Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

A arte de ser feliz

Janela

 

 

Houve um tempo em que minha janela 

se abria sobre uma cidade que parecia 

ser feita de giz. Perto da janela havia um 

pequeno jardim quase seco. 

Era uma época de estiagem, de terra 

esfarelada, e o jardim parecia morto. 

Mas todas as manhãs vinha um pobre 

com um balde e, em silêncio, ia atirando 

com a mão umas gotas de água sobre 

as plantas. Não era uma rega: era uma 

espécie de aspersão ritual, para que o 

jardim não morresse. E eu olhava para 

as plantas, para o homem, para as gotas 

de água que caíam de seus dedos 

magros e meu coração ficava 

completamente feliz. 

Às vezes abro a janela e encontro o 

jasmineiro em flor. Outras vezes 

encontro nuvens espessas. Avisto 

crinças que vão para a escola. Pardais 

que pulam pelo muro. Gatos que abrem 

e fecham os olhos, sonhando com 

pardais. Borboletas brancas, duas a 

duas, como refelectidas no espelho do ar. 

Marimbondos que sempre me parecem 

personagens de Lope de Vega. Às 

vezes um galo canta. Às vezes um 

avião passa. Tudo está certo, no seu 

lugar, cumprindo o seu destino. E eu me 

sinto completamente feliz. 

Mas, quando falo dessas pequenas 

felicidades certas, que estão diante de 

cada janela, uns dizem que essas coisas 

não existem, outros que só existem 

diante das minhas janelas, e outros, 

finalmente, que é preciso aprender a 

olhar, para poder vê-las assim. 

 

Cecília Meireles

 

Janela em Vila Nova de Milfontes

Junho de 2009

Jorge Soares

Vila Nova de Milfontes

Milfontes, o rio Odemira e o mar

Milfontes barco

Milfontes, Rio Mira, o mar ao fundo

Vila Nova de Milfontes 

 

Sob o Signo da Água

    O elemento líquido tem estado presente ao longo da história local e reflectiu-se na toponímia. O próprio nome de Milfontes (mil + fontes) indica a existência de uma terra de águas abundantes. Mil, neste caso, não significa um numeral preciso, mas um número grande e indeterminado, como é vulgar na língua portuguesa. Fontes, por seu lado, relaciona-se com "nascentes de água". Portanto, terra de muitas águas – em resultado da constituição geológica do sítio onde nasceu. Hoje, essa realidade está algo alterada, fruto da acção humana recente.

   O nome, de contornos poéticos, foi durante muito tempo alvo da implicância de detractores. Diziam-no uma mentira, pois não existiam mil fontes. Um viajante inglês, que por aqui passou em 1801, escreveu, sarcástico, que "the new town has all old houses and the inhabitants of the town of a thousand fountains are obliged to drink well water". Nem ele, nem os outros perceberam.

     A origem do nome do próprio rio é curiosa. Houve quem quisesse ver nele uma palavra árabe ou germânica. Fantasias! A palavra Mira, pensam hoje os especialistas, provem da antiga língua falada na região, antes dos romanos, antes, antes mesmo dos celtas. E, tudo indica, significa "curso de água", isto é, "rio". Portanto, as antigas populações chamavam ao rio, simplesmente... rio. Quem não entendeu o antigo falar da população foram os sucessivos povos que posteriormente estiveram na Península. Com efeito, eles julgaram estar perante um nome próprio. Por isso, os romanos ter-lhe-ão chamado Mira flumen e os árabes designaram-no por ode Mira. E assim se repetia em diferentes línguas a mesma ideia.

 

Retirado de :Milfontes, Quadros da sua História

 

Vial Nova de Milfontes, Odemira

Junho de 2009

Direitos de Autor
Nenhuma parte deste site pode ser reproduzida sem a prévia permissão do autor. Todas as fotografias estão protegidas pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março.
Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo e serão retiradas de imediato.

 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Quem cá vem