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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

JANELA VIRADA P´RO MAR

Naquela Janela.. virada para o mar 

 

Cem anos que eu viva, não posso esquecer-me 
Daquele navio que eu vi naufragar 
Na boca da barra tentando perder-me 
Daquela janela virada p´ro mar 

Sei lá quantas vezes matei o desejo 
E fui pelo mar fora com a alma a sangrar 
Levando na ideia uns lábios que invejo
E aquela janela virada p´ro mar 

Marinheiro do mar alto olha as ondas, uma a uma 
Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma 
Por mais que elas bailem numa louca orgia 
Não trazem desejos de me torturar 
Como aquela doida que eu deixei um dia 
Naquela janela virada p´ro mar…

Se mais ainda houvesse, mais portos correra 
Lembrando-me em noites de meigo luar 
Duns olhos gaiatos que trago à espera 
Naquela janela virada p´ro mar

Mas quis o destino que o meu mastodonte 
Já velho e cansado, viesse encalhar 
Na boca da barra, e mesmo de fronte 
Daquela janela virada p´ro mar…

 

(Frederico de Brito)

 

Ponta Delgada, Açores

Agosto de 2008

 

 

Aug 20, 2008, Câmara: SONY DSLR-A350, ISO: 100,Exposição: 1/500 seg.,Abertura: 9.0, Extensão focal: 60mm

 

PS:Obrigado Rosa

 

Por trás daquela Janela

Por trás daquela janela, Fernando Pessoa

 

Por trás daquela janela
Cuja cortina não muda
Coloco a visão daquela
Que a alma em si mesma estuda
No desejo que a revela.

 

Não tenho falta de amor.
Quem me queira não me falta.
Mas teria outro sabor
Se isso fosse interior
Àquela janela alta.

 

Porquê? Se eu soubesse, tinha
Tudo o que desejo ter.
Amei outrora a Rainha,
E há sempre na alma minha
Um trono por preencher.

 

Sempre que posso sonhar,
Sempre que não vejo, ponho
O trono nesse lugar;
Além da cortina é o lar,
Além da janela o sonho.

 

Assim, passando, entreteço
O artifício do caminho
E um pouco de mim me esqueço
Pois mais nada à vida peço
Do que ser o seu vizinho.

 

Fernando Pessoa in Cancioneiro

 

Ponta Delgada, Açores, Agosto de 2008

 

 
Aug 20, 2008, Câmara: Sony DSLR - A350, ISO 100, Exposição: 1/80 Seg. Abertura 9.0, Extensão Focal  35 mm
 

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