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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

O Amor Bate na Porta

Batentes em Setúbal

 

O Amor Bate na Porta

 

 

 

Cantiga do amor sem eira 
nem beira, 
vira o mundo de cabeça 
para baixo, 
suspende a saia das mulheres, 
tira os óculos dos homens, 
o amor, seja como for, 
é o amor. 

Meu bem, não chores, 
hoje tem filme de Carlito! 

O amor bate na porta 
o amor bate na aorta, 
fui abrir e me constipei. 
Cardíaco e melancólico, 
o amor ronca na horta 
entre pés de laranjeira 
entre uvas meio verdes 
e desejos já maduros. 

Entre uvas meio verdes, 
meu amor, não te atormentes. 
Certos ácidos adoçam 
a boca murcha dos velhos 
e quando os dentes não mordem 
e quando os braços não prendem 
o amor faz uma cócega 
o amor desenha uma curva 
propõe uma geometria. 

Amor é bicho instruído. 
Olha: o amor pulou o muro 
o amor subiu na árvore 
em tempo de se estrepar. 
Pronto, o amor se estrepou. 
Daqui estou vendo o sangue 
que escorre do corpo andrógino. 
Essa ferida, meu bem, 
às vezes não sara nunca 
às vezes sara amanhã. 

Daqui estou vendo o amor 
irritado, desapontado, 
mas também vejo outras coisas: 
vejo corpos, vejo almas 
vejo beijos que se beijam 
ouço mãos que se conversam 
e que viajam sem mapa. 
Vejo muitas outras coisas 
que não ouso compreender... 

Carlos Drummond de Andrade, in 'Brejo das Almas'

 

Batentes numa velha porta na baixa de Setúbal

Maio de 2011

Jorge Soares

 

Data 9.05.2011 , Câmara:SONY, DSLR-A350,ISO:400, Exposição:1/80, Abertura:5.6, Dist.55mm, flash: Não

A Porta

A Porta

 

Eu sou feita de madeira

Madeira, matéria morta

Mas não há coisa no mundo

Mais viva do que uma porta.

 

Eu abro devagarinho

Pra passar o menininho

Eu abro bem com cuidado

Pra passar o namorado

 

Eu abro bem prazenteira

Pra passar a cozinheira

Eu abro de sopetão

Pra passar o capitão.

 

Só não abro pra essa gente

Que diz (a mim bem me importa . . .)

Que se uma pessoa é burra

É burra como uma porta.

 

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa

Fecho a frente do quartel

Fecho tudo nesse mundo

Só vivo aberta no céu!

 

Vinicius de Morais

 

Uma velha Porta marcada pelo tempo e pela natureza

Alviães, Oliveira de Azemeis

Março de 2011

Jorge Soares

Viver .. era isso, mais nada?

Viver.. por trás da porta

 

Viver

 

Mas era apenas isso, 
era isso, mais nada? 
Era só a batida 
numa porta fechada? 

E ninguém respondendo, 
nenhum gesto de abrir: 
era, sem fechadura, 
uma chave perdida? 

Isso, ou menos que isso 
uma noção de porta, 
o projecto de abri-la 
sem haver outro lado? 

O projecto de escuta 
à procura de som? 
O responder que oferta 
o dom de uma recusa? 

Como viver o mundo 
em termos de esperança? 
E que palavra é essa 
que a vida não alcança?

 

Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'

 

A vida são muitas coisas, muitas escolhas, muitos caminhos cruzados, muitas oportunidades perdidas, muitas outras agarradas com ambas as mãos... mas no fim, tudo se resume a Somos o que vivemos.

 

Setúbal, Outubro de 2010

Jorge Soares

Aquela Porta

Aquela porta

 

 “Aquela porta”


O tempo segue, caminhando lento.
Ignorando minha maior verdade
Nessa cruel espera moram as horas
Alheias a dor da imensa saudade
E num turbilhão, as lembranças.
Intensas refletem nos meus versos
Ferem, reavivando os sentidos.
Trazem velhos sonhos já dispersos
Não demora, porque hoje preciso.
Ver a saudade viva no teu olhar
Aninhada, protegida em teu peito.
Quero ouvir outra vez, teu respirar.
Divisando teu olhar, já concluo.
Se tiver o brilho do teu sorriso
Chovendo assim em minha seara
Tenho tudo, e de mais nada preciso.
Quebre as amarras, viole os sentidos.
Reviva o sonho, sem pressa de ir embora.
Quando trancar aquela porta, por favor.
Sem nenhum medo, lance a chave fora.

Glória Salles

 

Ribeira do Porto, Junho de 2008

Jorge Soares

 

28 de Jun de 2008 Câmara: OLYMPUS FE-140,X-725, ISO: 80, Exposição: 1/125 seg., Abertura: 3.7, Extensão focal: 8.4mm

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