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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Que vai de céu em céu, De mar em mar

O sol

 

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar…

 

Miguel Torga, in ‘Diário XII’

 

E de repente entrou-me a sodade.

Por do sol na Praiinha

Cabo Verde, Fevereiro de 2010

Jorge Soares

Saudade

Flores em Cabo Verde

 

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

 

Charles Chaplin

 

Praia, Cabo Verde

Fevereiro de 2010

Jorge Soares

Ó sino da minha aldeia

O sino

 

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.


E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.


Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.


A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.


Fernando Pessoa, "Cancioneiro"

 

Este é mesmo um sino da minha aldeia... está no portão da casa dos meus pais quase escondido pela enorme roseira que passa em arco por cima do portão... num fim de tarde de verão, ficou assim... a contraluz.

 

Alviães, Palmaz, Oliveira de Azeméis

Agosto de 2010

Jorge Soares

Saudade

Quem vai abrir agora as janelas?

 

Quem vai abrir as janelas que não fechaste...? 
Quem vai colher as flores que não semeaste...? 
Quem vai guardar as cartas que nao recebeste...? 
Quem vai ler as palavras que não escreveste...? 
Quem vai sentar-se à mesa no teu lugar...? 
Quem, no teu leito desfeito, se vai deitar...? 
Quem, as tuas roupas usadas vai vestir...? 
Quem, os sons que tu ouvias, vai ouvir...? 
Quem, a porta vai abrir, para eu entrar...? 
Quem, com um terno beijo me vai saudar...? 
Quem vai ensinar-me agora...a compreender ? 
...Como posso eu viver feliz...sem te ter?

 

Poema de Maria João Silva

 

Ouvir o poema declamado no Youtube

 

 

Algures num daqueles dias de verão em que dá gosto caminhar pela praia, numa praia da galiza

Agosto de 2010

Jorge Soares

No fim, restará a saudade

 

Durante muitos anos foi assim, os barcos acostavam neste cais ou no outro em frente a este, e os carros saiam rumo à Comporta, a Grândola, a Sines, ao Algarve. Havia pessoas a pé que saiam aqui e iam para a praia no Bico das lulas, ou atravessando as dunas, para o outro lado, para o mar e as ondas.

 

Breve tudo isso será passado, já lá está a marina, já crescem os prédios, o relvado donde fazíamos os piqueniques debaixo dos pinheiros , há muito que desapareceu, breve tudo isto será de outros e a nós restar-nos-á a saudade.

 

Tróia, Setúbal, Junho de 2008

Jorge

 

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