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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos

Cão

 

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando
chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de
grandes chuvas e das recordações da infância.
Preciso de um amigo para não enlouquecer, para contar o que vi de belo e triste
durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças d´água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Preciso de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já tenho um amigo. 
Preciso de um amigo para parar de chorar. Para não viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que bata nos ombros sorrindo e chorando, mas que me chame de amigo, para que eu tenha a consciência de que ainda vivo"

Vinícius de Moraes



Setúbal, Janeiro de 2012

Jorge Soares

Chegar

Chegar

 

 

Poema Transitório

(...) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!

... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.

 

Mario Quintana 

 

 

 

Setúbal, Maio de 2012

Jorge Soares

À espera

À espera

 

Aqui onde se espera 
- Sossego, só sossego - 
Isso que outrora era, 

Aqui onde, dormindo, 
-Sossego, só sossego- 
Se sente a noite vindo, 

E nada importaria 
-Sossego, só sossego- 
Que fosse antes o dia, 

Aqui, aqui estarei 
-Sossego, só sossego - 
Como no exílio um rei, 

Gozando da ventura 
- Sossego, só sossego - 
De não ter a amargura 

De reinar, mas guardando 
- Sossego, só sossego - 
O nome venerando... 

Que mais quer quem descansa 
- Sossego, só sossego - 
Da dor e da esperança, 

Que ter a negação 
- Sossego, só sossego - 
De todo o coração ? 

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

 

Saímos no Underground apressados, nós e uma enorme multidão com pressa de chegar a tempo de ver o render da guarda, junto ao caminho nos enormes relvados do parque estavam estas cadeiras... dezenas delas... todas vazias.. à espera.

 

Green Park, Londres

Agosto de 2011

Jorge Soares

Como um vaso vazio

Flor amarela

 

A minha alma partiu-se como um vaso vazio. 
Caiu pela escada excessivamente abaixo. 
Caiu das mãos da criada descuidada. 
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. 

Asneira? Impossível? Sei lá! 
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu. 
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. 

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia. 
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada. 
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim. 

Não se zanguem com ela. 
São tolerantes com ela. 
O que era eu um vaso vazio? 

Olham os cacos absurdamente conscientes, 
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles. 

Olham e sorriem. 
Sorriem tolerantes à criada involuntária. 

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas. 
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros. 
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida? 
Um caco. 
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"

 

Setúbal, Maio de 2010

Jorge Soares

Nuvens correndo um rio

Nuvens correndo um rio

 

Nuvens correndo num rio
Quem sabe onde vão parar?
Fantasma do meu navio
Não corras, vai devagar!

Vais por caminhos de bruma
Que são caminhos de olvido.
Não queiras, ó meu navio,
Ser um navio perdido.

Sonhos içados ao vento
Querem estrelas varejar!
Velas do meu pensamento
Aonde me quereis levar?

Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar,
Que nuvens correndo em rio,
Quem sabe onde vão parar?

Que este destino em que venho
É uma troça tão triste;
Um navio que não tenho
Num rio que não existe.

Natália Correia

 

Nuvens sobre o Tejo

Lisboa, Novembro de 2010

Jorge Soares

 

21 de Nov de 2010, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 200, Exp.: 1/640 seg., Abertura: 10.0, Ext.: 26mm

Fernando Pessoa - Margarida

Margarida

 

Ai, Margarida,

Se eu te desse a minha vida,

Que farias tu com ela?

– Casava com um homem cego

E ia morar para a Estrela.


Mas, Margarida,

Se eu te desse a minha vida,

Que diria a tua mãe?

– (Ela conhece-me a fundo.)

Que há muito parvo no mundo,

E que eras parvo também.


E, Margarida,

Se eu te desse a minha vida

No sentido de morrer?

– Eu iria ao teu enterro,

Mas achava que era um erro

Querer amar sem viver.


Mas, Margarida,

Se este dar-te a minha vida

Não fosse senão poesia?

– Então, filho, nada feito.

Fica tudo sem efeito.

Nesta casa não se fia.

 

Álvaro de campos

 

Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro de 1936, tal dia como hoje ..., alguém dizia que não só foi o melhor poeta Português, como foi os cinco melhores poetas portugueses de sempre...

 

Jorge Soares

Regras de sensatez

Praia, Cabo Verde

 

 

"Nunca voltes ao lugar
onde já foste feliz
por muito que o coração diga
não faças o que ele diz
Nunca mais voltes à casa
onde ardes-te de paixão
só encontrarás erva rasa
por entre as lajes do chão
Nada do que por lá vires
será como no passado
não queiras reancender
um lume já apagado
São as regras da sensatez
vais sair a dizer que desta é de vez
Por grande a tentação
que te crie a saudade
não mates a recordação
que lembra a felicidade
Nunca voltes ao lugar
onde o arco - irís se pôs
só encontrarás a cinza
que dá na garganta nós.
São as regras da sensatez
vais sair a dizer que desta é de vez"

 

Rui Veloso

 

Ouvir aqui

Pôr do sol na cidade da Praia, Cabo Verde
Fevereiro de 2010
Jorge Soares

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