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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Mas tu és de todos os ausentes o ausente

Eu e o mar

 


 Planicies de Silêncio 

 

Tendo-me despido de todos os meus mantos

Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

Para ficar sozinha ante o silêncio

 

Ante o silêncio e o esplendor da tua face

 

Mas tu és de todos os ausentes o ausente

 

Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

 

O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

 

E o teu encontro

São planícies e planícies de silêncio

 

Escura é a noite

Escura e transparente

Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

E eu não habito os jardins do teu silêncio

 

Porque tu és de todos os ausentes o ausente…

 

Sophia de Mello Breyner

 

Praia do Meco, Sesimbra,

Novembro de 2010

Jorge Soares

Viver na Beira-Mar

A areia e o mar

 

 

Viver na Beira-Mar

 

 

Nunca o mar foi tão ávido 
quanto a minha boca. Era eu 
quem o bebia. Quando o mar 
no horizonte desaparecia e a areia férvida 
não tinha fim sob as passadas, 
e o caos se harmonizava enfim 
com a ordem, eu 
havia convulsamente 
e tão serena bebido o mar. 

Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"

 

Praia do Meco, Sesimbra, Setúbal

Novembro de 2010

Jorge Soares

Intimidade

Intimidade

 

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago

 

 

 

Fim de tarde junto ao mar, esta fotografia tem um defeito, o horizonte não está direito, se aparece por aí a Mia (saudades das tuas fotografias) vai dizer que tenho outra vez o blog molhado, que o mar está a pingar.. mas foi uma questão de opção, era o horizonte direito ou as pessoas inclinadas...

 

Praia do Meco, Sesimbra, Setúbal

Novembro de 2008

 

9 de Nov de 2008, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100, Exp: 1/320 seg., Abertura: 13.0, Ext. focal: 55mm

Quando as crianças brincam

Criança a correr na praia

 

Quando as crianças brincam
E eu as ouço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar


 

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.


Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta

Isto no meu coração. 

 

Fernado Pessoa

 

Praia do Meco, Sesimbra, Setúbal

Novembro de 2008

 

Jorge Soares

 

Nov 9, 2008, Câmara: SONY,DSLR-A350, ISO: 100, Exposição: 1/400 seg., Abertura: 11.0, Extensão focal: 70mm

Solidão

Solidão 

 

Solidão

 

Aproximo-me da noite 
o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso 

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio 

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou 

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna 

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

 

 

Nov 9, 2008, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 320, Exposição: 1/320 seg.,Abertura: 5.6,Extensão focal: 200mm

 

Fim de tarde de Novembro na praia do Meco,

 

Sesimbra, Setúbal

Novembro de 2008

 

 

A ver o mar

Sapatos a ver o mar

 

Fiquei na duvida com o titulo para esta fotografia, entre "os passos perdidos", "a ver o mar" ou simplesmente "esquecidos". Optei por a ver o mar, porque na realidade os donos estavam por ali.. a molhar os pés, sem passos perdidos nem esquecimentos, portanto eles estavam ali... a ver o mar.

 

Praia do Meco, Sesimbra, Setúbal

Novembro de 2008

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