendo, 
nenhum gesto de abrir: 
era, sem fechadura, 
uma chave perdida? 

Isso, ou menos que isso 
uma noção de porta, 
o projecto de abri-la 
sem haver outro lado? 

O projecto de escuta 
à procura de som? 
O responder que oferta 
o dom de uma recusa? 

Como viver o mundo 
em termos de esperança? 
E que palavra é essa 
que a vida não alcança?

 

Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'

 

A vida são muitas coisas, muitas escolhas, muitos caminhos cruzados, muitas oportunidades perdidas, muitas outras agarradas com ambas as mãos... mas no fim, tudo se resume a Somos o que vivemos.

 

Setúbal, Outubro de 2010

Jorge Soares

Livre

Cavalo alado

 

Livre não sou, que nem a própria vida 
Mo consente. 
Mas a minha aguerrida 
Teimosia 
É quebrar dia a dia 
Um grilhão da corrente. 

Livre não sou, mas quero a liberdade. 
Trago-a dentro de mim como um destino. 
E vão lá desdizer o sonho do menino 
Que se afogou e flutua 
Entre nenúfares de serenidade 
Depois de ter a lua! 

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'

 

 

O cavalo ia em grande velocidade, e a luz do fim de tarde já era pouca... talvez o modo na máquina também não fosse o mais adequado... está tremida, eu sei... mas decidi que gosto na mesma...
Representação de o Casamento do Viriato pelos Fatias de Cá, Almourol, Vila Nova da Barquinha
Setembro de 2010
Jorge Soares

Ser Criança

 

 

Ser criança

 

Ser criança

 

Ser criança

é ter esperança

 

É ter a alegria

de viver o mundo.

 

É ter uma chave

uma chave para o futuro.

É viver no mundo de imaginação.

É encarar o mundo,

é tê-los nas mãos.

 

É olhar o mundo

de maneira diferente.

É sonhar é viver ,

É ser diferente.

 

Raquel Soares

10 anos

Retirado de aqui

 

Praia do Carvalhal, Grândola, Setúbal

Julho de 2010

Jorge Soares

Saudade

Quem vai abrir agora as janelas?

 

Quem vai abrir as janelas que não fechaste...? 
Quem vai colher as flores que não semeaste...? 
Quem vai guardar as cartas que nao recebeste...? 
Quem vai ler as palavras que não escreveste...? 
Quem vai sentar-se à mesa no teu lugar...? 
Quem, no teu leito desfeito, se vai deitar...? 
Quem, as tuas roupas usadas vai vestir...? 
Quem, os sons que tu ouvias, vai ouvir...? 
Quem, a porta vai abrir, para eu entrar...? 
Quem, com um terno beijo me vai saudar...? 
Quem vai ensinar-me agora...a compreender ? 
...Como posso eu viver feliz...sem te ter?

 

Poema de Maria João Silva

 

Ouvir o poema declamado no Youtube

 

 

Algures num daqueles dias de verão em que dá gosto caminhar pela praia, numa praia da galiza

Agosto de 2010

Jorge Soares

Desencontro

Pesos

 

Só quem procura sabe como há dias 
de imensa paz deserta; pelas ruas 
a luz perpassa dividida em duas: 
a luz que pousa nas paredes frias, 
outra que oscila desenhando estrias 
nos corpos ascendentes como luas 
suspensas, vagas, deslizantes, nuas, 
alheias, recortadas e sombrias. 

E nada coexiste. Nenhum gesto 
a um gesto corresponde; olhar nenhum 
perfura a placidez, como de incesto, 

de procurar em vão; em vão desponta 
a solidão sem fim, sem nome algum - 
- que mesmo o que se encontra não se encontra. 

Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'

 

Jorge Soares

Óbidos

Julho de 2010

Meu São João

Balões na Baixa do Porto

 

 

Profundamente


Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?


— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.


Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci.


Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.


Manuel Bandeira

 

Porto, Junho de 2008

Jorge soares

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