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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Olha o balão

Setúbal à noite

Sim, minha força está na solidão.

Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas,

pois eu também sou o escuro da noite.

Clarice Lispector

 

Decoração de verão nas ruas da baixa de Setubal

Agosto de 2015

Jorge Soares

 

Câmara: SONY ILCA-77M2, ISO: 3200, Exposição: 1/15 seg., Abertura: 4.0, Extensão focal: 35mm Flash: Não

 

Esta deveria ser a hora em que me recolheria

Solidão

 

Solidão

 

Aproximo-me da noite 
o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso 

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio 

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou 

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna 

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

 

 

Com um tripé de certeza que sairia mais nítida e sem tanto ruido... mas será que ela se deixava apanhar?

Burgos

Agosto de 2013

Jorge Soares

Pontos de luz

Luz

Luz

Luz

Luz

Luz

 

É daqueles sitios onde o tripé seria mesmo útil, as luzes da cidade, as de Troia, os barcos na baia, as luzes no castelo... tudo é luz e tudo é mágico.... talvez o menino Jesus me traga um.. entretanto, vou tentando com o que há .. estas por acaso foram com a máquina na mão... com o ISO a 3600 e a abertura máxima..... não saíram mal de todo.

 

Castelo de São Felipe, Setúbal

Outubro de 2011

Jorge Soares

A Mais Bela Noite do Mundo

Crepúsculo em Setúbal

 

A Mais Bela Noite do Mundo

 

Hoje, 
será o fim! 

Hoje 
nem este falso silêncio 
dos meus gestos malogrados 
debruçando-se 
sobre os meus ombros nus 
e esmagados! 

Nem o luar, pano baço de cenário velho, 
escutando 
a minha prisão de viver 
a lição que me ditavam: 
- Menino! acende uma vela na tua vida, 
que o sol, a luz e o ar 
são perfumes de pecado. 
Tem braços longos e tentadores – o dia! 

- Menino! recolhe-te na sombra do meu regaço 
que teus pés 
são feitos de barro e cansaço! 

(Era esta a voz do papão 
pintado de belo 
na máscara de papelão). 

Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua... 
Noites de lua 
que lembravam as grilhetas 
da minha vida parada. 

- Amanhã, 
terás os mestres, as aulas, os amigos e os livros 
e o espectáculo da morgue 
morando durante dias 
nos teus sentidos gorados. 

Amanhã, 
será o ultrapassar outra curva 
no teu caminho destinado. 

(Era esta a voz do papão 
que acendia a vela, tinha regaço de sombra 
e velava 
as noites da minha rua e a minha vida 
e pintava-se de belo 
na máscara de papelão). 

Hoje, 
será o fim! 

Hoje, 
nem a sombra do que há-de vir, 
nem os mestres, nem os amigos, nem os livros, 
nem a fragilidade dos meus pés 
feitos de barro e cansaço! 
Todas as minhas revoltas domadas, 
todos os meus gestos em meio 
e as minhas palavras sufocadas 
terão a sua hora de viver e amar! 

Hoje, 
nem o cadáver a sorrir na morgue, 
nem as mãos que ficaram angustiosas, 
arrepiadas 
no seu medo de findar! 

Hoje, 
será a mais bela noite do mundo! 

Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'

 

Se acham que tirar uma fotografia à noite sem tripé é dificil, tentem em cima de uma barcaça no rio. Esta foi à saída do barco em Setúbal, saí, olhei para o céu e não resisti, entre a ondulação do rio e as pessoas a sair do barco, a coisa não era lá muito estável... valeu que (ainda) tenho as mãos firmes.

 

O crepúsculo do cair da noite sobre Setúbal e a margem do Rio Sado

Outubro de 2011

Jorge Soares

Nas ruas da noite

 Nas ruas da noite em Lisboa

 

 

Nas ruas da noite

 

No crepitar de estilhaços

de estrelas sobre os espaços

da Lisboa rua em rua —

crucificámos abraços

encruzilhados nos passos

que à noite a lua insinua

 

Em nossas bocas unidas

sangrámos todas as feridas

dos beijos amordaçados —

salvámos vidas vencidas

que andam na treva perdidas

como num mar afogados

 

Cegos de sombras e lama

Quando a sede que se inflama

numa inquisição divina —

bebemos o vinho em chama

que sanguíneo se derrama

no candeeiro da esquina

 

Embriagados de lume

sem dissipar o negrume

do fumo que nos oprime —

rezamos em seu queixume

no cio do meu ciúme

fados do amor feito crime

 

Crucificamos abraços

encruzilhados nos passos

que a noite nua desnua —

crepitantes de estilhaços

de estrelas quando em pedaços

vêm morrer sobre a rua

 

Fernando Pinto Ribeiro

 
Lisboa e os seus candeeiros
Novembro de 2008
Jorge Soares

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