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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Rosa Negra

Rosa Negra

 

"Rosa negra"


Rosa negra de saudade,
Como é triste o teu fado.
Repousas o teu olhar
Nessa imensidão de mar!

Pois teu radioso fulgor,
Não o queira apagar.
Brilhante é a maresia
Poisada nas tuas pétalas.
E assim disfarçada,
Mesmo não querendo és amada…

Pesar teu encoberto
Com pingos da tua lágrima
Gotejam livres,
Soltas nessa tua cor de mágoa.
E sorrio sempre a teu lado
Em nossas meditações,
Não anseia o teu destino
Derrotada nostalgia…

Salpico-te de vida,
Devolvo-te novo esplendor.
Por meus olhos vês o belo,
Do vil não tenciono saber.
A alegria que emanas
Ao permitires te contemplar…

Lindíssima rosa negra pois te sei
E decifro te na alma
Exultação dos sentidos.
Com vida inundada de cor
Que saudades do teu fado,
Pressinto em ti ver amor! …

 

Manuel

 

Deixado gentilmente aqui

 

 

Uma rosa do Quintal da minha mãe

Alviães, Oliveira de Azeméis

Agosto de 2010

Jorge Soares

Variação sobre Rosas

Rosa silvestre

 

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse sempre
aberta para quem quiser entrar.
Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios. Roubo aos teus
lábios as suas pétalas.
E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta.

Nuno Júdice

 

Rosa silvestre algures no sopé da serra da Arrábida

Setúbal

Maio de 2010

Jorge Soares

Gritos Mudos

Gritos mudos

 

Gritos mudos

 

 

Neons vazios num excesso de consumo

Derramam cores pelas pedras do passeio

A cidade passa por nós adormecida

Esgotam-se as drogas p'ra sarar a grande ferida

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E o coração aperta-se e o estômago sobe à boca

Aquecem-nos os ouvidos com uma canção rouca

E o perigo é grande e a tensão enorme

Afinam-se os nervos até que tudo acorde

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga sem nenhuma razão

 

E a noite avança, e esgotam-se as forças

Secam como o vinho que enchia as taças

E pára-se o carro num baldio qualquer

E juntam-se as bocas até morrer

 

Gritos mudos chamando a atenção

P'ra vida que se joga com toda a razão

 

Xutos e pontapés

 

Ouvir aqui

 

No dia internacional contra a violência familiar, não deixemos que ninguém sofra em silêncio e solidão, denuncie!

 

Uma rosa do Outono

Setúbal, Outubro de 2010

Jorge Soares

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