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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Há Palavras que Nos Beijam

Há palavras que nos beijam

 

Há Palavras que Nos Beijam

 

Há palavras que nos beijam 

Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte. 

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

 

Fonte das seis bocas ou dos canos /Fuente de las seis Bocas o de los caños

Avilês, Astúrias

Agosto de 2011

Jorge Soares

Pretextos para fugir do real

A vespa

 

A uma luz perigosa como água
De sonho e assalto
Subindo ao teu corpo real
Recordo-te
E és a mesma
Ternura quase impossível
De suportar

Por isso fecho os olhos

(O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. É assim que te faço arder triunfalmente
onde e quando quero. Basta-me fechar os olhos)

Por isso fecho os olhos
E convido a noite para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante
Familiar concreta
Como um corpo decifrado de mulher

E sob a forma desejada
A noite deita-se comigo
E é a tua ausência
Nua nos meus braços

Experimento um grito
Contra o teu silêncio

Experimento um silêncio

Entro e saio
De mãos pálidas nos bolsos

Assobio às pequenas esperanças
Que vêm lamber-me os dedos

Perco-me no teu retrato
Horas seguidas

E ao trote do ciúme deito contas
Deito contas à vida.

Alexandre O’Neill

 

A vespa e a flor do paraiso

Lisboa, Outubro de 2010

Jorge Soares

 

5 de Out de 2010, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100. Exp: 1/1000 seg. seg., Abertura: 5.6. Ext focal: 200mm, Flash: Não

É tão frágil a vida ....

Uma rosa...o que resta da vida 

 

É tão frágil a vida,

tão efémero, tudo!

(Não é verdade, amiga,

olhinhos-cor-de-musgo ?)

    

E ao mesmo tempo é forte,

forte da veleidade,

de resistir à morte

quanto maior a idade.

  

Assim, aos trinta e sete,

fechados alguns ciclos,

a vida ainda pede

mais sentimento, vínculos.

    

Não tanto os que nos deram

a fúria de viver,

como esses descobertos

depois de se saber

     

Que a vida não é outra

senão a que fazemos

(e a vida é uma só,

pois jamais voltaremos).

   

Partidários da vida,

melhor: do que está vivo,

digamos "não!" a tudo

que tenha outro sentido.

  

E que melhor pretexto

(quem o saiba que o diga!)

teremos p'ra viver

senão a própria vida?

    

Alexandre O'Neil , in

"Poemas com endereço", 1962

 

    

 

Jorge Soares

 

Aug 2, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/320 seg., Abertura: 5.6, Extensão focal: 200mm

A bicicleta vermelha

 A bicicleta vermelha

 

O meu marido
saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior.

 

Alexandre O'neill
in:As
horas já de números vestidas(1981)

 

 

Jardim del Turia

Valência, Espanha

Agosto de 2009

Aug 19, 2009, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/400 seg., Abertura: 5.0, Extensão focal: 85mm

Se uma gaivota viesse ....

Gaivota no ar

Gaivotas Gaivota

 

Gaivota

 

Gaivota

 

Gaivota a voar

 

Se uma gaivota viesse

trazer-me o céu de Lisboa

no desenho que fizesse,

nesse céu onde o olhar

é uma asa que não voa,

esmorece e cai no mar.

 

Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.

 

Se um português marinheiro,

dos sete mares andarilho,

fosse quem sabe o primeiro

a contar-me o que inventasse,

se um olhar de novo brilho

no meu olhar se enlaçasse.

 

Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.

 

Se ao dizer adeus à vida

as aves todas do céu,

me dessem na despedida

o teu olhar derradeiro,

esse olhar que era só teu,

amor que foste o primeiro.

 

Que perfeito coração

no meu peito morreria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde perfeito

bateu o meu coração.


 

Alexandre O'neil

 

Fotografias minhas, Setúbal, 2008

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