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Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Momentos e Olhares

A vida é feita de momentos, alguns são apagados, levados pelas ondas da vida, outros ficam, perduram na nossa memória e fazem de nós o que somos, olhares, vivências, recordações e saudade! -Jorge Soares

Barco negro

Gaivota nos destroços


 

De manhã, que medo, que me achasses feia!

Acordei, tremendo, deitada n'areia

Mas logo os teus olhos disseram que não,

E o sol penetrou no meu coração.

 

Vi depois, numa rocha, uma cruz,

E o teu barco negro dançava na luz

Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas

Dizem as velhas da praia, que não voltas:

 

São loucas! São loucas!

 

Eu sei, meu amor,

Que nem chegaste a partir,

Pois tudo, em meu redor,

Me diz qu'estás sempre comigo.

 

No vento que lança areia nos vidros;

Na água que canta, no fogo mortiço;

No calor do leito, nos bancos vazios;

Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

 

David Mourão Ferreira

 

Atalaia, Seixal

Setembro de 2009

Jorge Soares

 

6 de Set de 2009, Câmara: SONY, DSLR-A350,ISO: 100,Exposição: 1/500 seg.,Abertura: 5.6,Extensão focal: 200mm

À beleza

A beleza

 

Não tens corpo, nem pátria, nem família, 

Não te curvas ao jugo dos tiranos. 

Não tens preço na terra dos humanos, 

Nem o tempo te rói. 

És a essência dos anos, 

O que vem e o que foi. 

 

És a carne dos deuses, 

O sorriso das pedras, 

E a candura do instinto. 

És aquele alimento 

De quem, farto de pão, anda faminto. 

 

És a graça da vida em toda a parte, 

Ou em arte, 

Ou em simples verdade. 

És o cravo vermelho, 

Ou a moça no espelho, 

Que depois de te ver se persuade. 

 

És um verso perfeito 

Que traz consigo a força do que diz. 

És o jeito 

Que tem, antes de mestre, o aprendiz. 

 

És a beleza, enfim. És o teu nome. 

Um milagre, uma luz, uma harmonia, 

Uma linha sem traço... 

Mas sem corpo, sem pátria e sem família, 

Tudo repousa em paz no teu regaço. 

 

Miguel Torga, in 'Odes'

 

Rio Judeu, Seixal

Outubro de 2008

Silêncio

 El silêncio

 

Silencio

 

El silencio es de madera

Sombras en el suelo que se estiran

Atadas a las cosas  a mi alrededor

Y mis sueños se disuelven entre ellas

Hasta sumirse en la nada

 

 

 

O silêncio é de madeira

sombras sobre o solo que se expandem

atadas às coisas que me rodeiam

e os meus sonhos que entre elas se dissolvem

até que se perdem no vazio

 

Durga Prieto

 

Fim de tarde no Seixal, Outubro de 2008

Jorge Soares

 

Maquina SONY Modelo, DSLR-A350,Exposição 1/50, Abertura 40/10, ISO 400, MeteringMode 5, Flash 16, Dist.Focal 550/10

Pus o meu sonho num navio

 Barcos no Rio Judeu

 

Pus o meu sonho num navio 

e o navio em cima do mar; 
- depois, abri o mar com as mãos, 
para o meu sonho naufragar 

Minhas mãos ainda estão molhadas 
do azul das ondas entreabertas, 
e a cor que escorre de meus dedos 
colore as areias desertas. 

O vento vem vindo de longe, 
a noite se curva de frio; 
debaixo da água vai morrendo 
meu sonho, dentro de um navio... 

Chorarei quanto for preciso, 
para fazer com que o mar cresça, 
e o meu navio chegue ao fundo 
e o meu sonho desapareça. 

Depois, tudo estará perfeito; 
praia lisa, águas ordenadas, 
meus olhos secos como pedras 
e as minhas duas mãos quebradas.

 

Cecília Meireles

 

Fim de tarde no Rio Judeu, Seixal

Outubro de 2008

Jorge

PS:Obrigado Flor

O barco triste!

Encalhado

Nas praias
Da minha infância
Morrem barcos
Desmantelados.

Fantasmas
De pescadores
Contrabandistas
Desaparecidos
Em qualquer vaga
Nem eu sei onde.

E eu sou a mesma
Tenho dez anos
Brinco na areia
Empunho os remos...
Canto e sorrio...
A embarcação:
Para o mar!
É para o mar!...

E o pobre barco
O barco triste
Cansado e frio
Não se moveu..

YOLANDA MORAZZO
(Mindelo, Ilha de S.Vicente, Cabo Verde, 16/12/1928)

 

Seixal, Outubro de 2008

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