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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Delicada relação

Borboleta na flor de dente de leão 

 

Se é doce no recente, ameno Estio
Ver toucar-se a manhã de etéreas flores,
E, lambendoas areias e os verdores,
Mole e queixoso deslizar-seo rio;
 
Se é doce o inocente desafio
Ouvirem-seos voláteis amadores,
Seus versos modulando e seus ardores
Dentre os aromas de pomar sombrio;
 
Se é doce mares, céus ver anilados
Pela quadra gentil, de Amor querida,
Que esperta os corações, floreia os prados,
 
Mais doce é ver-te de meus ais vencida,
Dar-me teus brandos olhos desmaiados
Morte, morte de amor, melhor que a vida.
 
Bocage: Vida e Sexo
 
Setúbal, Fevereiro de 2009
Jorge Soares
Feb 24, 2009, Câmara: SONY , Modelo: DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/400 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 200mm

A Valsinha das libelinhas

Libelinhas

 

Valsinha

 

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais 
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.

 

Vinicius de Moraes – Chico Buarque

 

Libelinhas no Jardim da Algodeia, Setúbal

Setembro de 2009

Jorge Soares

ROSA E SEDUÇÃO

Rosa e sedução 

ROSA E SEDUÇÃO


Luz que invade, fascinante olhar.

Vertiginoso a provocar até os quasares

Brilho que me transporta a tantos lugares

Á socapa chega de manso só para me amar

Eu atravesso as nebulosas para o encontrar

Ah! Paixão em teus olhos castanhos fui me perder

Estou louca de desejo, só penso em me atrever.

E em outros beijos cedo-lhe minha alma

Rubra aura, inquieta, afoita, sem calma.

Rosa vermelha, a flor do teu prazer!


Meu destino é ser fonte de perfumes

Cheiro estonteante que muito cativa

Faz o poeta perder a rima e à deriva

Curva-se e expõe aquele divino lume

Que me veste com um manto e presume

Ser dele o idílio, a rainha, toda a inspiração.

Alcanço a eternidade no pulsar do coração

E na maciez de minha pele aveludada

Faço-o repousar até que ânsia seja aguçada

Em outros versos então ele expõe a sedução!

 

Tânia Mara Camargo

 

Abril de 2009

Jorge Soares

Apr 4, 2009, Câmara: SONY , Modelo: DSLR-A350, ISO: 250, Exposição: 1/320 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 200mm

Roseira Brava

Rosa brava 

 

Há nos teus olhos um tal fulgor

E no teu riso tanta claridade,

Que o lembrar-me de ti é ter saudade

Duma roseira brava toda em flor.

 

Tuas mãos foram feitas para a dor,

Para os gestos de doçura e piedade;

E os teus beijos de sonho e de ansiedade

São como a alma a arder do próprio Amor!

 

Nasci envolta em trajes de mendiga;

E, ao dares-me o teu amor de maravilha,

Deste-me o manto de oiro de rainha!

 

Tua irmã…teu amor…e tua amiga…

E também, toda em flor, a tua filha,

Minha roseira brava que é só minha!…

 

Florbela Espanca - Reliquiae

 

Setúbal, Abril de 2009

Jorge Soares

 

Apr 19, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 100,Exposição: 1/500 seg.,Abertura: 6.3,Extensão focal: 180mm

 

De Vermelho:Resistir às pétalas húmidas, quem?

Rosa vermelha 

DE VERMELHO

Espaço intocado entre terra e céu
Guardado numa massa corpórea
Possui alma, flor oculta ao léu
Oriunda do éden, fantasia etérea

Abaixo da cintura rosa sem candura
Vibra ao imaginar-se desejada
Exalando inebriante odor, tão pura...
E as falenas voam encantadas

Jardim das maravilhas no além
A ser desbravado por alguém
Atrevido ou em mesuras e galanteios

Resistir às pétalas úmidas, quem?
Tão núbil, graça que outra não tem
Vestida de vermelho, bombom e recheio!

 

Tânia Mara Camargo

 

Abril de 2009

Jorge Soares

 

Apr 4, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 400, Exposição: 1/125 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 100mm, Flash utilizado: Sim

Ilusão perdida

 A espera

 

Florida ilusão que em mim deixaste 
a lentidão duma inquietude 
vibrando em meu sentir tu juntaste 
todos os sonhos da minha juventude. 

Depois dum amargor tu afastaste-te, 
e a princípio não percebi. Tu partiras 
tal como chegaste uma tarde 
para alentar meu coração mergulhado 

na profundidade dum desencanto. 
Depois perfumaste-te com meu pranto, 
fiz-te doçura do meu coração, 

agora tens aridez de nó, 
um novo desencanto, árvore nua 
que amanhã se tornará germinação. 

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco' 
Tradução de Albano Martins

 

 

 
Setúbal

Março de 2009

 

Jorge Soares

 

Mar 21, 2009,Câmara: SONY DSLR-A350,ISO: 100,Exposição: 1/320 seg.,Abertura: 9.0Extensão focal: 55mm

 

Salomé

Libelinhas, corpos unidos 

Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo, 
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua... 
Ela dança, ela range. A carne, alcool de nua, 
Alastra-se pra mim num espasmo de segrêdo... 

Tudo é capricho ao seu redór, em sombras fátuas... 
O arôma endoideceu, upou-se em côr, quebrou... 
Tenho frio... Alabastro!... A minh'Alma parou... 
E o seu corpo resvala a projectar estátuas... 

Ela chama-me em Iris. Nimba-se a perder-me, 
Golfa-me os seios nus, ecôa-me em quebranto... 
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me: 

Mordoura-se a chorar--ha sexos no seu pranto... 
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me 
Na bôca imperial que humanisou um Santo... 

 

Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro'

 

Oct 19, 2008, Câmara: SONY , Modelo: DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/500 seg.,Abertura: 5.6 Extensão focal: 200mm
 
Libelinas em Setúbal
Outubro de 2009

Sexo? 2

Ritual de acasalamento

 

Os orifícios externos do aparelho reprodutor situam-se, em ambos os sexos, perto da extremidade do abdómen. Mas, vá-se lá saber porquê, o órgão copulador dos machos está localizado bem mais acima, já perto do tórax. Esta circunstância conduziu ao desenvolvimento de um estranho ritual de acasalamento. O macho começa por encurvar o abdómen para baixo de forma a fazer contactar o poro genital situado perto da extremidade com um reservatório seminal anexo ao órgão copulador, transferindo para aí os seus espermatozóides. Por vezes, antes desta autêntica “auto-fecundação” o macho já agarrou a fêmea atrás da cabeça utilizando para isso os apêndices terminais do abdómen.

 

Esta sujeição da fêmea pelo macho pode prolongar-se por várias horas, em repouso ou em voo, até que finalmente a fêmea encurva também o seu abdómen até colocar a extremidade contra o órgão copulador masculino. Esta derradeira conjugação dos dois parceiros em forma de coração dura apenas alguns minutos, o suficiente no entanto para assegurar a fecundação dos óvulos

 

De onde concluímos que o macho é o azul!

 

Jardim da Algodeia, Setúbal

Outubro de 2008

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Nenhuma parte deste site pode ser reproduzida sem a prévia permissão do autor. Todas as fotografias estão protegidas pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março.
Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo e serão retiradas de imediato.

 

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