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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

A última pétala da última rosa

Uma pétala de rosa

 

hoje eu quero ouvir tuas palavras sobre luzes 
e sobre rosas.
quero ver teus olhos que me convidam a viajar pela magia do universo
não romperei o silêncio. 
não tocarei uma sinfonia. 
não abrirei a boca.
tu? tu nem ouvirás os meus passos.
mas a pétala da rosa ao cair pelos confins do infinito
resvalando no teu coração
ah, essa tu ouvirás!

Rita Schultz 


A última pétala da última rosa num dia de sol de Inverno

Setúbal, Dezembro de 2011

Jorge Soares

Ausência

Rosa sem pétalas

 

Ausência

 

Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus 
                                                                            [braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim. 

Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo' 

 

Alviães, Oliveira de Azemeis
Dezmbro de 2011
Jorge Soares

 

Não há rosa como ela

Não há rosa como ela

 

Tenho um vasinho de rosas à janela
Que ela trouxe consigo
Quando as vejo tão formosas,
Lembro-me dela
lembro-me dela ao postigo

Lembro-me dela ao postigo,
tão mimosa
E agora põe-se à janela
Os cabelos cor de trigo, não há rosa...
Não há rosa como ela

Não há rosa como ela na cidade
Nem nos campos donde vim
Agora põe-se à janela com vaidade
À noite à espera de mim

Lembro-me dela ao postigo
E agora põe-se à janela
É só isto que vos digo:
Não há rosa como ela

 


Baile  Popular

 

Ouvir

 
Não, esta rosa não é da minha janela, foi  colhida algures num quintal de Setúbal ... mas olhei paraa fotografia e lembrei-me desta musica dos Baile Popular...
Setúbal, Dezembro de 2011
Jorge Soares

Rosa do inverno

Rosa de inverno

 

Saí por aí à procura
de uma rosa
que não fosse de Verão
nem de Primavera, 
que não cheirasse a Outono,
uma rosa que fosse apenas
uma quimera 
sem dono!

E porque tudo 
o que queremos fazer
fica feito... se o fizermos,
e porque tudo 
o que queremos dizer
fica dito... se o dissermos,
e ainda talvez 
porque tudo é eterno
se nós assim o quisermos...

Aqui fica uma Rosa,
aquela que vos trarei,
é uma Rosa de Inverno...
a única que eu encontrei! 

 

Retirado de O meu Sofá Amarelo 

 

"Colhida" a 24 de Dezembro no quintal da minha mãe, uma rosa de natal, uma rosa do inverno.

 

Alviães, Palmaz, Oliveira de Azemeis

Dezembro de 2011

Jorge Soares

A última pétala das rosas do Outono

Pétalas de inverno

 

Pétala Dobrada para Trás da Rosa 


 

 

Pétala dobrada para trás da rosa que outros dizem de veludo. 
Apanho-te do chão e, de perto, contemplo-te de longe. 

Não há rosas no meu quintal: que vento te trouxe? 
Mas chego de longe de repente. Estive doente um momento. 
Nenhum vento te trouxe agora. 
Agora estás aqui. 
O que foste não és tu, se não toda a rosa estava aqui. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

 

A última pétala de uma rosa do Outono

Setúbal

Dezembro de 2011

Jorge Soares

A cor da rosa

Uma rosa em Hide Park

 

Alvejava de neve outrora a rosa,
Nem como agora, doce recendia;
Baixo voava Amor sem tento um dia,
E na rama espinhosa
De sua flor virgínea se feria.
Do sangue divina! gota amorosa
Da ligeira ferida lhe corria,
E as flores da roseira onde caía
Tomavam do encarnado a cor lustrosa.
Agora formosa
A rúbida flor
Recorda de Amor
A chaga ditosa.

Para os braços da mãe voou chorando;
Um beijo lhe acalmou penas e ardores:
E tão doce o remédio achou das dores,
Que Amor só desejou de quando em quando
Que assim penando,
Com seus clamores
Novos favores
Fosse alcançando.

Súbito voa, pelos ares fende;
As rosas viu de sua dor trajadas,
E que só de suas glórias namoradas
Nada dissessem com razão se ofende:
A mão lhe estende,
E delicioso
Cheiro amoroso
Nelas recende.

Vós que as rosas gentis buscais, amantes,
Nos jardins do prazer,
E, em vez da flor, espinhos penetrantes
Só chegais acolher,
Resignados sofrei, sede constantes,
Que a desventura,
Que a mágoa e dor
Sempre em doçura
Converte Amor.

Almeida Garret

 

Uma rosa em Hide Park

Londres, Agosto de 2011

Jorge Soares

Suave

Rosa suave

 

Suave é a bela como se música e madeira,
ágata, telas, trigo, pêssegos transparentes,
tivessem erigido a fugitiva estátua.
Para a onda dirige seu contrário frescor.

 

O mar molha polidos pés copiados
à forma recém-trabalhada na areia
e é agora seu fogo feminino de rosa
uma borbulha só que o sol e o mar combatem.

 

Ai, que nada te toque senão o sal do frio!
Que nem o amor destrua a primavera intacta.
Formosa, revérbero da indelével espuma,

 

deixa que teus quadris imponham na água
uma medida nova de cisne ou de nenúfar
e navegue tua estátua pelo cristal eterno.

 

Pablo Neruda

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